domingo, 6 de outubro de 2013

Diana Catarina poliglota

Eu devo ser uma pessoa muito patriótica, toda eu cinco quinas e padarias de Aljubarrota, porque por mais que tente o meu espanhol é medonho. Por outro lado, arranjo maneira de construir frases luso-anglo-francesas com sotaque italiano, conseguindo assim enfiar vocabulário dos cinco cantos da Europa, tudo menos castelhano, na tentativa de falar precisamente a tal língua dos infernos. 
O meu inconsciente recusa-se. 
Agora, vou ali acender uma velinha a D. Nuno Álvares Pereira e dar vivas pelo o tratado de Alcanizes. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Bem dito bem feito

A minha mãe deve andar por aí, ser omnisciente, qualquer coisa do género, porque me apareceu em casa com um guarda-chuva todo xpto, alemão, super eficiente, com manual de instruções, sistema de iluminação interior, varetas reforçadas e muitas outras funcionalidades, que vão além da simples tarefa da protecção contra a pluviosidade. Só assim se explica o preço; o suficiente para investir em bilhetes de várias jornadas. 
O que vale é que a Avenida de Berna é muito ventosa, já tendo proporcionado muitos momentos Mary Poppins a esta menina daqui, pelo que o investimento neste sistema anti-precipitação até que é necessário. O problema é que hoje decidiu fazer-se sol e não tenho como o testar. 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Só ideias brilhantes para estes lados

Não é que me saí com a melhor ideia de sempre, sendo que a melhor ideia de sempre é na verdade uma receita para uma tempestade perfeita, e consistindo na marcação de aulas de condução (ainda não me espatifei, não se preocupem) para as oito da manhã (OITO DA MANHÃ - só mesmo para reforçar) e quando findada há trabalho e depois aulas das seis da tarde às oito da noite. E nada de sestas!

Não foi brilhante da minha parte? Um Nobel para mim, já! 
Estou, positivamente, fodida. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

É um bocado isto



"(...)
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja,
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!

E enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida:
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida!
(...)"

domingo, 15 de setembro de 2013

A pessoa mais esperta do mundo

Vai Diana Catarina ignorante e inocente à Staples cá do sítio, tratar de businessess e já agora uns cadernos e uns post-its e umas Paper-Mates, quando se depara com filas enormes e muita correria, e é aí que se lembra que hoje é véspera de recomeço de aulas e é preciso comprar cadernos e guaches para as crianças. 
Estúpida(s). 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

"dispo-me só em parte, deito-me com frio, no entanto apetece-me escrever até adormecer, até ao esquecimento, descobrir a sintaxe e o som secreto. é urgente começar a construir partindo dos alicerces que já estão abertos. temos de erguer a nossa morada. e quando a hora for chegada, se chegar, se antes disso o homem velho, cobarde como é, sedeusquiser havemos de estar vivos, de ter casa habitável se a guerra do homem velho o consentir. havemos de."
- III Fragmento, Rumor Branco
Almeida Faria
Um dia sem ti é um dia sem riso. Uma seca, portanto.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

"é a hora em que, neste lugar, eu sei que não sou eu mas ignoro quem eu seja corpo que tudo une dando e recebendo e aumentado o dom de dar pelo próprio dom da doação e sei que qualquer coisa se abre à evidência de que fomos criados para que nos criássemos, que para nos fazermos fomos feitos e que os homens não nascem mas se fazem, a cada instante se fazem e nisso está a liberdade deles, não em fazer o que se quer, mas o que quer o ser, o que cada um é e não sabemos o que é mas sabemos que é e no poema emerge em cada verso, no furioso puro apelo do poeta a quem vazaram olhos para melhor cantar este poder da humanochimpanzaica condição mais conhecida por pipapalacaquígrafo homo sapiens, descoberta naquelas casos em que a ciência fabiotética atenua as partes melódicas da prognóstica reminiscência aliás bicanforada, perdão minha senhora mas a moeda é falsa. são horas."
- «III Fragmento», Rumor Branco
Almeida Faria

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sei que daqui a um mês vou arrepender-me de ter proferido estas palavras...

... mas já estou bem fartinha das férias. E deste calor!
Só me apetecem malhas e casacos quentinhos e chocolate quente e... chuva! Pronto, já disse!

