sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O que eu gostava mesmo mesmo mesmo era de dormir. Dormir sem sonhar com frequências, sem acordar a meio da noite com ideias brilhantes para os ensaios, um despertar sem que me viesse logo à ideia as milhentas coisas que tenho para fazer nesse dia e as outras milhentas que tenho para estudar. Gostava muito de conseguir ter uma noite descansada desta forma. Só mesmo dormir. 
E depois lembro-me que praticamente não vou ter férias, porque tenho dois exames no início e um trabalho para entregar no fim de Janeiro; as aulas começam quinze dias depois. Ora eu sou pessoa habituada a férias à boa maneira da FCSH, ou seja quatro meses no Verão e um mês e meio pelo Natal - era bom assim e eu gostava especialmente porque os nossos "semestres" de três meses são, de facto, muito intensos e acontece tudo ao mesmo tempo, pelo que as férias eram igualmente muito intensas e profusamente extensas. Mas este Inverno não há cá nada disso, o que me deixa bastante triste. 
Estou cansada e praticamente não tenho tempo para respirar, meti na ideia que ia ser responsável e fazer as coisas com tempo para não ter crises existenciais de maior, mas não é nada disso que está a acontecer: acho que até são piores, agora o meu questionamento existencial acontece a par com umas olheiras aparentadas às do Gaspar e isso não é bonito de se ver e uma exaustão intelectual do outro mundo, em que só me apetecem sopas e descanso e chocolates e pipocas e vou para a cama às 9 e meia da noite - nove e meia da noite! completamente anti-natura. E pior, não estou a ver resultados práticos: entre um ensaio em que gastei duas semanas da minha vida e uma apresentação quase feita de véspera, foi a última a que correu melhor. Não percebo. Não estou a perceber o que estou a fazer e, mais sério, para que o estou a fazer. 
Mas e agora? Vou voltar aos hábitos da procrastinação e dar umas voltas ao Chiado ver as luzes de Natal? Continuo a acordar antes do Sol para me ir fechar na sala de estudo grande parte do dia? Vai ter de ser, só faltam duas semanas para a "grande frequência do semestre" e a entrega do último ensaio. Até ter de (re)começar a estudar para as duas frequência e começar a pensar no trabalho. Não quero acabar e sentir que "morri na praia". 
Prefiro morrer depois afogada. 

Estou cansada. 
(Mas nem tudo é mau: daqui a duas semanas também é o jantar de curso e há sangria e Bairro e Cais. Só preciso chegar viva até lá.)
Exausta.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Definição de «crueldade»

"crueldade
nome feminino
1.carácter do que é cruelmaldadedesumanidadebarbaridade"


A isto acrescento alguém ter tido a brilhante ideia de começar a vender aquelas pipocas cheirosas e boas, até agora apenas em algumas estações de metro que eu nem frequento muito, logo não estou exposta muito frequentemente à tentação e ao pecado mortal da gula (de que padeço muito). É cruel, uma maldade, uma desumanidade. Barbárie. 
Às vezes apetece dar um mui cívico empurrão a quem se posiciona a um passo das portas do metro quando se abrem, na esperança de entrar. Esquecem-se é que há quem queria sair e se confronta com uma muralha  a transbordar de calor humano. 
Puta que pariu o atempadamente; puta que pariu a ideia de que se eu passar um mês dedicada a um ensaio de cinco páginas para a coisa ficar bem composta vai ser melhor que se eu o fizer à pressão. Puta que pariu a dedicação. 



quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Foi preciso esperar três anos para ter uma visita de estudo na minha licenciatura. Yuppi!
Fomos ao Parlamento. 

E depois passamos pela manifestação dos estivadores. Foi porreiro. 

Timming

Bom timming é arranjar uma bruta constipação na véspera da apresentação de um trabalho, ainda com metade dele para fazer. Entre espirros e drunfos lá se fez e a coisa até correu bem.

Ontem, para compensar o meu grande esforço académico nestas semanas, dormi umas boas 10 horas. E não pensem que fiquei a dormir até tarde, porque Diana Catarina já é na verdade uma idosa e em vez de ficar a dormir até tarde, vai dormir mais cedo, tipo 9.30 da noite, nem viu a novela. É da velhice. Mas foi um sono que me soube pela vida.

domingo, 25 de novembro de 2012


«Forget your personal tragedy. We are all bitched form the start and you especially have to be hurt like hell before you can write seriously. But when you get the damned hurt use it—don’t cheat with it. Be as faithful to it as a scientist—but don’t think anything is of any importance because it happens to you or anyone belonging to you.»
ERNEST HEMINGWAY, in a letter to F. Scott Fitzgerald"

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

E acabou, pois

Foi mau, correu mal, foi horrível e péssimo e meteu lágrimas e suores frios. 
Mas passou! Acabou, c'est finit, já não há mais. 
E estou viva. Yey!

