quarta-feira, 11 de abril de 2012

Vida minha

Amanhã acordo cedo para ir para a biblioteca estudar. Depois aulas. Depois estudar.
A ver se corre bem.

(Não vai... vai ser uma bodega. Estou lixada com isto. Vou a melhoria, já tinha dito.)

E ainda por cima estava-me tudo a correr tão bem.
Oh pah.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Eu sabia

Eu sabia que não fazer nada durante a semana da Páscoa ia dar merda. Eu sabia, eu avisei, mas não liguei nenhuma. Agora amanha-te, Diana Catarina! Vá, estrebucha para aí! Escreve em CAPS LOCK em tudo o quanto é sítio a ver se adianta alguma coisa. 

Já me resignei: vou a melhoria em Junho e pronto. Caraças, pah.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Hoje já me vou

Está bom de ver que não fiz nada de produtivo esta semana sem ser enfardar bolo da Páscoa e rolinhos de chouriço. Lá li um texto e tal, estou quase quase a acabar o Damásio (gostei muito) e andei a aparvalhar com a tonta de quatro patas - uma tonta que só ela - e foi basicamente isto. 
Mas estou pronta para ir para casa. Os ares da serra são bons, mas só consigo pensar no dia em que cá te irei trazer para passearmos pelas ruas esguias e medievais da vila e pelo castelo e jardins da cidade. 

terça-feira, 3 de abril de 2012

Ora cá estamos

Cá estou eu instalada na serra e em vez de andar a estudar, ando a enfardar bolo da Páscoa. Convenhamos: era previsível. Trouxe uns cinco livros para ler e ainda só li umas 20 páginas do Damásio. Mas vamos ter fé que isto melhore e a minha disposição se encaminhe para o estudo árduo da compreensão dos fenómenos geopolíticos e de política externa. 

Enfim. Eu disse que eu vinha para aqui e iam acontecer coisas extraordinárias. Pois que a noite antes desta foi deveras divertida. Devo adiantar que eu tenho tendências paranóicas e extremistas e quando oiço barulhos, especialmente à noite, dá-me para imaginar cenários e dissecar probabilidades de me entrarem assassinos pela casa adentro. Isto acontece várias vezes, tanto num terceiro andar de um apartamento em contexto citadino como nesta casa térrea.
Então, ontem às boas horas madrugadoras oiço um barulho: bzzzzzzzzzzzzzz; e o que é que eu penso que é? O raio da ficha eléctrica a fazer mau contacto com o candeeiro. "Oh meu deus, que isto vai começar a arder e eu vou morrer para aqui." Comecei de imediato a constituir um plano de contingência na minha cabeça: com o cobertor tapo a chama, o meu irmão agarra na tonta e vai pedir ajuda à vizinhança e eu pego nas malas (que contêm material de estudos, livros e fotocópias e não se pode deixar estas coisas para trás, não é?) e vou-me embora.
"Não, Diana Catarina, deixa-te estar quieta e dorme." Mas o bzzzzzzz volta e meia dava de si. Pensamento lógico: eu vou morrer; os tectos são de madeira, os cabos eléctricos já têm umas décadas isto vai tudo começar a arder - pareceu-me lícito, na altura.
Até que os bzzzzzzzzz's se deslocam e aí começo a pensar: "se calhar não é da electricidade". Vou atrás do cortinado e vejo a puta de uma mosca a tentar esvoaçar só com uma asa. Mato-a a sangue frio, acabo-lhe com o sofrimento e volto para a cama.

