Acabar o Proust bem arrumada nos cobertores com chá e um croissant francês.
Tão bom.
"A nossa vida é toda ela feita de acasos. Mas é o que em nós há de necessário que lhes há-de dar um sentido." - Vergílio Ferreira
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Proust Report - p. 383 [a história das catleias nunca me enganou]
Passei o fim-de-semana com o Proust e chá. Todo um romance de Emily Brönte a acontecer lá fora e eu bem arrumada numa manta com o es-can-da-lo-so affair da Odette e do Swann. Ela nunca me enganou.
A páginas tantas, em vez de uma descrição dos ramos e das flores e das nuvens vou deparar-me com a descrição de todo aquele bacanal. Segundo volume?!
Entretanto, já fui buscar o À Sombra das Raparigas em Flor - lindo lindo título - e espero que amanhã comece então a segunda volta. O Swann não vai mesmo casar com ela pois não?! Vai começar a fazer catleias mas é com a princesa de Guermantes não é?!
A páginas tantas, em vez de uma descrição dos ramos e das flores e das nuvens vou deparar-me com a descrição de todo aquele bacanal. Segundo volume?!
Entretanto, já fui buscar o À Sombra das Raparigas em Flor - lindo lindo título - e espero que amanhã comece então a segunda volta. O Swann não vai mesmo casar com ela pois não?! Vai começar a fazer catleias mas é com a princesa de Guermantes não é?!
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Porque a vida é feita dos pequenos momentos em que tudo se alinha dentro das marcas de estacionamento
Hoje foi o dia em que o mundo assistiu a uma manobra de estacionamento em marcha-atrás perfeita: à primeira, perfeitamente equidistante e dentro das marcas de estacionamento. O estacionamento em marcha-atrás mais bonito de toda a história dos estacionamentos de marcha-atrás, quiçá dos estacionamentos em geral.
Se o Proust a tivesse descrito, a impressão deste momento único daria um capítulo ainda mais deslumbrante que a descrição do campanário de Combray.
Foi lindo.
Se o Proust a tivesse descrito, a impressão deste momento único daria um capítulo ainda mais deslumbrante que a descrição do campanário de Combray.
Foi lindo.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Proust Report - p.179
Things are getting serious.
Está tudo a morrer. Toda a gente morre. Estou a deprimir, porque de facto toda a gente morre e as pessoas que ficam são mesmo boas na filha da putice. As pessoas e a vida, que é trágica e acaba sempre mal.
Está tudo a morrer. Toda a gente morre. Estou a deprimir, porque de facto toda a gente morre e as pessoas que ficam são mesmo boas na filha da putice. As pessoas e a vida, que é trágica e acaba sempre mal.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
domingo, 2 de fevereiro de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Proust Report - pp. 49-50 [ou eu também já bebi muito chá e nunca se me deu disto]
"E de súbito a lembrança apareceu-me. Aquele gosto era o do pedaço de madalena que nos domingos de manhã em Combray (pois nos domingos eu não saía antes da hora da missa) minha tia Leónia me oferecia, depois de o ter mergulhado no seu chá da Índia ou de tília, quando ia cumprimentá-la no seu quarto. O simples facto de ver a madalena não me havia evocado coisa alguma antes de que a provasse; talvez porque, como depois tinha visto muitas, sem as comer, nas confeiteiras, a sua imagem deixara aqueles dias de Combray para se ligar a outros mais recentes; talvez porque, daquelas lembranças abandonadas por tanto tempo fora da memória, nada sobrevivia, tudo se desagregara; as formas - e também a daquela conchinha de pastelaria, tão generosamente sensual sob a sua plissagem severa e devota -, se haviam anulado ou então, adormecidas, tenham perdido a força de expansão que lhes permitiria alcançarem a consciência. Mas quando mais nada subsistisse de um passado remoto, após a morte das criaturas e a destruição das coisas - sozinhos, mais frágeis porém mais vivos, mais imateriais, mais persistentes, mais fiéis -, o odor e o sabor permanecem ainda por muito tempo, como almas, lembrando, aguardando, esperando sobre as ruínas de tudo o mais, e suportando sem ceder, em sua gotícula impalpável, o edifício imenso da recordação.