(que a sessão de auto-flagelo comece).

domingo, 8 de setembro de 2013

"não desesperes porém porque serei contigo. eu te abençoo debaixo deste sol te ordeno que cresças te multipliques e as galáxias habites sujeitando-as. contempla a natureza que boa ou má para ti foi inventada e vive nela. sê. agora uns seculares instantes vou descansar quase secreto. mas eis que já formigas os homens passam constantemente na rua. já Lisboa se afogou no nevoeiro. se tu ao menos um sorriso visses descansavas. não. nada que não sejam portas e janelas. mudo entardecer. discreto. nas praças autocarros. um banal buzinar como balões a rebentar. que pressa fornicadora em cada movimento. imenso foi o tempo. pelos parques da cidade um vento se desata. roxo seria o céu se acaso fosse visto. porém não é. desiste. antes repara na janela defronte onde há bem pouco ainda aquele feminina fininha figura com um de comoestápassoubemmuitoobrigada sorriso te sorriu. não olhas. aguardas e não chega. teu quarto que teu não é mas da cloaca citadina porque se aluga à hora está pesado de presenças passadas espasmos idos móveis altos despidos cheios de pó. mole é contudo a espera e tu jazes no chão. desejas com todo o corpo o que não sabes ainda. dos automóveis o volume rápido aumenta desde baixo. deves pensar que o amor a amizade mesma se tornou exigente. exige doação. assalta sem que contudo mate. vivifica. por isso te faz livre."
- "I Fragmento", Rumor Branco
Almeida Faria

I'm a failure as a grown-up

Há três anos era caloira, hoje sou mestranda. Há três anos escrevi umas parvoíces sobre o futuro estar mesmo ali, patati patata, é só agarra-lo, blábláblá; uma idiota , no fundo. Volvidos três anos, não tenho mais certezas daquilo que quero fazer quando for "crescida" que há três anos atrás. Se calhar até tenho menos. Será culpa dos tempos, culpa do sistema, será mais culpa minha, talvez. Não sei. 
Tive uma epifania quando estava a estudar para a última frequência do último semestre e decidi que tinha de mudar de rumo, de tentar ser algo mais do que apenas competente. Não me arrependo de ter ido para CPRI; além do grau de licenciada, deu-me pessoas, alegrias, bebedeiras, fez de mim uma pessoa cínica e céptica (direitos humanos? pff), mas em última instância muito feliz e muito orgulhosa de lhe pertencer. 
E decidi que, em vez de tentar mudar o mundo tornando-me uma burocrata, formiga do sistema dos centros de decisão e poder, era melhor mudar o mundo (olha eu a ser tontinha outra vez) através da Literatura, a única forma de redenção. Veremos no que dá. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Afinal...

... não fui despedida! Aconteceu-me o mesmo que ao José Figueiras: puseram-me na prateleira e quando precisaram voltaram a chamar-me para apresentar o "Querida Júlia" quando a dona vai de férias.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Este blog morreu, quem o matou fui eu

Não exactamente. Digamos que estamos em modo hibernante. Um dia destes dá-me vontade de escrever a sério e o problema resolve-se. Um dia, em breve. Um dia. Diana Catarina promete. 

sábado, 24 de agosto de 2013

Agenda cultural do nº2

Depois do festival de kizomba que ocupou o recinto do meu quarto, e me fez sentir como se estivesse em Luanda e uma personagem do Windeck com aquela banda-sonora, sou agora convidada para o concerto de algum artolas aqui do prédio deslumbrado com a sua nova guitarra eléctrica. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

1/32

SOBREVIVI! 
Palmas para mim! Só há um problema com o acto de condução: os outros carros, especialmente quando são autocarros a transitar em sentido oposto. (O meu único "aii" foi quando vi um na minha direcção. Um progresso dada a minha tendência a gritar/grunhir/bloquear em situações de perigo)
Não me enfaixei em nenhum contentor do lixo ou separatória, apenas dei uma guinada quase para cima de um sinal vertical ao tentar fazer uma curva para a direita, nada de mais. 
Há esperança para mim.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

"Sambinha bom é esse que traz de volta"



"Eu, eu quero ficar com você.
Eu, eu quero grudar em você.
Eu, eu quero me bordar em você.

Quero virar sua pele,
Quero fazer uma capa,
Quero tirar sua roupa."

terça-feira, 13 de agosto de 2013

E o tanque.

Não há só o luto pelas pessoas. Há também o dos lugares, dos pedaços de terra em que crescemos e onde brincámos toda a vida. Debaixo das laranjeiras em que ao tentar fazer uma casa com paus e canas, nos apercebemos que nunca poderemos ser engenheiros civis ou arquitecto (arquitectos, talvez porque o desenho estava bem bonito e só um bocadinho ambicioso). Debaixo da laranjeira onde tentei pendurar uma baloiço, mas cenas aerodinâmicas não são comigo e o cordel atado a um pedaço de madeira não fazia mais que ir contra a árvore, o me enegreceu as pernas juvenis; foi aí que descobri que nunca poderia ser engenheira aeroespacial. 
E depois há o tanque. À entrada, mesmo ao lado do portão, estava o tanque da roupa onde eu fingia fabricar tinta - verde - a partir das folhas da laranjeira para vender (nota-se que eu era uma criança um tanto anti-social?). Isto para não falar da mercearia que abri e da peixaria onde as molas eram sardinhas-faz-de-conta. 
Quando o espaço, o nosso espaço, é invadido por retroescavadoras, não é só a terra que antes escavávamos à procura de minhocas que se enche de entulho, é a criança de seis sete oito nove anos que lá passava os Verões que se enterra também.

Mais ou menos isto



"Tardei, tardei, tardei
Mas cheguei, enfim"