Ver um trecho d'Os Dilemas da Maya na tv do café e ouvir a história encantadora da senhora viúva de 47 anos que se apaixonou pelo seu inquilino de 31.
Histórias de amor mágicas.
"A nossa vida é toda ela feita de acasos. Mas é o que em nós há de necessário que lhes há-de dar um sentido." - Vergílio Ferreira
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
sábado, 20 de outubro de 2012
A Meo é como uma namorada que não sabe aceitar o fim da relação. Continua a enviar cartas e mensagens, chateia e mói e ameaça. Não consegue aceitar que já não há nada a fazer e por mais que ela tente não é possível voltar atrás, o futuro agora é com a Zon, que me proporciona melhores canais a melhor preço e bilhetes de cinema.
Querido estômago
Pára de ser uma mariquinhas e de dar às pessoas uma ideia errada do meu estado de embriaguez. O meu fígado gostava de se desgraçar e tu não deixas.
Atina!
terça-feira, 16 de outubro de 2012
IX MADRIGAL
Tu já tinhas um nome, e eu não sei
se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.
Nos meus versos chamar-te-ei amor.
Eugénio de Andrade, As Mãos e Os Frutos
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Li hoje o meu primeiro livro de Eugénio de Andrade e entrou directamente para o panteão dos meus poetas preferidos, taco a taco com Neruda e David Mourão Ferreira (e Sophia, vá).
sábado, 13 de outubro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Pesadelo em Lisi Street
Tive pesadelos esta noite com as apresentações dos ensaios de Sistemas, mas pesadelo à séria, com direito a suores frios.
Só para verem o grau de terror em que vivo à conta de Sistemas.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Posso expressar aqui o meu ódio para com textos não justificados?
Odeio textos não justificados.
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Depois de interrogações sobre o sentido da vida é altura de baixar o nível de novo para onde pertence, patamar mais confortável. É a isto que se chama um first world problem: o quê, crianças palestianas a morrer à sede? Mas e a maçada que não é um texto não justificado?! Pois...
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Depois de interrogações sobre o sentido da vida é altura de baixar o nível de novo para onde pertence, patamar mais confortável. É a isto que se chama um first world problem: o quê, crianças palestianas a morrer à sede? Mas e a maçada que não é um texto não justificado?! Pois...
"Ao pé da forca, os SS olham com indiferença para nós que desfilamos: a sua obra está cumprida, e bem cumprida. Os russos podem chegar; agora, já não há homens fortes entre nós, o último pende por cima das nossas cabeças, e , para os outros, poucas forças foram suficientes. Os russos podem chegar: apenas nos encontrarão a nós, os vergados, os apagados, dignos da morte inerme que nos espera.
Destruir o homem é difícil, quase tanto quanto criá-lo; não foi fácil, não foi rápido, mas os Alemães conseguiram-no. Desfilamos dóceis, debaixo dos seus olhares: da nossa parte nada mais têm a recear: nem actos de revolta, nem palavras de desafio, nem sequer um olhar de condenação.
Alberto e eu regressámos à barraca, e não fomos capazes de olhar um para o outro. Aquela homem devia ser duro, devia ser feito de outro metal que não o nosso, se esta condição, que nos quebrou, não o conseguiu vergar.
Pois, nós também estamos quebrados, vencidos: mesmo tendo sabido adaptar-nos, mesmo tendo aprendido finalmente a arranjar a nossa comida e a aguentar a fadiga e o frio, mesmo tendo perspectivas de regressar a casa.
Levantámos a menaschka em cima da cama, fixemos a distribuição, satisfizemos a raiva diária da fome, e agora a vergonha oprime-nos."
- Se Isto é um Homem, Primo Levi
domingo, 7 de outubro de 2012
À senhora do café do terminal do cais
No cais há um café mesmo no terminal de que eu gosto muito e vou quando posso, onde é o café é bom e a sessenta cêntimos, não me fazendo tremer de nostalgia pelo tempo em que ainda era a uma moeda de cinquenta. A senhora é simpática e dá os bons dias.
