quinta-feira, 19 de abril de 2012

O leitor que escreve; o escritor que lê - conselhos de Carlos Drummond de Andrade

10 conselhos de Carlos Drummond de Andrade a um escritor iniciante
by Michel Laub

"Trechos (editados) da crônica A um jovem, publicada em A bolsa e a vida(1962):
1. Não acredite em originalidade, é claro. Mas não vá acreditar tampouco na banalidade, que é a originalidade de todo mundo.
2. Não fique baboso se lhe disserem que seu novo livro é melhor que o anterior. Quer dizer que o anterior não era bom. Mas se disserem que seu livro é pior que o anterior, pode ser que falem verdade.
3. Procure fazer com que seu talento não melindre o de seus companheiros. Todos têm direito à presunção de genialidade exclusiva.
4. Aplique-se a não sofrer com o êxito de seu companheiro, admitindo embora que ele sofra com o de você. Por egoísmo, poupe-se qualquer espécie de sofrimento.
5. Sua vaidade assume formas tão sutis que chega a confundir-se com modéstia. Faça um teste: proceda conscientemente como vaidoso, e verá como se sente à vontade.
6. Opinião duradoura é a que se mantém válida por três meses. Não exija maior coerência dos outros nem se sinta obrigado intelectualmente a tanto.
7. Procure não mentir, a não ser nos casos indicados pela polidez ou pela misericórdia. É arte que exige grande refinamento, e você será apanhado daqui a dez anos, se ficar famoso; se não ficar, não terá valido a pena.
8. Se sentir propensão para o gang literário, instale-se no seio de uma geração e ataque. Não há polícia para esse gênero de atividade. O castigo são os companheiros e depois o tédio.
9. Evite disputar prêmios literários. O pior que pode acontecer é você ganha-los, conferidos por juízes que o seu senso crítico jamais premiaria.
10. Leia muito e esqueça o mais que puder. Só escreva quando de todo não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar."
Daqui. Sublinhados meus.

domingo, 15 de abril de 2012

O dia em que Diana Catarina começou a correr

Quero desde já clarificar que eu não incorro em qualquer tipo de actividade física - aparte correr atrás do metro - desde o secundário, há uns bons dois anos. As calças de fato treino não viam a luz do dia há dois anos e eu já punha os meus pés naqueles ténis desde aí. Portanto está bom de ver que o meu nível de cardio-fitness é nulo, quiçá negativo se tal faça sentido, não sei que não sou licenciada em desporto.
Mas como ontem tinha dito, finalmente consegui arranjar alguém que me faça companhia na actividade. Yeeey! 
E lá fomos nós fazer uso dos espaços verdes desta bela terra e apanhar ar fresco logo pela manhã.

Diana Catarina acorda, sai de casa debaixo de chuva, mas muito motivada. Chega ao metro e depara-se com um tempo de espera de 8 minutos até ao próximo; pensamento lógico: mais depressa lá chego se for a pé - e agora pensamento mesmo muito lógico - mas já que é para correr então vou a correr até lá. Escusado será dizer que esta foi uma má decisão. Diana Catarina não corria, arrastava-se apenas 30 segundos depois. Uma tristeza. Cheguei ao sítio onde devia estar já a morrer, a pensar em dar meia-volta para casa que o meu exercício físico já estava feito, pronto foi giro e bon voyage. Mas não deu, porque a minha parceira de corrida estava por demais entusiasmada e lá fomos. 
E não é que até foi engraçado? Era ver-nos abrir caminho nas descidas e andar a passo apressado na relva plana. Andamos mais do que aquilo que corremos, ando para aqui a arrastar-me que não aguento as pernas, mas acho que para começar foi muito produtivo. Para a semana lá estamos outra vez, vamos preparar-nos para a maratona do Benfica. Oh yeah.


(E quando chego a casa a minha mãe tinha feito feijoada para o almoço, o que é sempre bom.)

Finalmente!

ah-AH! Consegui convencer alguém a ir correr comigo por essas ruas fora.
Amanhã vou começar a fazer jogging. A ver se não morro para aí numa valeta... Haja esperança!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Percebi tudo!