E mal reconheci o gosto do pedaço de madalena molhado em chá que a minha tia me dava (embora ainda não soubesse, e tivesse de deixar para muito mais tarde tal averiguação, por que motivo aquela lembrança me tornava tão feliz), eis que a velha casa cinzenta, de fachada para a rua, onde estava o meu quarto, veio aplicar-se, como um cenário de teatro, ao pequeno pavilhão que dava para o jardim e que fora construído para os meus pais aos fundos da mesma (esse truncado trecho da casa que era só o que eu recordava até então); e, com a casa, a cidade toda, desde a manhã até à noite, por qualquer tempo, a praça para onde me mandavam antes do almoço, as ruas por onde eu passava e as estradas que seguíamos quando fazia bom tempo. E, como nesse divertimento japonês de mergulhar a bacia de porcelana cheia de água pedacinhos de papel, até então indistintos e que, depois de molhados, se estiram, se delineiam, se enchem de cores, se diferenciam, tornam-se flores, casas, personagens, consistentes e reconhecíveis, assim agora todas as flores do nosso jardim e as do parque do Sr. Swann, e os nenúfares do Vivonne, e a boa gente da aldeia e suas pequenas moradias e a igreja e toda a Combray e seus arredores, tudo isso que toma forma e solidez, saiu, cidade e jardins, da minha chávena de chá."
E mal reconheci o gosto do pedaço de madalena molhado em chá que a minha tia me dava (embora ainda não soubesse, e tivesse de deixar para muito mais tarde tal averiguação, por que motivo aquela lembrança me tornava tão feliz), eis que a velha casa cinzenta, de fachada para a rua, onde estava o meu quarto, veio aplicar-se, como um cenário de teatro, ao pequeno pavilhão que dava para o jardim e que fora construído para os meus pais aos fundos da mesma (esse truncado trecho da casa que era só o que eu recordava até então); e, com a casa, a cidade toda, desde a manhã até à noite, por qualquer tempo, a praça para onde me mandavam antes do almoço, as ruas por onde eu passava e as estradas que seguíamos quando fazia bom tempo. E, como nesse divertimento japonês de mergulhar a bacia de porcelana cheia de água pedacinhos de papel, até então indistintos e que, depois de molhados, se estiram, se delineiam, se enchem de cores, se diferenciam, tornam-se flores, casas, personagens, consistentes e reconhecíveis, assim agora todas as flores do nosso jardim e as do parque do Sr. Swann, e os nenúfares do Vivonne, e a boa gente da aldeia e suas pequenas moradias e a igreja e toda a Combray e seus arredores, tudo isso que toma forma e solidez, saiu, cidade e jardins, da minha chávena de chá."
- Em Busca do Tempo Perdido I, No Caminho de Swann.
Marcel Proust
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Proust Report - p.48
Umas sete páginas a descrever aquele momento de intermitência entre a vigília e o sono, logo de início. Quem se queixa das 10 páginas queirosianas de descrição do sofá verde devia meter os olhos nisto.
Esta é a minha expressão facial e interior no resto da leitura:
Às vezes é esta:
Mas normalmente é assim:
Estamos bem.
Título de filme de meia-noite que nem os sinónimos do Word ou Priberam conseguem resolver
«Desesperadamente à procura de um sinónimo para "abordagem"»
É a minha vida, senhores.
É a minha vida, senhores.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
E é claro que Diana Catarina tinha de o perder
Lembram-se disto? Pois... paz à sua alma.
Vou lembrar para sempre a sua eficiência alemã e a maravilhosa peça de engenharia contra intempéries que era.
Vou lembrar para sempre a sua eficiência alemã e a maravilhosa peça de engenharia contra intempéries que era.
domingo, 12 de janeiro de 2014
2014
Dois mil e catorze.