Hoje, já estudei. Palmas para mim! Obrigada, obrigada.
Uma aula já está revista, agora faltam as outras 20 e coisas. Estamos no bom caminho, eu acho.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Eu também quero falar de bolachas


Ando obcecada com estas. São boas como tudo. Elas lá andam nas vending machines da faculdade a tentarem-me, mas não cedi ao impulso. Na hierarquização dos meus desejos gastrónomos, as torradas do bar estão em primeiro. AGORA E SEMPRE!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Férias, ora que bom

Eu nem dava pela Páscoa, nem sequer tinha pensado na existência desta semana e festividades. Acho até que por uma razão muito simples: a Páscoa não tem presentes. Estou a brincar (mas só um bocadinho). 
Nunca mais me lembrei que estava na altura disto, assim como me aconteceu com o Carnaval - passou por mim e eu nem dei por isso. 
Mas lá vai ter de ser: passar uma semana sem ter de por despertador a tocar - e isto é o que realmente importa ressaltar aqui. Se eu fosse moça aplicada, passava-a a estudar, porque há uma frequência próxima; contudo, eu já sei o que a casa gasta e o mais provável é eu ainda ler umas coisas, mas fartar-me ao fim de meia-hora e ir jogar Angry Birds.

Vou mas é aproveitar para pôr o meu Book Challenge em ordem e despachar uns quantos livros - estou agora a ler o Ao Encontro de Espinosa do António Damásio e está a ser giro. Sabiam que as moscas também se embebedam e têm comportamentos bêbados semelhantes aos nossos? (É este o tipo de informação que eu retenho, tenham paciência comigo...) 

quarta-feira, 28 de março de 2012

"nestes dias tive tempo para pensar se a tradição estará mesmo para acabar e cheguei à conclusão fundamental que nesta história da canção tradicional é bonito ouvi-la vir de alheia mão, mas mais bonito é vir do próprio coração. se depois tem resultar do bem comum isso não nos pode pôr problema algum, que o colectivo que há em cada um de nós não tem porra apenas uma voz. e ouvir o bem comum de outra gente que deixa o antro povo louco de contente, que por nascer das veias da comunidade para nós é música, para eles identidade. porque vejo que saber gostar de ouvir é diferente de lembrar e produzir. perguntei ao sangue pela minha tradição e o sangue respondeu nesta canção..."

terça-feira, 27 de março de 2012


O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

"O que há em mim é sobretudo cansaço"

Isto de acordar às 8 da manhã é muito, mas muito pior que acordar às 6. Ter aulas à tarde, idem. Não há tempo para nada e é bastante mais cansativo. Estou que nem posso. 
É também por isto que não tenho escrito tanto e só tenha cabeça restante para parvoíces; é o que há.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Problemas de Diana Catarina (são uns tantos e muito pesarosos)

Diana Catarina devia deixar de ser armar em fashionista com esta mania de combinar malas e outfits (oh p'ra ela tão fashion-incluída) e começar a levar a sua fiel build to resist, porque isto não há ombro que aguente; ainda por cima, sendo Diana Catarina esquisitinha e só consiga andar com a mala sobre o ombro direito - do lado esquerdo é-lhe estranho. Mariquices.

Há pessoas desinteressantes neste mundo; ainda por cima, têm a tendência de se condensar em grupo e amena cavaqueira nos barcos em que Diana Catarina viaja. O pior é não me deixarem concentrar naquilo que estou a ler, pelo volume da conversa e pelas larachas enfiadas no meio do diálogo. Por outro, há pessoas não muito sãs ou pelo menos social inadequate que devem gostar de andar para trás e para frente, sendo frequente a partilha de espaços fechados Diana Catarina (que se encontra um tanto assustada). Pessoas que gostam de cantar Ramones num metro cheio de gente aos altos berros ou balbuciar outra coisa qualquer. Há a teoria que tudo isto é um código para o exercício de actividades ilícitas (ou então é só mesmo maluquice). 

First listens e coisas deste género são a pior coisa: uma pessoa ouve o álbum, uma pessoa quer o álbum, mas o álbum ainda não saiu. É deveras irritante, porque não dá para fazer scrobble no Last-Fm. E eu QUERO FAZER O SCROBBLE PORQUE EU SOU BUÉ FIXE! (Diana Catarina precisa, claramente, de afirmação social.)

quinta-feira, 22 de março de 2012

E é claro: possivelmente o meu poema preferido do O'Neill


  
Nos teus olhos altamente perigosos 
vigora ainda o mais rigoroso amor 
a luz dos ombros pura e a sombra 
duma angústia já purificada
  