No outro dia falei sobre o sofrimento atroz que é ver o Pedro Granger a apresentar o Elo Mais Fraco (volta, Malato, estás perdoado), mas acho que finalmente percebi a piada, ou melhor entrei na piada. Aquilo é tudo suposto ser uma grande ironia, uma paródia ao perfil de apresentadores do Elo Mais Fraco (a da british edition é um bocado bitchy), ahaha aha, para uma pessoa se rir, qualquer coisa desse género. Lembram-se do boneco do Contra-Informação a mimicar a Manuela Moura Guedes? É tipo isso, só que em fez de ser um fantoche, é o próprio do Pedrinho a dar o corpo ao manifesto. É a única explicação plausível para o comportamento do rapaz. Continuo a advertir para os efeitos nocivos daquele trejeito ao pescoço, qualquer dia ainda acontece alguma desgraça e depois é um problema (ou não, porque assim acaba-se de uma vez com aquilo). 

Agora a minha mãe adora aquilo, ri-se à grande, tudo uma grande festa. Alguém me explica? 

Sou na verdade uma pessoa oprimida

Quero cortar o cabelo pelos ombros, giro e fofinho, e ninguém me deixa.
Oh pah! Estou triste e vou amuar.

Oh meu deus!

Amanhã posso ficar a dormir até depois das dez da manhã!
Yey!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Can't. Stop. Staring.


Gorgeous. 

Só para que saibam, faltam 76 dias para os meus anos. Não sei, estou a lançar uma ideia para o ar, cada si é como cada qual, não é por nada, a sério.

Afinal

Tudo fez sentido. Estudei tudo num dia, e contrariamente ao que eu esperava, sem problemas. A política externa de uns dez países cá ficou e ainda não se foi, o que é sempre bom sinal. A teoria é que ficou um bocado pior amanhada, mas enfim; confesso: estava sem paciência e aborrecida para estar a escrever sobre a  evolução teórica, maçou-me um bocado e inventei outro tanto, só mesmo naquela de inovar. Veremos.
Mas não foi muito mau ate melhor do que eu esperava e se calhar dá para ter uma nota mais ou menos decente e não ter de ir a melhoria, que já me vai bastar Ecologia, porque sejamos honestos, só assim é que aquilo lá vai. Hoje na aula falamos de brain drain; curiosamente é o que Ecologia faz ao brain de uma pessoa, it drains it. - uma maçada despropositada. 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Correu bem

De manhã à noite entre as paredes de uma biblioteca, matéria (quase) toda revista. Só saí para almoçar, muito aplicada. 

E a FLUL, hein? Portas automáticas e tal... andamos burgueses, é? 
Enquanto isso chove na FCSH - mas nós somos todos radicais de esquerda, não faz mal.

Vida minha

Amanhã acordo cedo para ir para a biblioteca estudar. Depois aulas. Depois estudar.
A ver se corre bem.

(Não vai... vai ser uma bodega. Estou lixada com isto. Vou a melhoria, já tinha dito.)

E ainda por cima estava-me tudo a correr tão bem.
Oh pah.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Eu sabia

Eu sabia que não fazer nada durante a semana da Páscoa ia dar merda. Eu sabia, eu avisei, mas não liguei nenhuma. Agora amanha-te, Diana Catarina! Vá, estrebucha para aí! Escreve em CAPS LOCK em tudo o quanto é sítio a ver se adianta alguma coisa. 

Já me resignei: vou a melhoria em Junho e pronto. Caraças, pah.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Hoje já me vou

Está bom de ver que não fiz nada de produtivo esta semana sem ser enfardar bolo da Páscoa e rolinhos de chouriço. Lá li um texto e tal, estou quase quase a acabar o Damásio (gostei muito) e andei a aparvalhar com a tonta de quatro patas - uma tonta que só ela - e foi basicamente isto. 
Mas estou pronta para ir para casa. Os ares da serra são bons, mas só consigo pensar no dia em que cá te irei trazer para passearmos pelas ruas esguias e medievais da vila e pelo castelo e jardins da cidade. 

terça-feira, 3 de abril de 2012

Ora cá estamos

Cá estou eu instalada na serra e em vez de andar a estudar, ando a enfardar bolo da Páscoa. Convenhamos: era previsível. Trouxe uns cinco livros para ler e ainda só li umas 20 páginas do Damásio. Mas vamos ter fé que isto melhore e a minha disposição se encaminhe para o estudo árduo da compreensão dos fenómenos geopolíticos e de política externa. 

