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domingo, 20 de abril de 2014

"Essa realidade não existe para nós enquanto não é recriada pelo nosso pensamento (se assim não fosse, os homens que estiveram envolvidos num combate gigantesco seriam todos poetas épicos); e assim, num desejo louco de me precipitar nos seus braços, só naquele momento, mais de um ano passado sobre o seu enterro, por força daquele anacronismo que tantas vezes impede que o calendário dos factos coincida com o dos sentimentos - só naquele momento acabava de saber que ela tinha morrido."
- Em Busca do Tempo Perdido vol. 4 - Sodoma e Gomorra
Marcel Proust

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Proust Report - p.179

Things are getting serious. 
Está tudo a morrer. Toda a gente morre. Estou a deprimir, porque de facto toda a gente morre e as pessoas que ficam são mesmo boas na filha da putice. As pessoas e a vida, que é trágica e acaba sempre mal.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

"Tentou uma vez explicar-me que a terra e os planetas foram arrancados ao Sol por uma estrela ao passar. Como se um cão trotasse junto a um arbusto e libertasse mundos. E nesses mundos apareceu a vida, e nessa vida seres como nós - almas. E mesmo criaturas mais estranhas que nós afirmou ela. Gostei de ouvir isto, mas não a compreendi bem. Sei que a impedi de voltar para o Japão. Por minha causa, desobedeceu ao pai. A mãe morreu-lhe, e Sono não se referiu a tal facto durante várias semanas. E uma vez disse: - Je ne crais pas la mort. Mais tu me fais souffrir, Moso. - Não a tinha visitado durante todo um mês. Tivera novamente uma pneumonia. Ninguém viera vê-la. Estava fraca e pálida, chorava e murmurava: - Je souffre trop. - Mas não o deixara confortá-la; ouvira dizer que ele andava com Madalena Pontritter.
Notou contudo: - Elle est méchante, Moso. Je suis pas jalouse. Je ferai amour avec un autre. Tu m'as laissée. Mais elle a les yeux très, très froids.
Escreveu, Sono, tinhas razão: Pensei que talvez gostasse de o saber. Os olhos dela são muito frios. No entanto, são olhos, e que há-de fazer deles? Não seria prático para ela odiar-se. Felizmente, Deus envia um substituto, um marido."
- Herzog, Saul Bellow

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

"A morte seguiu pois pelo corredor até à primeira porta à direita de quem entra e por aí passou à sala de música, que outro nome não se vê que deva ser dado à divisão de uma casa onde se encontra um piano aberto e um violoncelo, um atril com as três peças da fantasia opus setenta e três de robert schumann, conforme a morte pôde ler graças a um candeeiro de iluminação pública cuja esmaecida luz alaranjada entrava pelas duas janelas, e também algumas pilhas de cadernos aqui e além, sem esquecer as altas estantes de livros onde a literatura tem todo o ar de conviver com a música na mais perfeita harmonia, que hoje é a ciência dos acordes depois de ter sido a filha de ares e afrodite."

- As Intermitências da Morte, J. Saramago


segunda-feira, 8 de outubro de 2012


"Ao pé da forca, os SS olham com indiferença para nós que desfilamos: a sua obra está cumprida, e bem cumprida. Os russos podem chegar; agora, já não há homens fortes entre nós, o último pende por cima das nossas cabeças, e , para os outros, poucas forças foram suficientes. Os russos podem chegar: apenas nos encontrarão a nós, os vergados, os apagados, dignos da morte inerme que nos espera.
Destruir o homem é difícil, quase tanto quanto criá-lo; não foi fácil, não foi rápido, mas os Alemães conseguiram-no. Desfilamos dóceis, debaixo dos seus olhares: da nossa parte nada mais têm a recear: nem actos de revolta, nem palavras de desafio, nem sequer um olhar de condenação.
Alberto e eu regressámos à barraca, e não fomos capazes de olhar um para o outro. Aquela homem devia ser duro, devia ser feito de outro metal que não o nosso, se esta condição, que nos quebrou, não o conseguiu vergar.
Pois, nós também estamos quebrados, vencidos: mesmo tendo sabido adaptar-nos, mesmo tendo aprendido finalmente a arranjar a nossa comida e a aguentar a fadiga e o frio, mesmo tendo perspectivas de regressar a casa.
Levantámos a menaschka em cima da cama, fixemos a distribuição, satisfizemos a raiva diária da fome, e agora a vergonha oprime-nos."
- Se Isto é um Homem, Primo Levi