Não, tu não podias ficar presa comigo 
à roda em que apodreço 
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila 
quase medita
e avança mugindo pelo túnel 
de uma velha dor
  
Não podias ficar nesta cadeira 
onde passo o dia burocrático 
o dia-a-dia da miséria 
que sobe aos olhos vem às mãos 
aos sorrisos
ao amor mal soletrado 
à estupidez ao desespero sem boca 
ao medo perfilado 
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca 
do modo funcionário de viver
  
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido 
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa 
puríssima da madrugada 
mas da miséria de uma noite gerada 
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós 
traz docemente pela mão 
a esta pequena dor à portuguesa 
tão mansa quase vegetal

Mas tu não mereces esta cidade não mereces 
esta roda de náusea em que giramos 
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual 
esta nossa razão absurda de ser
  
Não, tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas 
e o cemitério ardente 
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio 
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia 
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
  
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento 
digo-te adeus 
e como um adolescente 
tropeço de ternura 
por ti

- Alexandre O'Neill

E também o Dia Internacional da Cor

"Autumn Landscape with Boats" 
Vasily Kandinsky

Diz que ontem foi o Dia Internacional da Floresta

E eu já plantei umas duas árvores nesta minha vida, tudo na secundário.
O saldo é já bastante satisfatório.
Sou uma pessoa muito pró-activa.

segunda-feira, 19 de março de 2012

É que mete raiva!

Se há coisa para a qual eu não tenho paciência é putos universitários a fazer barulho como se fossem putos de secundário. Caso não tenham percebido: eu não gosto de putos de secundário; nem de miudinhas de secundário e isto é especialmente mau agora com a exposição do Pessoa na Gulbenkian (ide visitar que é bué baril) e os autocarros de miudinhos do 12º ano em excursão para a visitar. Aliás, nos jardins da Gulbenkian é vê-los (e a outros miudinhos igualmente irritantes) saltitar por entre as árvores como se não existissem caminhos (mas ya, partir o bambu e atazanar os patos no seu meio aquático é bué da fixe).
Mas retomando: putos universitários com a mania que ainda estão no secundário, achando por bem fazer barulho numa aula, ao ponto de perturbar o seu funcionamento. Odeio. Odeio mesmo. É toda uma raiva contra esta espécie. E como a há! Oh, é vê-los terem side conversations durante a puta da aula TODA. Perceberia-se noutro contexto, como (lá está) no secundário onde as faltas ainda contam para chumbar e coisas e traquitanas. Agora, será que numa aula de ensino superior há mesmo a necessidade de lá porem os pés para isto? Há mesmo? A sério? De verdade?
Foda-se.
Irrita para c******.

sábado, 17 de março de 2012

O amor é sobretudo isto

É este percorrer as sucessivas idades da vida de mão dada.


"Querida. Se tu viesses. Gostava tanto de te ver. Em qualquer idade da vida, que em todas estarias certa com a minha necessidade de te amar. Na idade jovem do teu cabelo à garçonne, na tua idade azougada em que eras mais energética do que a vida, mulher eléctrica, quando eu ficava estoirado só te ver. Ou mais tarde, à hora desta deusa da Primavera que tenho aqui. Ou mesmo já no fim, quando te levava pela mão, já trôpega, atrapalhada com todas as peças de seres, e íamos almoçar ao restaurante em frente de casa. Se viesses. E todavia. Se viesses, talvez te não pudesse dizer já o que te digo, porque para as palavras difíceis uma presença é inoportuna."
Em Nome da Terra, Vergílio Ferreira 

Olá

Está aí alguém?

quarta-feira, 14 de março de 2012

"Se acreditarem em mim, crendo que a alma é imortal e capaz de suportar todos os males e todos os bens, seguiremos sempre o caminho para o alto, e praticaremos por todas as formas a justiça com sabedoria, a fim de sermos caros a nós mesmos e aos deuses, enquanto permanecermos aqui; e depois de termos ganho os prémios da justiça, como os vencedores dos jogos que andam em volta a recolher as prendas da multidão, tanto aqui como na viagem de mil anos que descrevemos, havemos de ser felizes."
 A República, Livro X
Platão