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terça-feira, 3 de abril de 2012

Ora cá estamos

Cá estou eu instalada na serra e em vez de andar a estudar, ando a enfardar bolo da Páscoa. Convenhamos: era previsível. Trouxe uns cinco livros para ler e ainda só li umas 20 páginas do Damásio. Mas vamos ter fé que isto melhore e a minha disposição se encaminhe para o estudo árduo da compreensão dos fenómenos geopolíticos e de política externa. 

Enfim. Eu disse que eu vinha para aqui e iam acontecer coisas extraordinárias. Pois que a noite antes desta foi deveras divertida. Devo adiantar que eu tenho tendências paranóicas e extremistas e quando oiço barulhos, especialmente à noite, dá-me para imaginar cenários e dissecar probabilidades de me entrarem assassinos pela casa adentro. Isto acontece várias vezes, tanto num terceiro andar de um apartamento em contexto citadino como nesta casa térrea.
Então, ontem às boas horas madrugadoras oiço um barulho: bzzzzzzzzzzzzzz; e o que é que eu penso que é? O raio da ficha eléctrica a fazer mau contacto com o candeeiro. "Oh meu deus, que isto vai começar a arder e eu vou morrer para aqui." Comecei de imediato a constituir um plano de contingência na minha cabeça: com o cobertor tapo a chama, o meu irmão agarra na tonta e vai pedir ajuda à vizinhança e eu pego nas malas (que contêm material de estudos, livros e fotocópias e não se pode deixar estas coisas para trás, não é?) e vou-me embora.
"Não, Diana Catarina, deixa-te estar quieta e dorme." Mas o bzzzzzzz volta e meia dava de si. Pensamento lógico: eu vou morrer; os tectos são de madeira, os cabos eléctricos já têm umas décadas isto vai tudo começar a arder - pareceu-me lícito, na altura.
Até que os bzzzzzzzzz's se deslocam e aí começo a pensar: "se calhar não é da electricidade". Vou atrás do cortinado e vejo a puta de uma mosca a tentar esvoaçar só com uma asa. Mato-a a sangue frio, acabo-lhe com o sofrimento e volto para a cama.

Hoje, já estudei. Palmas para mim! Obrigada, obrigada.
Uma aula já está revista, agora faltam as outras 20 e coisas. Estamos no bom caminho, eu acho.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011


Amo-te muito, meu amor, e tanto 
que, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda 
depois de ter-te, meu amor. Não finda 
com o próprio amor o amor do teu encanto. 

Que encanto é o teu? Se continua enquanto 
sofro a traição dos que, viscosos, prendem, 
por uma paz da guerra a que se vendem, 
a pura liberdade do meu canto, 

um cântico da terra e do seu povo, 
nesta invenção da humanidade inteira 
que a cada instante há que inventar de novo, 

tão quase é coisa ou sucessão que passa... 
Que encanto é o teu? Deitado à tua beira, 
sei que se rasga, eterno, o véu da Graça. 

- Jorge de Sena, in “Poesia, Vol. I” 

terça-feira, 12 de outubro de 2010

LIVREM-SE!

"O administrador da Metro Transportes do Sul (MTS), empresa concessionária do MST, José Luís Brandão, afirmou que «se esta situação de atraso no pagamento se arrastar, a concessão não tem meios financeiros para continuar a operar».


Pelas contas da MTS, o Estado deve à empresa sete milhões e 200 mil euros, referentes ao terceiro e quarto trimestres de 2009 e ao primeiro e segundo trimestres de 2010."

Esta gente que se livre de fazer uma coisa destas! O nosso metro, lindo que só ele, é a melhor coisa que a nossa presidente a sôdona Maria Emilia fez por esta terra. Eu preciso do metro! É questão de vida ou morte! Eu odeio andar de autocarro. E não sou a única, que isto agora o metro anda sempre cheio de gente.
Portanto o Estado que pague rápido o que deve ou eu revolto-me!

Livrem-se!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Depois do susto...

...já é meu.