domingo, 7 de outubro de 2012

À senhora do café do terminal do cais

No cais há um café mesmo no terminal de que eu gosto muito e vou quando posso, onde é o café é bom e a sessenta cêntimos, não me fazendo tremer de nostalgia pelo tempo em que ainda era a uma moeda de cinquenta. A senhora é simpática e dá os bons dias.
No outro dia, tocava a "Everybody Hurts" dos R.E.M. na rádio, uma das músicas preferidas do filho. Descobri então que ele tinha morrido e agora era ela quem a ouvia como se ouvisse a vida e voz do seu rapaz ainda. 
As pessoas escondem uma vida atrás das rugas e palavras simpáticas. Deve ser a única forma de a ultrapassar. Aquela pessoa tinha experienciado a dor pela qual nunca nenhum pai pensa ou quer passar, completamente anti-natura na sua essência, uma dor absurda, reflexo talvez de uma casualidade do universo, aleatório. Há que não desistir, diz ela. A voz do Stipe também o afirma através das ondas radiofónicas que naquela manhã me contaram a história daquela mulher. Não desistir, mesmo com toda a absurdidade da vida e do universo alheio a qualquer ordem e pelo meio dessa mesma desordem, encontrar um sentido para tudo isto. 
Porque tem de existir algum. Talvez o sentido seja essa busca incessante de respostas; talvez esteja na maternidade ou paternidade; talvez esteja na esperança de mudar o mundo para melhor e contribuir na ânsia de paz mundial. Talvez, um qualquer, mas um sentido algures. Um sentido único ou diferente, mas muito pessoal, para cada um de nós algures nos escritos das estrelas ou nas nossas veias. Não consigo conceber a nossa existência de outra forma.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012


FRENTE A FRENTE


Nada podeis contra o amor.
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
— e é tão pouco.

- Eugénio de Andrade,
 in «Palavras Interditas · Até Amanhã»

domingo, 29 de abril de 2012

Ontem foi um daqueles dias em que não apetece levantar da cama. 
Na cama estou quentinha e lá fora há responsabilidades: há cálculos mentais de fins-de-semana restantes até ao final do semestre que se possam traduzir em estudo a sério, há a culpa do dever incumprido (devia ir estudar), há chuva. 
Lembro-me deste dia há exactamente um ano atrás. Saí de casa, apanhei o comboio para ir para a faculdade e estava sol, um dia caloroso pelo que me recordo. O sol estava alto, mas num momento recaiu sobre mim uma nuvem negra, uma negritude de pensamentos: percebi que algo estava mal. E todo o dia estive com um pressentimento terrível.
Quando cheguei a casa, percebi e recebi a notícia. Não chorei, nem chorei no dia seguinte; só chorei por momentos na missa e desde aí nunca mais. É estranho, é tudo tão estranho. A vida, o que fica depois da morte. Tudo tão estranho.
Mas há um mundo lá fora. E deveres que têm de ser cumpridos dê por onde der, porque eu gosto muito da vida universitária, mas não queria prolonga-la ad eternum.
Levantei-me, o mundo não pára, nem espera por nós, e fui à minha vida. Alguém tem de a viver. 

domingo, 15 de abril de 2012

O dia em que Diana Catarina começou a correr

Quero desde já clarificar que eu não incorro em qualquer tipo de actividade física - aparte correr atrás do metro - desde o secundário, há uns bons dois anos. As calças de fato treino não viam a luz do dia há dois anos e eu já punha os meus pés naqueles ténis desde aí. Portanto está bom de ver que o meu nível de cardio-fitness é nulo, quiçá negativo se tal faça sentido, não sei que não sou licenciada em desporto.
Mas como ontem tinha dito, finalmente consegui arranjar alguém que me faça companhia na actividade. Yeeey! 
E lá fomos nós fazer uso dos espaços verdes desta bela terra e apanhar ar fresco logo pela manhã.

