"Caeiro, Campos, Reis, não são mais que sonhos diversos, maneiras diferentes de fingir que é possível descobrir um sentido para a nossa existência, saber quem somos, imaginar que conhecemos o caminho e adivinhamos o destino que a vida e a história nos fabricam. Ter sonhado esses sonhos não libertou Pessoa da sua solidão e da sua tristeza. Mas ajudou-nos a perceber que somos, como ele, puros mutantes, descolando para formas inéditas de vida, para viagens ainda sem itinerário. Com Caeiro fingimos que somos eternos, com Campos regressamos dos impossíveis sonhos imperiais para a aventura labiríntica do quotidiano moderno, com Reis encolhemos os ombros diante o Destino, compreendemos que o Fado não é uma canção triste mas a Tristeza feita verso e com a Mensagem sonhamos uma pátria de sonho para redimir a verdadeira."
- Fernando Pessoa, o Rei da Nossa Baviera, Eduardo Lourenço
Quando eu for grande também quero passar a vida a escrever coisas bonitas sobre Literatura; mas falta-me talento e engenho. Não sou o Eduardo Lourenço.
Dull light breaks behind the houses I don’t see what’s strange about this. Tiny bubbles hang above me. It’s a sign that someone loves me. I can hardly stand upright Hit my head upon the light I have faith but don’t believe it It's not there enough to leave it.
Everything I love is on the table. Everything I love is out to sea.
I have only two emotions, Careful fear and dead devotion. I can’t get the balance right. Throw all my marbles in the fire. I see all the ones I wept for All the things I had it in for I won’t cry until I hear Cause I was not supposed to be here.
Everything I love is on the table. Everything I love is out to sea. I’m not alone, I’ll never be. Into the bone, I’ll never grieve.
I’m tired, I’m freezing, I’m done When it gets so late I forget everyone. I need somewhere to stay. Don’t think anybody I know is awake. Calm down it’s alright, Keep my arms the rest of the night. When they ask what do I see, I say a bright white beautiful heaven hangin’ over me.
I’m not alone, I’ll never be. Into the bone, I’ll never grieve. And if you want, (dead seriously) To see me cry. (don’t swallow the cap) Play ‘Let It Be’ (pat yourself on the back) Or ‘Nevermind’. (dead seriously)
Is it time to leave? Is it time to think about What I wanna say to the girls at the door? I need somewhere to be But I can’t get around the river in front of me. Calm down it’s alright, Lead my arms the rest of the night. When they ask what do I see, I say a bright white beautiful heaven hangin’ over me.
I’m not alone, (dead seriously) I’ll never be. (don’t swallow the cap) Into the bones, (pat yourself on the back) I’ll never grieve (dead seriously) And if you want, (dead seriously) To see me cry, (don’t swallow the cap) Play ‘Let It Be’ (pat yourself on the back) Or ‘Nevermind’. (dead seriously)
Estou a privar-me de saborear aqueles maravilhoso crepes com gelado de iogurte - tãaaaao bons - só porque (dizem) tenho de poupar para aquando a tua ocorrência. Espero que este ano valha tanto a pena como o ano passado e que sejamos muito felizes, e sobretudo sem chuva. Por favor.
Diana Catarina é má pessoa e gosta de fazer piadas com o mau trajar de outras e assuntos "semelhantes" esquecendo-se que existe uma coisa chamada karma. É que só pode.
Chegada sexta-feira, dia de enterrar caloiros, o fecho da saia do traje de Diana Catarina decide foder gerau, deixando-a muito consternada, pois convinha sair de casa se possível vestida. Sendo uma pessoa de bastantes recursos imaginativos, resolve o assunto com múltiplos alfinetes que se aguentaram estoicamente na ida a Carcavelos.
Mas esta foi a pior semana possível para ter problemas com o traje, dada a necessidade de o envergar várias vezes esta semana - segunda-feira para traçar a capa aos gaiatos, quinta porque é quinta, e o sábado que é da Queima - mas é aqui que Diana Catarina descobre o seu dom e talento escondido para a costura. Ficou tão, mas tão bem cosido o fecho na minha primeira tentativa com agulha e linha, que nem em mil anos e vários Apocalipses depois as linhas de descosiam. Um mimo.