Este foi o primeiro ano que pedi os 12 desejos à meia-noite da viragem de ano. É o ano dos 22 (tenho seis meses para aprender a coreografia) e já vi as previsões da Maria Helena para este ano e são bastante auspiciosas (esteanoép'raloucura).
É também o ano em que vou ler Proust. Sim. Vou estar o ano todo Em Busca do Tempo Perdido.
E o ano de sistemas gravitacionais coloridos.
E de uma odisseia com o Joyce.
E de piadas infinitas.
Este ano ano vai ser dedicado àquilo que o Priberam apelida de "calhamaços". Doze mais concretamente; um por mês. O challenge já está lançado no Goodreads, e é provável que eu leia outras coisas que não estão n'A LISTA DOS DOZE, como estou agora a ler o Primo Levi, mas esse não contam, é só mesmo para manter a sanidade, tsá?
A LISTA:
1), 2), 3), 4), 5), 6) e 7) - os sete volumes do Em Busca do Tempo Perdido;
8) Gravity's Rainbow, Thomas Pynchon
9) A Piada Infinita, David Foster Wallace
10) As Luzes de Leonor, Maria Teresa Horta
11) Ulysses, James Joyce
12) ... vamos manter este slot em aberto - estou tentada a meter aqui a biografia do Mao e é capaz de não dar bom resultado.
Janeiro vai já quase a meio, e eu ainda não comecei, mas! afinal os volumes do Proust nem são assim tão volumosos. Portanto, so far so good, certo?
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
2013 Revisited
Taxa de sucesso de 100% 80% - resoluções para lá de espectaculares espectacularmente cumpridas. A saber:
1) Jogging - confere; tive de correr imenso para ir apanhar o metro e o barco ao longo dos últimos 12 meses, portanto check.
2) Licença para conduzir - de facto tenho a licença. Código passado, só falta a condução. Deus me salve e guarde. E a vós, também;
3) Teatro - check; é para continuar.
4) Autoras femininas: errr... já disse que gosto muito da Agustina?!
5) Emprego Freelancer- confere! ligações um pouco duvidosas, muito honesto
6) Mestrado - check check check
7) Escrever mais - ora, aqui é que a taxa de sucesso desce repentinamente. Mas! haja esperança para este ano, sim? Bare with me.
"Tudo tem solução, menos a morte" é a frase de 2013.
2014 é o ano dos 22.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
"Destilar é belo. Primeiro, porque é uma tarefa lenta, filosófica e silenciosa que nos ocupa mas nos deixa tempo livre para pensarmos noutras coisas, um pouco como o andar de bicicleta. Depois, porque comporta uma metamorfose: de líquido a vapor (invisível) e deste novamente a líquido; mas neste duplo caminho, para cima e para baixo, atinge-se a pureza, condição ambígua e fascinante que parte da Química e chega mais longe. E, finalmente, quando nos preparamos para destilar, adquirimos a consciência de repetir um rito consagrado há séculos, quase um ato religioso, em que de uma matéria imperfeita se obtém a essência, «usía», o espírito e, em primeiro lugar, o álcool que refresca os ânimos e aquece o coração"
- O Sistema Periódico, Primo Levi
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
À senhora que me ultrapassou na curva com pior visibilidade de sempre, pisando o risco contínuo, e que por pouco não me destruiu a dianteira da viatura
Uma buzinadela é pouco; merecia que a fizesse comer o asfalto à chapada.
Eu sei que a morte do Eusébio foi uma grande consternação, mas não é preciso embarcar numa viagem suicida para se juntar a ele. Um dia mais tarde, todos lá chegamos, não é preciso adiantar trabalho. E já agora, agradecia que me não me levasse consigo, tenho imensos trabalhos para entregar antes do fim do semestre.
Eu sei que a morte do Eusébio foi uma grande consternação, mas não é preciso embarcar numa viagem suicida para se juntar a ele. Um dia mais tarde, todos lá chegamos, não é preciso adiantar trabalho. E já agora, agradecia que me não me levasse consigo, tenho imensos trabalhos para entregar antes do fim do semestre.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Feliz Ano (e cabelo) Novo(s)!