Diana Catarina acorda, sai de casa debaixo de chuva, mas muito motivada. Chega ao metro e depara-se com um tempo de espera de 8 minutos até ao próximo; pensamento lógico: mais depressa lá chego se for a pé - e agora pensamento mesmo muito lógico - mas já que é para correr então vou a correr até lá. Escusado será dizer que esta foi uma má decisão. Diana Catarina não corria, arrastava-se apenas 30 segundos depois. Uma tristeza. Cheguei ao sítio onde devia estar já a morrer, a pensar em dar meia-volta para casa que o meu exercício físico já estava feito, pronto foi giro e bon voyage. Mas não deu, porque a minha parceira de corrida estava por demais entusiasmada e lá fomos. 
E não é que até foi engraçado? Era ver-nos abrir caminho nas descidas e andar a passo apressado na relva plana. Andamos mais do que aquilo que corremos, ando para aqui a arrastar-me que não aguento as pernas, mas acho que para começar foi muito produtivo. Para a semana lá estamos outra vez, vamos preparar-nos para a maratona do Benfica. Oh yeah.


(E quando chego a casa a minha mãe tinha feito feijoada para o almoço, o que é sempre bom.)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Há Palavras que Nos Beijam

Há palavras que nos beijam 
Como se tivessem boca. 
Palavras de amor, de esperança, 
De imenso amor, de esperança louca. 

Palavras nuas que beijas 
Quando a noite perde o rosto; 
Palavras que se recusam 
Aos muros do teu desgosto. 

De repente coloridas 
Entre palavras sem cor, 
Esperadas inesperadas 
Como a poesia ou o amor. 

(O nome de quem se ama 
Letra a letra revelado 
No mármore distraído 
No papel abandonado) 

Palavras que nos transportam 
Aonde a noite é mais forte, 
Ao silêncio dos amantes 
Abraçados contra a morte. 

Alexandre O'Neill
Esta noite sonhei com a minha avó e ela ainda estava viva. Debilitada, é certo, mas viva. Acho que ainda não resolvi bem a partida dela cá dentro, ainda não a chorei se calhar porque estou ainda um pouco em negação mesmo dez meses depois. Às vezes ainda penso que vou para a terra e ela vai abrir-me a porta; chego, mas ela não está lá. É um silêncio vazio impossível de vir a ser preenchido. 
Só chorei na igreja quando ouvi também o nome do meu avô; um golpe duro, um murro no estômago, acho que assustei o meu primo. Foi a primeira e última vez. Tive medo por quem ficou. Ainda tenho. 
Lembro-me da última vez que a vi, lembro-mo das palavras que me disse numa réstia de lucidez e ainda sinto o toque dela na minha cara. Os dedos longos da mão iguais aos meus. Sinto-os, tão vivos, tão reais. O nó na garganta, igualmente.
Às vezes sinto-lhe a falta; da comida, do tom reconciliatório. Gostava que estivesse cá para me ver tirar o curso, casar, ter filhos. Às vezes penso que ainda a vou ver, falar com ela, a minha estrutura e esquema mentais ainda assim estão configurados, mas rápido me lembro que não. Foi o fim. Há sempre um fim, um fim para tudo, um fim para todos. Ninguém escapa. 
Precisava de lançar isto para o universo, não lhe sei bem a utilidade nem o que fazer com isto, mas está dentro de mim há tempo de mais. Não estava à espera de sonhar com ela e o sonho atingiu-me como uma lança, portanto precisava de lançar isto para o universo. Que o universo faça disto o que entender.
Sonhei que eu própria tinha um tumor, mas no cérebro, e fui morrer ao areal da praia.
Acordei e vi o sol por entre a abertura dos estores. A realidade assentou.
A morte é uma puta.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Porquê?