"Hey Jo sorry I hurt you, but they say love is a virtue don't they?"
domingo, 5 de maio de 2013
Estou a morrer e tenho frequência daqui a 2 dias, para a qual preciso de estudar (ou então resigno-me já que vou a melhoria). Dói-me a cabeça e mal consigo abrir os olhos, pelo que estudo é coisa que não abunda por estes lados.
Isto só tinha piada quando a gripe tornava impossível a comparência às aulas de Educação Física, agora é muito chato.
terça-feira, 30 de abril de 2013
"Interessa-me. É a única pessoa neste mundo que me interessa. Se parece pouco, tenho pena de quem não tenha a sorte de saber que nada há de mais sublime, ou de eterno, do que ficar interessado, e assim permanecer, com a cabeça e o coração à beira de rebentar, zangados com os seus imites, mas felizes por tê-los levado tão longe, e conhecê-los por ter conseguido lá chegar, e assim sossegar, numa inquietação bem fundada, de que tudo fizemos para esticar as nossas capacidades. A felicidade maior é a frustração mais doce - de permanecermos para sempre incapazes, sem culpa nossa, para podermos passar a vida num esforço enorme, e termos por prémio a consciência de estarmos vivos, e de morrermos como começamos, morrendo sem sensação de fim, por ficarmos presos à maravilha, depois de uma vida inteira, de ficarmos interessados."
(A piada do título continuava aqui como forma de introdução ao part-time supimpa que arranjei)
Pois, arranjei um part-timetodo catita (parece que as resoluções estão a ir muy bem), que consiste em mostrar a cidade de Lisboa às pessoas que muito bem nos visitam e pretendem descobrir os recantos mais bonitos da cidade. Abril foi o grande mês da estreia e acho que não me dei mal, pelo menos na parte das visitas em si. Outra dimensão do trabalho consiste em entregar flyers na rua, e amigos: entregar flyers é a PIOR coisa que há. Mas a pior mesmo. Ganhei todo um novo respeito aos senhores que entregam os papelinhos dos grandes mestres em tudo o que é magia negra e branca e arco-íris; a diferença é que eles não têm de explicar ao que vêm e eu tenho. E as pessoas também não gostam de receber flyers, mal os vêem olham para o outro lado, fingem que não é nada com elas. E eu odeio incomodar. Resumindo, entregar flyers é a pior actividade laboral do mundo.
Fora isso, o emprego até corre bem. Percebi que se tivesse de continuar a fazer isto para o resto da vida provavelmente seria ligeiramente infeliz. E ser infeliz no emprego é a pior sensação do mundo. É isto ser adulto?
O bom da coisa é o horário ser flexível e o salário bem bom, perfeito para financiar festivais e o alargamento da minha biblioteca; além de que é sempre uma boa linha para o currículo.
Escrevo isto quando faltam dois meses para os meus 21 anos. Não sei de onde é isto veio.
Diz que estou crescida.
*Vento é eufemismo. Ia levantando voo várias vezes.
Estes 2.22 minutos e escrever ensaios à uma e sete da manhã.
Mas escrever ensaios sobre tudo menos daquilo que estou a escrever.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Há quem acredite na ditadura do proletariado; eu vivo na ditadura do cabelo, uma ditadura capilar, regime cabeludo, muito opressor. A principal linha ideológica é a manutenção de uma grande extensão de cabelo por parte da minha pessoa. Isto viola, de certo, várias alíneas da Carta das Nações Unidas, da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, mais que não seja um atentado à liberdade individual. Vivo num regime que corta as minhas possibilidade de ser feliz, com um corte fofinho pelos ombros, que me atinge vil e directamente com sanções psicológicas; eles não sabem o que é viver assim, com uma grande trufa: não são eles que a penteiam, horas e muito condicionador depois, para conseguir tirar os nozinhos irritantes, não é a eles que o cabelo se prende nas alças da mala, ou nos botões do casaco. Não sabem o que eu sofro.
Mas, fiz uma revolução. Libertei-me das amarras capilares e cortei pelos ombros e a direito e já não sei o que é ter o cabelo comprido. Está lindinho que só ele.
