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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Caro senhor que se cruzou comigo na avenida grande com os três nomes

Sejamos claros: eu não sou maluca. O senhor apanhou-me desprevenida a sair da loja a lamuriar o facto de o raio do colete ainda me ficar largo mesmo sendo o último tamanho. Estava apenas um bocado deprimida e precisava de desabafar com o vento. 
O problema é que eu sou expressiva demais a falar e tenho a tendência de mexer as mãos e tenho caras engraçadas. Em suma, penso alto e calculo não ser agradável  para os transeuntes verem tal malabarismo de feições e trejeitos, especialmente quando não vêem à minha volta a outra metade do acto conversativo, o receptor da mensagem, que como pode ver, anseio tão profundamente transmitir, visto não conseguir esperar até chegar a casa para o fazer. 
Dito isto, eu não sou uma louca qualquer que anda para aí a falar em dialectos estranhos no meio de parques e jardins no centro de Lisboa. Longe disso. Sou apenas uma pobre rapariga, em que calhando não ir ninguém a meu lado, gosta de encetar monólogos a lamentar a sua triste sorte. 
De vez e quando também danço, mas ainda bem que o senhor não assistiu à tão grave decadência de tal espectáculo de movimentos (e quase de luz e som). Estejamos gratos.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

É isto


Para que saibas: andar pelas ruas do Laranjeiro é agora deprimente. 

"oh yeah, I'll tell you something,
I think you'll understand.
when I say that something
I wanna hold your hand" 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

18 anos e meio de vida. Parabéns para mim.

Apercebi-me que hoje, 27 de Dezembro de 2010, faço 18 anos e meio de vida.
E sinto que a minha vida está a acabar, que daqui a nada me vou deste rico mundo sem metade das coisas que queria fazer feitas. É o peso da idade, é o fardo dos anos. Não gosto disto. Parece que ainda não fiz nada da minha vida e mesmo sabendo que em retrospectiva fiz dela uma coisinha boa e que tenho o coração cheio começa a sobrevoar-me uma melancolia que daqui a nada é deprimência: é dar-lhe tempo. Se há quem tenha destas crises aos 40 e 50, eu tenho-as aos 18, sempre fui uma criança muito precoce, já sabia da existência da letra A aos 4 anos e sempre me senti uma old soul as they say.
E sinto que tenho uma catrefada de assuntos para tratar antes de me ir e que agora o tempo escasseia. A conciência que tenho da sempre presente efemeridade da vida mata-me. E acaba por ser um círculo vicioso, na ânsia de tanto querer fazer, tantos sonhos e tantos planos (uma mania terrível que encontrei para lidar com os imprevistos que invariavelmente acabam por acontecer) chega-se ao fim do dia com a sensação que nada foi feito. E há tanto para ver, para ouvir, para descobrir, para ler, para aprender e apreender... E não há tempo. A vida é curta e há outras responsabilidades, outros fazeres e coisas que tais. Mata-me. Só posso aguentar e tentar fazer da minha vida o que quero que ela seja.

Portanto, faço hoje 18 anos e meio de vida e dizem que tenho a vida pela frente, mas eu sinto-a cada vez mais escassa. Tenho 18 anos e meio e ainda não fiz metade do que quero fazer.
Faço hoje 18 anos e meio de existência. Parabéns para mim.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Eu disse que Outubro não agoira nada de bom

É que isto não está a ir nada bem. Quemerdadediafoieste,pah? Por alguma razão bizarra as quartas-feiras tornaram-se o dia mais propício a estados depressivos e logo hoje choveu. Eu não me dou bem com o mau tempo. Não gosto de chuva, não gosto de humidade, não gosto de vento, não gosto do frio. Em suma, estou miserável. Estou assim de mandar esta cena toda às urtigas e ir emigrar para a Papua Nova Guiné. F***da-se...

E no fim de tudo isto, quem meu coração ainda precisa não está para ser visto...
Raios partam.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

e uma vontade de ficar no chão...

... em posição fetal e ouvir Buckley, desta vez o pai. Preciso de encontrar um sentido antes de me levantar outra vez e continuar.

In my heart is where I long for you
In my smile I search for you
Each time you turn and run away I cry inside
My silly way, just too young to know any more

In my world the devil dances and dares
To leave my soul just anywhere,
Until I find peace in this world
I'll sing a song everywhere I can
Just too young to know any more

The wind covers me cold
The starry skies all around my eyes
Far behind the city moans
Well worthy of the people there
Oh, the psalms they love to hear

So let me sing a song for you
Just to help your day along
Let me sing a song for you
One I've known so very long
Oh, please could you find the time.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Descobri a razão...

... pela qual a linha de Saúde 24 tem sempre imensa gente a telefonar para lá. Chama-se Voltar e é do Rodrigo Leão e é linda, linda, linda de morte. (Irony!...)
- Agora sem trocadilhos, ironias ou sarcasmos: a música é mesmo muito bonita. -

Ontem tive de fazer uso da linha de saúde e deparei-me com isto, assim sempre em repeat, até que alguém finalmente me atendeu. Ia-me deprimindo uma data de vezes com a letra da música, porque uma pessoa com alguém enfermo ao lado, a ouvir palavras assim, nunca dá bom resultado.

Manhã Cinzenta
Faz me chorar
A chuva lembra
O teu olhar
As folhas mortas
Caem no chão
A dor aperta
O coração
Quanto eu não daria
Para poder voltar atrás
Volta pra meu peito
Daqui não saias mais
...

Temos um sistema nacional de saúde muito intelectualizado...
E pois que uma pessoa se põe a caminho das urgências, porque tem em casa um caso suspeito de Gripe A.
É extraordinario como uma máscara de protecção pode abrir caminho, tal qual Mar Vermelho à passagem de Moisés... Era vê-los desimpedir a passagem por aí fora, até às Urgências.

Se há coisa que eu odeio mais que as urgências do hospital, são urgências pediatricas desse mesmo hospital - se as crianças já são insuportáveis quando estão saudáveis e contentinhas da vida, quando estão enfermas duplicam o grau de parvoice e tonteria: era ve-los a lutarem pelo escorrega - ora puxa daqui, ora puxa dali, assim com o dito a arrastar-se pelo chão. Experimentem ir para umas urgências pediátricas com uma pedrada de sono, cansadissímos de um dia inteiro fora de casa e uma bruta dor de cabeça, para lá encontrarem lutas tribais por um escorrega e outros a chorar nos braços das mães. E agora, também experimentem sentarem-se mesmo ali no meio da sala, de máscara, já indicando a causa pela qual estão ali, e depois darem um espirro. Eh pah, experimentem que é deveras divertido ver todas as cabeças a virarem-se na nossa direcção...

Fui para o carro, tentar descansar a cabeça e dormitar por um bocado. Escusado será dizer que só saí do parque de estacionamento do hospital à uma da manhã - tinha dado entrada eram umas oito e meia da noite. Umas cinco horas à espera, para no fim o piqueno do meu irmão ter só e afinal gripe sazonal. O pobre está melhorzinho, mas a xaropes...
O nosso sistema nacional de saúde é lindo, lindo que só ele... Ao menos tem Rodrigo Leão em repeat na linha de Saúde 24.
E não, o raio da música não me sai da cabeça. Vejam vós se ela não é mesmo linda de morte... porque é...



...
Perdi me AMOR
Pra te encontrar
Na solidão
Do teu olhar
No teu olhar
Se perde o meu
Também o mar
Se perde no céu
Quanto eu não daria
Para poder voltar atrás
Volta pro meu peito
Daqui não saias mais

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

"Outubro quente traz o diabo no ventre."*

E não podia ser mais verdade. Outubro foi um mês parvo. Começou assim de mansinho como quem não quer a coisa e veio a descalabrar por aí fora. Uma tonteria de mês: ia-me morrendo para aí, várias vezes atropelada à vinda para casa e quase que me ia matando nas sacanas das escadas; tudo aquilo que tinha como verdade e certo em Setembro, caiu por terra em Outubro; trabalho, muito trabalho e vontade ou motivação nenhuma para o fazer - perdeu-se completamente e ainda não foi encontrada...
Resumindo, Outubro foi um fastio de mês. E Novembro também não começa muito bem...

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"mal cessou de existir cessei de existir, falecemos com a morte dos outros, sobra o nosso espantalho que nem os pássaros assusta derrubando coisas de que desconhece o manejo."
-A. Lobo Antunes
in Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?   

É muito provável que num momento de delicada sanidade mental, ler A. Lobo Antunes não é a forma mais fácil de ultrapassar uma deprimência. Por isso e hoje mesmo, começo o Amor de Perdição do C. Castelo Branco; para ver se me alegro um bocadinho, com eles a morrerem todos por amor no final... É bonito.

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*provérbio popular, que isto é um blog muito culto

terça-feira, 20 de outubro de 2009

"Todas as casas são tristes às três horas da tarde (...)"*

"- Gosto de ti
numa hesitação de círio comigo a pensar
- Vai apagar-se, vai apagar-se
no interior do
- Gosto de ti
a borboleta trémula de um pedido
- Não contes a ninguém"

- A. Lobo Antunes
in Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?*


--Depois não admira que fique deprimida cada vez que poiso o livro--

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

L'Amour C'est Trés Magnifique

António Lobo Antunes tem um novo amor e com esta é que agora me lixou... Partiu-me o coração assim em mil pedaços. O meu mundo acabou. Já não razões para viver. :( :( :( Fiquei tão deprimida, que vou ter de reagrupar os pedaços de mim no meio da serra :(

Porque isto, quem diz 35 anos de diferença, diz 49... e há gente que diz que eu até pareço mais velha, já aparente de andar na faculdade e tudo, portanto...