Estou a ficar doente. Logo eu que me estava a portar moderadamente bem este Inverno e só tive aquele xalique de maior em vésperas de frequência, porque é assim que as coisas são e o meu corpo acha piada dar-se às maleitas em vésperas de momentos de avaliação, que só assim por acaso era a o único momento de avaliação (mais a sério) daquela cadeira.
Mas desde ontem, achou piada dar-me uma dor de garganta e um leve mal-estar que não me larga desde manhã. Também estou com frio. 
E é isto... 

Rezem por mim: não me dava jeito morrer agora, ainda por cima à beira dos 20. 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

No adeus a 2011

Diz que nesta altura se mergulha num transe retrospectivo destes últimos 365 dias, uma sede de escolher os melhores: os melhores álbuns de música, os melhores livros, os melhores filmes; os melhores momentos, enaltecer os mais felizes em detrimento dos piores, sempre optimista, copo sempre meio cheio, ah que foi um ano bestial, que venha outro igual. Não foi e não, não quero outro igual. Quero permanecer com o bom que tirei deste ano, que foi muito, mesmo muito especial, mas que 2011 fique onde está e 2012 não se arme em esperto comigo.
Mas o que aconteceu este ano já enviou ondas de repercussão para 2012 e, muito provavelmente se o mundo não acabar no próximo Dezembro, a repercussão dos acontecimentos não se ficará por 2012, mas 2013, 2014, talvez até toda a vida. Espero que os acontecimentos felizes deste ano se multipliquem por todos os anos vindouros, mas por favor que o novo ano seja simpático para mim; já nem digo bestial ou fofinho, mas pelo menos simpático. 
2011 foi paradoxalmente o melhor ano que vivi  e o pior ano de que tenho memória. "It was the best of times, it was the worst of times." como descreveria Dickens. Lançou-me num estado de perpétua Primavera, mostrou-me o que é o amor e paixão e o redemoinho de emoções que faz palpitar um coração. Fez-me feliz, mais feliz do que alguma vez imaginei poder (e merecer) ser, a prova que as mais belas histórias de amor nascem das amizades (pelo menos, inicialmente) insuspeitas. O amor faz-se com o tempo e conhecimento. 
Mas ao mesmo tempo o ano foi madrasto. Porque de facto, a morte é uma puta, mas a iminência da morte consegue ainda mais puta ser. E tudo o que daí advém não parece finito, mas desenvolve-se e paira sobre nós.
Foi toda uma vida a acontecer este ano. Foi a desilusão adivinhada logo de início, o choque, a tristeza. A falta de perspectiva de futuro e os pensamentos infortuitos sobre o nada. E o pior é terem sido coisas sobre as quais não tinha absolutamente controlo algum: apenas sobre a forma como lhes reagia. A vida a acontecer.

Espero sinceramente que 2012 nasça de um sonho bom, que pelo menos eu tenha melhor capacidade de reacção às bolas baixas que a vida me direccione. Tenha a saúde, a vitalidade e receba a alegria do sol.
É sempre uma questão de perspectiva sobre as coisas.
Saber (conseguir) não sucumbir para o fundo do poço, do qual tantas vezes perigosamente me aproximei este ano.

Levantar e seguir em frente. Olhar para o lado (e para cima) e sentir amor num beijo na testa, todos os dias que me restam.

domingo, 6 de novembro de 2011

O Dom Milagroso de um Grande Amor


"Na vida de toda a gente há braçados floridos dessas tolices sem importância. Só a raros eleitos é dado o milagroso dom de um grande amor. Eu teria muita pena que o destino não me trouxesse esse grande amor que foi o meu grande sonho pela vida fora. Devo agradecer ao destino o favor de ter ouvido a minha voz. Pôr finalmente, no meu caminho, a linda alma nova, ardent

e e carinhosa que é todo o meu amparo, toda a minha riqueza, toda a minha felicidade neste mundo. A morte pode vir quando quiser: trago as mãos cheias de rosas e o coração em festa: posso partir contente."