Agora só a frequência, mas essa faz-se. 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

E é logo

Primeira crise existencial da semana, assim entrada à pé juntos para começarmos bem. 
E depois o pior é que a coisa se resolvia com uns copos e uma saída para "desanuviar", mas parece-me tão trabalhoso que o que me apetece é sopas e descanso (menos as sopas, uma tablete de chocolate Milka vá) e adormecer a ver televisão enroscadinha no sofá.  
É sinal da velhice? 

domingo, 18 de novembro de 2012

Histórias de Vizinhança - Parte III (ou como eu odeio os meus vizinhos)

E não que os meus ricos vizinhos do lado resolveram por a tocar um belo de um álbum de sertanejo (sim! sertanejo!) às 10 da manhã num belo dia de domingo?! E conseguir dormir com a barulheira? Pois, está quieto. No único dia em que posso dormir até mais tarde - já viram o quão aplicada estou este semestre? - é o dia em que se lembram de dar música ao prédio. 
É assim que o universo me recompensa por todo o trabalho árduo? É assim?!
Estou perturbadíssima. 

sábado, 17 de novembro de 2012

XIII

"e é preciso correr é preciso ligar é preciso sorrir
é preciso suor
é preciso ser livre é preciso ser fácil é preciso a roda
o fogo de artifício
é preciso o demónio ainda corpolento
é preciso a rosa sob o cavalinho
é preciso o revólver de um só tiro na boca
é preciso o amor de repente de graça
é preciso a relva de bichos ignotos
e o lago é preciso digam que é preciso
é preciso comprar movimentar comércio
é preciso ter feira nas vértebras todas
é preciso o fato é preciso a vida
da mulher cadáver até de manhã
é preciso um risco na boca do pobre
para averiguar de como é que eles entram
é preciso a máquina a quatro mil vóltios
é preciso a ponte rolante no espaço
é preciso o porco é preciso a valsa
o estrídulo o roxo o palavrão de costas
é preciso uma vista para ver sem perfume
e outra menos vista para olhar em silêncio
é preciso o lôgro a infância depressa
o pêso de um homem é demais aqui
é preciso a faca é preciso o touro
é preciso o miúdo despenhado no túnel
é preciso fôrças para a hemoptise
é preciso a mosca um por cento doméstica
é preciso o braço coberto de espuma
a luz o grito o grande ôlho gelado

E é preciso gente para a debandada
é preciso o raio a cabeça o trovão
a rua a memória a panóplia das árvores
é preciso a chuva para correres ainda
é preciso ainda que caias de borco
na cama no chôro no rôgo na treva
é precisa atreva para ficar um verme
roendo cidades de trapo sem pernas"
- Mário Cesariny

Semana de terror

Em pânico, porque afinal a apresentação do ensaio de Sistemas é só na quinta, e eu pensava que era já na terça. Era menos mau, porque despachava isto de um vez. Assim vou estar três dias em ansiedade e terror, porque vai ser especialmente mau. Tenho isto pronto há uma semana, algo nunca visto no planeamento académico da minha pessoa, que é daquelas que escreve bem mas é à pressão. Desta vez, bastou o pânico generalizado no seu sistema nervoso para a coisa sair.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Dia do Desassossego

Isto apresenta-se-me como uma bela desculpa para interromper o meu estudo intensivo de Sistemas, escritas de ensaios e afins e percorrer Lisboa com o livro d'O Ano da Morte de Ricardo Reis na mão, visitar as exposições na Fundação e ir ao São Carlos no fim do dia. 
Tudo com entrada gratuita e livros com 50% de desconto na livraria da Fundação.

Todo o programa aqui.



quarta-feira, 14 de novembro de 2012

"A morte seguiu pois pelo corredor até à primeira porta à direita de quem entra e por aí passou à sala de música, que outro nome não se vê que deva ser dado à divisão de uma casa onde se encontra um piano aberto e um violoncelo, um atril com as três peças da fantasia opus setenta e três de robert schumann, conforme a morte pôde ler graças a um candeeiro de iluminação pública cuja esmaecida luz alaranjada entrava pelas duas janelas, e também algumas pilhas de cadernos aqui e além, sem esquecer as altas estantes de livros onde a literatura tem todo o ar de conviver com a música na mais perfeita harmonia, que hoje é a ciência dos acordes depois de ter sido a filha de ares e afrodite."

- As Intermitências da Morte, J. Saramago


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A saber

Pela primeira vez na vida, Diana Catarina está a anti-bióticos. 
Tive sempre uma saúde de ferro providenciada por uma infância de ares puros da serra e portanto nunca tive problemas por aí além. Nunca parti nenhum osso que fosse, para grande tristeza minha, porque assim dava para faltar a Educação Física e eu não gostava nada daquilo. Todo o meu historial médico é bastante desinteressante e as maleitas de que padeço são sempre muito parvas, como agora. É que isto dói para caraças, mas nem para ter direito a umas canadianas, ou bengalinha, dá. 
É risível.


Adorava saber que puta pariu os horários dos metros cá do burgo. Onde é que é lógico que passem na mesma paragem três metros para o mesmo destino, com um minuto de distância temporal? "Obladi oblada, vêm de linhas diferentes", não! dois deles vêm de sítios diferentes, mas chegam à mesma hora à paragem os três! E de Cacilhas saem com 2 minutos de diferença. Dois.
Isto em hora de ponto, claro. Mas mesmo assim os metros não fazem o percurso assim tão cheios que haja necessidade de saírem quase simultaneamente, quando por exemplo meia hora mais tarde saem quando o rei faz anos e completamente descoordenados com os horários dos barcos: à mesmíssima hora que chega o barco, sai o metro e depois só volta a partir tipo 15/20 minutos mais tarde. Uma puta de uma racionalidade. 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Cara funcionária do McDonalds

Eu demoro o tempo que quiser a decidir que McMenu quero, tá?! Estava atrasada para alguma compromisso, era? Dado que não havia NINGUÉM atrás de mim eu arrogo o direito de poder decidir sem me sentir pressionada, porque, lá está, NÃO ESTAVA LÁ MAIS NINGUÉM PARA SER ATENDIDA A NÃO SER EU.