Portanto, dia 8 há disto para dançar e dançar e dançar. E que feliz que eu vou ser...

We, we are in love
and we forever
We not gonna stop
We'll be forever

And all the stars in the sky
And all the flowers in the fields
And all the flower in the earth
Could never take you from my heart

And it's forever, baby it's forever
And it's forever, baby it's forever
And let me run till the end of time
Until our hearts are aligned into the sky
Run till the end of time
Until our hearts are aligned into the sky

We, we are the ones
When we're together
We, we are the young
We live forever

And all the stars in the sky
And all the flowers in the fields
And all the flowers in the earth
Could never take you from my heart

And it's forever, baby it's forever
And it's forever, baby it's forever
And let me run till the end of time
Until our hearts are aligned into the sky
Run till the end of time
Until our hearts are aligned into the sky

Forever ... and ever (repeat)

And it's forever, baby it's forever
And it's forever, baby it's forever
And let anekatips me run till the end of time
Until our hearts are aligned in the sky
Run till the end of time
Until our hearts are aligned in the sky

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dois já estão. Agora falta os resultados.

Eiiiiish que a imaginação daquela gente que é paga para andar o ano todo a elaborar exames é tãoo fértil como um beco lamacento a quem alguém deitou sal.
Cenário de diálogo: "Ah e tal diz que este ano é o centenário da República, havemos de falar de quê no exame de História, para o qual aqueles desgraçados estudaram os três volumes lindos lindos lindos que só eles para sairem umas míseras sete perguntas? " Ao que outra alma iluminada responde: "Eh pah, temos de inovar! Fazer algo de que ninguém está à espera. Tipo sei lá, a Primeira República!!! Ninguém vai pensar que, ainda por cima em ano de centenário, vamos falar da Primeira República!!!" ; "Eh pah tu és um génio! É isso mesmo!"
E pronto, exame feito. Põe-se para lá uns outros mais documentos sobre as relações internacionais durante o período da Guerra Fria no grupo II e marcha que já se faz tarde.
Mas pronto, é como o outro: a modos que sou capaz de tirar uma nota decente... Ou não. Veremos. Ainda falta para sairem os resultados. Primeiro ainda há essa data tãaaoo querida e tãaaooo especial que é a celebração da vinda desta ternurinha ternurenta ao mundo, o Alentejo e o Alive!, e uma eventual ida à terra, que eu não sou moça para brincadeiras.   

Porque reparem: estamos de férias!
E que vontade enorme se me assolou de beber um mocca frappucino no fim do exame! E de ir desbaratar dinheiro em roupa - já resolvi o problema da camisola para a noite de 26 (muuuahahahahah)! 
Mas giro giro era abrirem-me ali um Starbucks na esquina, que isto de andar a ir ao Forúm para se me encher as veias de cafeína e descobrir que o rapazinho fofinho voltou e que agora está lá outro ainda mais fofinho não dá com nada.  

Mas denotem: c'est finit!  Já posso retornar àquela, assim lhe chama a Jessica, "triste vida em frente ao computador, naquelas noitadas a ouvir música e a descobrir banalidades completamente parvas". Mas que sabem tão bem.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A estudar Pessoa no Dia de Portugal...

O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português,
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal.

In Mensagem
- Fernando Pessoa

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Casa

E que descobre uma pessoa se acordar às 6 da manhã de um domingo?
Que na RTP está a dar o E.T., o que é sempre agradável de ver enquanto se toma  o derradeiro pequeno-almoço das férias, que foram uma ternurinha ternurenta que só visto: passeou-se, adoentou-se (isto é a sorte que eu tenho), ranchou-se, musicou-se, cantou-se, dançou-se, dormiu-se.
Depois vai-se para a estação para que o comboio venha com uma hora de atraso. O que vale é que uma senhora já nos seus 70 e tantos anos mete conversa para dizer que o que se devia fazer era enfiar os professores todos dentro da escola e queimar aquilo tudo. Ia-se escola e iam-se os professores. Outra vez: é um belo de um incentivo para o último período de aulas.
Mas a viagem foi linda - é sempre - e chegar a Lisboa é um regalo. Cada vez mais gosto desta cidade.
Lindo é também andar por aqui a rebolar com três horas de sono em cima, deitar no sofá e entrar naquele estado vegetativo em que não se percebe muito bem se já estamos a dormir ou ainda acordados.  Obrigatório é também ir fazer pela vida para o Fórum e sair de lá com uns sapatitos lindos que andava a namorar há imenso tempo e um vestido igualmente adorável para os meus anos - isto se durar até lá, que eu não sei se resisto a vesti-lo antes. C'est absolutament adorable!  