Enfim. Eu disse que eu vinha para aqui e iam acontecer coisas extraordinárias. Pois que a noite antes desta foi deveras divertida. Devo adiantar que eu tenho tendências paranóicas e extremistas e quando oiço barulhos, especialmente à noite, dá-me para imaginar cenários e dissecar probabilidades de me entrarem assassinos pela casa adentro. Isto acontece várias vezes, tanto num terceiro andar de um apartamento em contexto citadino como nesta casa térrea.
Então, ontem às boas horas madrugadoras oiço um barulho: bzzzzzzzzzzzzzz; e o que é que eu penso que é? O raio da ficha eléctrica a fazer mau contacto com o candeeiro. "Oh meu deus, que isto vai começar a arder e eu vou morrer para aqui." Comecei de imediato a constituir um plano de contingência na minha cabeça: com o cobertor tapo a chama, o meu irmão agarra na tonta e vai pedir ajuda à vizinhança e eu pego nas malas (que contêm material de estudos, livros e fotocópias e não se pode deixar estas coisas para trás, não é?) e vou-me embora.
"Não, Diana Catarina, deixa-te estar quieta e dorme." Mas o bzzzzzzz volta e meia dava de si. Pensamento lógico: eu vou morrer; os tectos são de madeira, os cabos eléctricos já têm umas décadas isto vai tudo começar a arder - pareceu-me lícito, na altura.
Até que os bzzzzzzzzz's se deslocam e aí começo a pensar: "se calhar não é da electricidade". Vou atrás do cortinado e vejo a puta de uma mosca a tentar esvoaçar só com uma asa. Mato-a a sangue frio, acabo-lhe com o sofrimento e volto para a cama.

Hoje, já estudei. Palmas para mim! Obrigada, obrigada.
Uma aula já está revista, agora faltam as outras 20 e coisas. Estamos no bom caminho, eu acho.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Eu também quero falar de bolachas


Ando obcecada com estas. São boas como tudo. Elas lá andam nas vending machines da faculdade a tentarem-me, mas não cedi ao impulso. Na hierarquização dos meus desejos gastrónomos, as torradas do bar estão em primeiro. AGORA E SEMPRE!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Férias, ora que bom

Eu nem dava pela Páscoa, nem sequer tinha pensado na existência desta semana e festividades. Acho até que por uma razão muito simples: a Páscoa não tem presentes. Estou a brincar (mas só um bocadinho). 
Nunca mais me lembrei que estava na altura disto, assim como me aconteceu com o Carnaval - passou por mim e eu nem dei por isso. 
Mas lá vai ter de ser: passar uma semana sem ter de por despertador a tocar - e isto é o que realmente importa ressaltar aqui. Se eu fosse moça aplicada, passava-a a estudar, porque há uma frequência próxima; contudo, eu já sei o que a casa gasta e o mais provável é eu ainda ler umas coisas, mas fartar-me ao fim de meia-hora e ir jogar Angry Birds.

Vou mas é aproveitar para pôr o meu Book Challenge em ordem e despachar uns quantos livros - estou agora a ler o Ao Encontro de Espinosa do António Damásio e está a ser giro. Sabiam que as moscas também se embebedam e têm comportamentos bêbados semelhantes aos nossos? (É este o tipo de informação que eu retenho, tenham paciência comigo...) 

quarta-feira, 28 de março de 2012

"nestes dias tive tempo para pensar se a tradição estará mesmo para acabar e cheguei à conclusão fundamental que nesta história da canção tradicional é bonito ouvi-la vir de alheia mão, mas mais bonito é vir do próprio coração. se depois tem resultar do bem comum isso não nos pode pôr problema algum, que o colectivo que há em cada um de nós não tem porra apenas uma voz. e ouvir o bem comum de outra gente que deixa o antro povo louco de contente, que por nascer das veias da comunidade para nós é música, para eles identidade. porque vejo que saber gostar de ouvir é diferente de lembrar e produzir. perguntei ao sangue pela minha tradição e o sangue respondeu nesta canção..."