No outro dia, tocava a "Everybody Hurts" dos R.E.M. na rádio, uma das músicas preferidas do filho. Descobri então que ele tinha morrido e agora era ela quem a ouvia como se ouvisse a vida e voz do seu rapaz ainda.
As pessoas escondem uma vida atrás das rugas e palavras simpáticas. Deve ser a única forma de a ultrapassar. Aquela pessoa tinha experienciado a dor pela qual nunca nenhum pai pensa ou quer passar, completamente anti-natura na sua essência, uma dor absurda, reflexo talvez de uma casualidade do universo, aleatório. Há que não desistir, diz ela. A voz do Stipe também o afirma através das ondas radiofónicas que naquela manhã me contaram a história daquela mulher. Não desistir, mesmo com toda a absurdidade da vida e do universo alheio a qualquer ordem e pelo meio dessa mesma desordem, encontrar um sentido para tudo isto.
Porque tem de existir algum. Talvez o sentido seja essa busca incessante de respostas; talvez esteja na maternidade ou paternidade; talvez esteja na esperança de mudar o mundo para melhor e contribuir na ânsia de paz mundial. Talvez, um qualquer, mas um sentido algures. Um sentido único ou diferente, mas muito pessoal, para cada um de nós algures nos escritos das estrelas ou nas nossas veias. Não consigo conceber a nossa existência de outra forma.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
"Hoje é um bom dia. Olhamos em redor, como cegos que readquiriram a vista, e olhamos uns para os outros. Nunca nos tínhamos visto ao sol: alguém sorri. Se não fosse a fome!
Pois a natureza humana é feita de tal forma que os sofrimentos e as dores que acontecem ao mesmo tempo não se somam inteiramente na nossa sensibilidade, mas escondem-se, os menores atrás dos maiores, segundo uma lei prospectiva definida. Isto é providencial e permite-nos viver no campo. E é esta também a razão pela qual tantas vezes, na vida livre, se ouve dizer que o homem é insaciável: pelo contrário, mais que de uma capacidade humana para um estado de bem-estar absoluto, trata-se de um conhecimento sempre insuficiente da natureza complexa do estado da infelicidade, pelo que às suas causas, que são múltiplas e hierarquicamente dispostas, se dá um único nome: o da causa maior; até que esta venha eventualmente a faltar, e então fica-se dolorosamente surpreendido ao ver que atrás dela existe outra; e, na realidade, uma série de outras. Por isso, logo que o frio, que durante todo o Inverno nos parecera o único inimigo, cessou, apercebemo-nos de que tínhamos fome: e, repetindo o mesmo erro, assim hoje dizemos: «Se não fosse a fome!...»."
- Se Isto é um Homem, Primo Levi
Não
Acalmem-se pessoas. Ainda não foi desta que faleci.
Gostava de ter tempo para escrever aqui e dizer baboseiras; talvez amanhã.
Gostava de ter tempo para escrever aqui e dizer baboseiras; talvez amanhã.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
"Todos descobrem mais tarde ou mais cedo na vida, que a felicidade perfeita não é realizável, mas poucos se detêm a pensar na consideração oposta: que também a infelicidade perfeita é, igualmente, não realizável. Os momentos que se opõem à realização de ambos os estados-limites são da mesma natureza: derivam da nossa condição humana, que é inimiga de tudo o que é infinito. Opõem-se-lhe o nosso sempre insuficiente conhecimento do futuro; e a isto se chama, num caso, esperança; no outro, incerteza do amanhã. Opõem-se-lhe a certeza da morte, que impõe um limite a qualquer alegria, mas também a qualquer dor. Opõem-se-lhe as inevitáveis preocupações materiais que, assim como poluem qualquer felicidade duradoura, também distraem assiduamente a nossa atenção da desgraça que paira sobre nós, e tornam fragmentária e, por isso mesmo, suportável, a consciência dela.
Foram precisamente as privações, as pancadas, o frio, a sede, que não nos deixaram afundar no vazio de um desespero sem fim, durante a viagem e depois. Não a vontade de viver, nem uma resignação consciente: pois são poucos os homens capazes disso, e nós mais não éramos que uma vulgar amostra de humanidade."
- Se Isto é um Homem, Primo Levi
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