Antes de mais:
Pronto.
Falhei miseravelmente a minha resolução de escrever mais, eu sei. De certeza que já andavam a pensar que eu tinha ficado numa valeta, lá na terra de nenhures onde fui fazer o exame de código; ou que chumbei ao exame e perdi todo o sentido da vida. Mas não se apoquentem: eu passei.
O que também passou, mas pelo meu cabelo, foi uma tesoura. Chop Chop. Nunca me tinha acontecido o é-só-as-pontinhas-mas-vai-de-cortar-como-se-não-houvesse-amanhã; as cabeleireiras fazem o orçamento consoante os centímetros capilares desalojados? Estava à espera de começar o ano com uma farta cabeleira, mas aprumada e sem pontas espigadas, mas o universo não deixou. Tudo bem. 2014 vai ser bom na mesma.
OLÁ 2014
Pronto.
Falhei miseravelmente a minha resolução de escrever mais, eu sei. De certeza que já andavam a pensar que eu tinha ficado numa valeta, lá na terra de nenhures onde fui fazer o exame de código; ou que chumbei ao exame e perdi todo o sentido da vida. Mas não se apoquentem: eu passei.
O que também passou, mas pelo meu cabelo, foi uma tesoura. Chop Chop. Nunca me tinha acontecido o é-só-as-pontinhas-mas-vai-de-cortar-como-se-não-houvesse-amanhã; as cabeleireiras fazem o orçamento consoante os centímetros capilares desalojados? Estava à espera de começar o ano com uma farta cabeleira, mas aprumada e sem pontas espigadas, mas o universo não deixou. Tudo bem. 2014 vai ser bom na mesma.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
[na verdade, estou no sexto]
Fiz aquele anúncio e ninguém viu
Pus em quase todo lugar
a foto mais bonita que eu fiz,
você olhando pra mim
Alto aqui do sétimo andar
longe, eu via você
e a luz desperdiçada de manhã
num copo de café
Deus sabe o que quis foi te proteger
do perigo maior, que é você
E eu sei que parece o que não se diz
o seu caso é o tempo passar
Quem fala é o doutor
Parece que foi ontem, eu fiz
aquele chá de habu
pra te curar da tosse do chulé
pra te botar de pé
E foi difícil ter que te levar
àquele lugar
Como é que hoje se diz?
Você não quis ficar
Os poucos que viram você aqui
me disseram que mal você não faz
E se eu numa esquina qualquer te vir
será que você vai fugir?
Se você for, eu vou correr
Se for, eu vou.
"Tentou uma vez explicar-me que a terra e os planetas foram arrancados ao Sol por uma estrela ao passar. Como se um cão trotasse junto a um arbusto e libertasse mundos. E nesses mundos apareceu a vida, e nessa vida seres como nós - almas. E mesmo criaturas mais estranhas que nós afirmou ela. Gostei de ouvir isto, mas não a compreendi bem. Sei que a impedi de voltar para o Japão. Por minha causa, desobedeceu ao pai. A mãe morreu-lhe, e Sono não se referiu a tal facto durante várias semanas. E uma vez disse: - Je ne crais pas la mort. Mais tu me fais souffrir, Moso. - Não a tinha visitado durante todo um mês. Tivera novamente uma pneumonia. Ninguém viera vê-la. Estava fraca e pálida, chorava e murmurava: - Je souffre trop. - Mas não o deixara confortá-la; ouvira dizer que ele andava com Madalena Pontritter.
Notou contudo: - Elle est méchante, Moso. Je suis pas jalouse. Je ferai amour avec un autre. Tu m'as laissée. Mais elle a les yeux très, très froids.
Escreveu, Sono, tinhas razão: Pensei que talvez gostasse de o saber. Os olhos dela são muito frios. No entanto, são olhos, e que há-de fazer deles? Não seria prático para ela odiar-se. Felizmente, Deus envia um substituto, um marido."
- Herzog, Saul Bellow
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