Sabe tão bem a liberdade. Oh.
[eu disse que o ensaio de Instituições ia ser produtivo; produtivo para tudo menos para escrever de facto o ensaio]
Estou para aí na página 15 do Slaughter-House Five do Vonnegut e já estou a gostar mais do que das cento e tal páginas do Great Gatsby, que acabei de ler. Até agora tem a narrativa tem-se centrado em como escrever um livro sobre os bombardeamentos de Dresden na Segunda Guerra Mundial; 15 páginas de livro sobre como escrever o livro. Espero que continue assim.
Gostei do The Great Gatsby, tem passagens muito boas e é, de facto, um bom testemunho sobre os anos '20: as páginas iluminam-se pelo brilho e glamour das festas de cairprólado, cheira a Chanel nº5, tudo é artifício, jogo de cor e malabarismo. Tudo é superficial e terrivelmente inconsequente.
Gostei. É uma obra talhada à maneira americana, tal como aquilo a que se propõe retratar: a inantigibilidade do sonho americano. Levou três estrelas no Goodreads.
You do not do, you do not do
Any more, black shoe
In which I have lived like a foot
For thirty years, poor and white,
Barely daring to breathe or Achoo.
Daddy, I have had to kill you.
You died before I had time--
Marble-heavy, a bag full of God,
Ghastly statue with one gray toe
Big as a Frisco seal
And a head in the freakish Atlantic
Where it pours bean green over blue
In the waters off beautiful Nauset.
I used to pray to recover you.
Ach, du.
In the German tongue, in the Polish town
Scraped flat by the roller
Of wars, wars, wars.
But the name of the town is common.
My Polack friend
Says there are a dozen or two.
So I never could tell where you
Put your foot, your root,
I never could talk to you.
The tongue stuck in my jaw.
It stuck in a barb wire snare.
Ich, ich, ich, ich,
I could hardly speak.
I thought every German was you.
And the language obscene
An engine, an engine
Chuffing me off like a Jew.
A Jew to Dachau, Auschwitz, Belsen.
I began to talk like a Jew.
I think I may well be a Jew.
The snows of the Tyrol, the clear beer of Vienna
Are not very pure or true.
With my gipsy ancestress and my weird luck
And my Taroc pack and my Taroc pack
I may be a bit of a Jew.
I have always been scared of you,
With your Luftwaffe, your gobbledygoo.
And your neat mustache
And your Aryan eye, bright blue.
Panzer-man, panzer-man, O You--
Not God but a swastika
So black no sky could squeak through.
Every woman adores a Fascist,
The boot in the face, the brute
Brute heart of a brute like you.
You stand at the blackboard, daddy,
In the picture I have of you,
A cleft in your chin instead of your foot
But no less a devil for that, no not
Any less the black man who
Bit my pretty red heart in two.
I was ten when they buried you.
At twenty I tried to die
And get back, back, back to you.
I thought even the bones would do.
But they pulled me out of the sack,
And they stuck me together with glue.
And then I knew what to do.
I made a model of you,
A man in black with a Meinkampf look
And a love of the rack and the screw.
And I said I do, I do.
So daddy, I'm finally through.
The black telephone's off at the root,
The voices just can't worm through.
If I've killed one man, I've killed two--
The vampire who said he was you
And drank my blood for a year,
Seven years, if you want to know.
Daddy, you can lie back now.
There's a stake in your fat black heart
And the villagers never liked you.
They are dancing and stamping on you.
They always knew it was you.
Daddy, daddy, you bastard, I'm through.
Eu prometo que escrevo sobre as maravilhosas transformações que nela estão ocorrendo quando tiver que procrastinar, nomeadamente o ensaio de Instituições. Sim, porque afinal já não estou de férias. Ninguém diria.
Não se vos disse, mas a passada quarta-feira foi passada com este senhor ao violão.
E foi lindo.
Quis fazer uma sesta de uma hora, uma hora e meia vá, porque o estudo não estava a ser propriamente produtivo pelas camadas de sono que tinha em cima. No fim, acabei por dormir a tarde inteira.