Tanta coisa para fazer, uma pedrada absurda de sono em cima e vontade nula de me mexer. E agora há escola. E trabalhos. E testes. E exames.
O bom disto é que o sol já brilha, as flores já floriram e o cartaz do Super Bock Super Rock deste ano está a ficar que é um mimo. Mas agora faltam mais férias. É como diz o outro: "Nenhuma homem precisa mais de férias, do que aquele que acabou de tê-las.", o que é um belo princípio para se adoptar. Qual necessidade de aumentar a produtividade nacional? Um pessoa tem é de ser feliz. Férias, agora e sempre, é o que se precisa.


sexta-feira, 26 de março de 2010

Pois diz que...

... estamos de férias.
"Ah e tal Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou!!" Pumba, toma lá duas semaninhas sem fazer nada, de papo para o ar e a enfardar amêndoas para aprenderes a não voltar à vida tão cedo. Mas a gente gosta, mesmo que haja trabalho para fazer, é senso comum que não ser feito, que é para depois o stress começar logo na primeira semana de aulas... Mas isso é o menos, porque depois vêm as férias de Verão e os meus anos, essa tão importante data nos nossos calendários, para a qual já só faltam 93 dias.
Mas pronto, diz que estamos de férias e lá vou eu ter de fazer as malas e ir enfiar-me no meio da serra, o que me custa taaaaantoooo, mas taaaanto - ir e ficar para lá a rebolar, cama para a sala, enfardar, ver tv, dormir...
Realmente, isto não se faz a ninguém.  

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Mas reparem...

NEVE

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5 dias sem fazer absolutamente nada perdida para o meio da serra: calhou bem. Almada podia ter, finalmente, sucumbido à força da Natureza, tal qual Atlântida, que eu não ia saber de nada... Era capaz de tal acontecimento ser alvo de inumeras reportagens a dar conta da tragédiaaa, do horrooooor, da desgraçaaaa...
Mas é Almada, portanto talvez não.
5 dias em que o único estímulo intelectual foi ler o Felizmente, Há Luar! (oi?! mal por mal ainda prefiro O Render dos Heróis, ao menos o Cardoso Pires era um querido) e derreter-me com as cartas da guerra do Lobo Antunes (é oficial: estou irremediavelmente em estado de adoração/veneração/obsessão, não há nada a fazer).
Descobri igualmente que o Clive Owen é uma ternurinha ternurenta: eu já desconfiava, mas agora tive mesmo a certeza. É igualmente oficial: eu adoro de morte o Clive Owen, mesmo em filmes tontos, em que ele basicamente mata gente... mas caramba! que bem que ele sabe matar... e comer cenouras: fiquei impressionadissíma com a aptidão do Clive Owen para plantar e comer cenouras, e... fazer das cenouras armas de arremeso e matar os malfeitores. Pumba, mesmo na órbita! Dizem que as cenouras fazem bem aos olhos, excepto quando levamos com elas mesmo na cavidade ocular, arremesadas pelo Clive Owen.
É bonito...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri.

Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ali, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.

Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar;
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar
Ah, nesta terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.

Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.

- F. Pessoa

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

"Onde a mulher teve um amor feliz é a sua terra natal."
- António Lobo Antunes


Acho que é por isso que nunca me senti verdadeiramente em casa, em parte alguma...

Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua.

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner