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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Porque muita coisa muda num ano

Não sou a mesma que era há dois anos atrás: muitas histórias foram escritas neste entretanto. Fui feliz. Estou feliz. Mesmo que do lado de fora não pareça que tenha razões para isso, ando tonta de felicidade, de sorriso nos lábios, pelas ruas a dançar.
Não, não sou a mesma pessoa que era há tempos distantes.
Porque as pessoas não mudam: aprendem, apreendem, conhecem, encontram-se, reencontram-se, crescem.
Porque eu não mudei, mas aprendi, apreendi, conheci, encontrei, reencontrei,
cresci...

"vamos voltar ao princípio, passar a vida a limpo, recomeçar, jogar crapaud ao serão, beber licor de ginja, deixar o caixote do lixo lá fora, num estrépito de palhaço pobre, entre o espanto dos vizinhos e dos gatos, abrir uma lata de caviar e comer lentamente os grãozinhos de chumbo, até que tornados cartuchos de caçadores furtivos, dispararemos um para o outro no fogo-de-artifício de uma explosão final"
- António Lobo Antunes, in Memória de Elefante

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Pensar/Actuar

O que faz uma pessoa aquilo que ela é? O que será que a torna uma lista premente e qualidades e irreversivelmente de defeitos? As suas palavras? O discurso perfeitamente articulado? Os seus pensamentos e ideias? Ou serão as suas acções?

Pensamentos impróprios e obscuros já ocorreram a todos nós. Numa ou outra ocasião, certamente, já nos passou pela cabeça esganar aquela criatura desprezível que nos incomoda todo o santo dia ou levantar imoderadamente a voz aos seres que fazem dos seu objectivo diário atazanarem a vida a quem trabalha. Mas serão esses pensamentos, que em todo o bem não serão necessariamente prudentes de cumprir, que definem a nossa identidade? Direi que não. E direi que não, porque esses mesmos pensamentos fazem parte da condição humana, esse lado mau e tenebroso está incutido no nosso íntimo ser, assim como o está o instinto de sobrevivência com que todos nos somos dotados.

Esse outro lado, o oposto da simpatia e ternura, da afectividade e até, atrevo-me a dizer do bom-senso, esse lado inverso da moeda que a sociedade parece não querer admitir ou reconhecer como existente, está embutido em cada um de nós, vindo desde há muito e não vai, certamente, desaparecer enquanto a Humanidade não se extinguir. Não pretendo aqui dissecar esse assunto ou aprofunda-lo muito mais, até porque esse não é o objectivo destas linhas específicas. O é, contudo, saber o que faz de nós, nós.

Então, o que define alguém se não os seus pensamentos?
Há uma linha divisória, com a qual somos igualmente dotados: um discernimento, uma vontade própria, uma liberdade de escolha. O que realmente nos define é, pois, a escolha de acções.
Os nossos actos, o que fazemos no decorrer das nossas tarefas diárias. É isso que nos define, que nos molda ao olhar do outro.
Se os nossos pensamentos são íntimos e individualizados, os nossos actos são do domínio do mundo inteiro, porque nele marcam uma posição, estabelecendo invariavelmente uma relação de causa e consequência.
Em toda a verdade, apenas a acção pode mudar o mundo, o curso dos acontecimentos. No partir do pensamento para a acção, esse entremeio, o lusco-fusco do entretanto, reside a essência do que realmente somos. Um messias? Um revolucionário? Um agente da paz? Ou um assassino? Um cobarde? Um mentiroso?

A nossa definição reside na linha divisória que separa o pensar do agir; a liberdade de escolha patente em todos nós que nos permite escolher o caminho a seguir e o que fazer. O carácter de alguém é medido, não, pura e simplesmente, pelos nossos pensamentos, mas pelo peso das suas escolhas e actos. O nosso carácter é definido pelas nossas acções.

Laranjeiro, 6 de Agosto de 2009; 6.11am