- Florbela Espanca, in "Correspondências (1930)"

Aceitam-se contribuições

Eu gosto muito da poesia do David Mourão-Ferreira... Só para que saibam.


Ilha


"Deitada és uma ilha e raramente 
surgem ilhas no mar tão alongadas 
com tão prometedoras enseadas 
um só bosque no meio florescente 

promontórios a pique e de repente 
na luz de duas gémeas madrugadas 
o fulgor das colinas acordadas 
o pasmo da planície adolescente 

Deitada és uma ilha que percorro 
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias 
Mas nem sabes se grito por socorro 

ou se te mostro só que me inebrias 
Amiga amor amante amada eu morro 
da vida que me dás todos os dias"

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

"Maria corroera seriamente o seu fanatismo. Até aqui ela não tinha afectado a sua resolução, mas a verdade é que preferia não morrer. Renunciava de boa vontade, desistiria de acabar como um herói ou um mártir. Não aspirava às Termópilas, nem desejava ser o Horácio de alguma ponte ou o rapazinho holandês, com o dedo no buraco do dique. Gostaria de continuar ainda muito tempo, uma eternidade, com ela."


- Por Quem os Sinos Dobram, Ernest Hemingway

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Feliz ou Infelizmente

Ando com esta música na cabeça. Foi a MTV que a meteu no meu caminho, a safada.
Mas é um bocado isto que se passa dentro da minha cabeça. Especialmente porque o universo é lixado e aquilo que ontem se pensava ser o pior que podia acontecer não o é de todo, a partir do momento em que os problemas, aqueles  mesmo sérios e reais, que não estão só na nossa cabeça, mas mexem com todo o equilibrio da nossa existência, nos atingem como um autocarro em chamas e esses sim nos tiram o chão e nos fazem recear o futuro, fazendo com que tudo o resto estupidifique em comparação. E o pior de tudo, estão fora do nosso controlo e vão muito além de nós. É  a vida a acontecer.
"And I feel like I'm breaking up, and I wanted to stay,
Headlights on the hillside, don't take me thisway,
I don't want you to hold me, I want you to pray,
This is bigger than us."

sábado, 15 de janeiro de 2011

Oh pah a sério

eu ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO (acabei de me aperceber que se fizer copy e paste da palavra odeio é mais fácil) ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO (e agora a palavra acabou de perder qualquer significado, não é tão estranho quando isso acontece? mas giro ao mesmo tempo...) ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO ODEIO Estatística. De morte. Mesmo assim à bruta. Odeio de morte estatística. Pronto.

Eu não sou uma pessoa para números. Eu dou-me com as letras, a nossa relação já vem de há muito, as letras é que são minhas amigas, e mesmo que digam "ah e tal mas as incognitas são letras: há aquilo do Xi, do Fi... a cena tão gira que é o CumFi". Eh pah, não. Por favor. Não.
Estou com duas canecas de café em cima (o que de resto é bem visível) mas mesmo assim, no segundo que começo a ler qualquer coisa que se assemelhe a amostragens, médias, modas, medianas, frequências absolutas  e relativas, somatórios, proporções, rácios e cenas dessas dá-me uma pedrada de sono mesmo assim à bruta. E depois se ainda existisse qualquer hipotese de eu ter mais do que um 11, que é o que preciso, a coisa ainda valeria a pena. Mas não. É impossível. Só mesmo se um pequeno génio estatístico reencarne e se apodere de mim.
Raios partam esta cena. Quero tanto, mas tanto que venha segunda feira para acabar com isto e já só ter o 2º semestre em que pensar. Isso sim é que vai ser muito giro. Raios partam, raios raios raios raios raios raios...
Quero que esta cena se dane.
Bah.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

18 anos e meio de vida. Parabéns para mim.

Apercebi-me que hoje, 27 de Dezembro de 2010, faço 18 anos e meio de vida.
E sinto que a minha vida está a acabar, que daqui a nada me vou deste rico mundo sem metade das coisas que queria fazer feitas. É o peso da idade, é o fardo dos anos. Não gosto disto. Parece que ainda não fiz nada da minha vida e mesmo sabendo que em retrospectiva fiz dela uma coisinha boa e que tenho o coração cheio começa a sobrevoar-me uma melancolia que daqui a nada é deprimência: é dar-lhe tempo. Se há quem tenha destas crises aos 40 e 50, eu tenho-as aos 18, sempre fui uma criança muito precoce, já sabia da existência da letra A aos 4 anos e sempre me senti uma old soul as they say.
E sinto que tenho uma catrefada de assuntos para tratar antes de me ir e que agora o tempo escasseia. A conciência que tenho da sempre presente efemeridade da vida mata-me. E acaba por ser um círculo vicioso, na ânsia de tanto querer fazer, tantos sonhos e tantos planos (uma mania terrível que encontrei para lidar com os imprevistos que invariavelmente acabam por acontecer) chega-se ao fim do dia com a sensação que nada foi feito. E há tanto para ver, para ouvir, para descobrir, para ler, para aprender e apreender... E não há tempo. A vida é curta e há outras responsabilidades, outros fazeres e coisas que tais. Mata-me. Só posso aguentar e tentar fazer da minha vida o que quero que ela seja.

Portanto, faço hoje 18 anos e meio de vida e dizem que tenho a vida pela frente, mas eu sinto-a cada vez mais escassa. Tenho 18 anos e meio e ainda não fiz metade do que quero fazer.
Faço hoje 18 anos e meio de existência. Parabéns para mim.

domingo, 5 de dezembro de 2010

NO, DOBBYYY, NOOOO!

É por isto que uma pessoa antes de ir ver o filme tem de ler o livro, senão sai da sala de cinema com o coração dilacerado. E agora? E agora quem é vai salvar o Harry Potter e os seus amigos? Quem?!
Estou triste. O Dobby era uma criatura adorável. Não merecia. E uma pessoa tem de se preparar para tal evento, senão pode ser muito traumatizante. Tive assim de começar a chorar. Triste. Muito triste.
Mas nem tudo foi mau, até porque o ver o Harry em tronco nu equilibra qualquer patifaria que façam ao fofo do Dobby. E que visão, meu deus. Gostei, mas tenho de fazer um reparo: ele atira-se ao lago - frio, gelado, que tonto - ainda com os oculos, ele tira tudo, e quando digo tudo é tudo, menos as vestimentas intimas... menos os oculos. Quem é que se atira a um lago com os oculos postos? Esperam que estivesse tudo a apreciar a bela da fisioniomia do moço e ninguém reparasse? Eu também não reparei, até ele se começar a debater lá em baixo e com os oculos na cara... Enfim, estou disposta a ultrapassar este facto pela visão do Harry Potter, crescido, giro e fofinho sem camisola... Para o próximo quero mais cenas destas.
Mas é estranho - e bom, muito bom - ver o Harry Potter assim grande, porque ao fim ao cabo cresci com ele. Ainda me lembro de ir ver a Câmara do Segredos ao cinema, e acho que o Prisioneiro de Azkban, ou lá como se escreve, foi o último filme que vi no cinema da Academia, antes de o fecharem. Olhar para eles todos e ver como eles estão crescidos é um pouco como olhar para mim e o quanto eu cresci também e os nossos problemas se tornaram mais maduros. E ir ve-lo é tradição, um rito já...
E este filme está porreiro. Deu-me muita vontade de ir ver o último.
Oh Harry, Harry... a nossa viagem (e o nosso secreto love affair) está quase a acabar...