sábado, 13 de agosto de 2011

Outras questões de timming

O meu portátil está para morrer, é vê-lo definhar. Quero acreditar que isto tudo também são saudades minhas, que com a emoção de estar longe e não lhe ter pegado por uma semana e tal se lhe dêem assim umas travadinhas bem desajustadas às minhas necessidades e paciência.
Também tem um excelente timming este...

On the road, on the run

A primeira vez que senti isto tinha acabado de ler o On the Road e a minha vontade era partir, descobrir o mundo com uma mochila às costas e afastar-me do quotidiano rotineiro.

Acima de tudo quero sentir-me esmagada pela beleza do mundo. Só isso...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

"Maria corroera seriamente o seu fanatismo. Até aqui ela não tinha afectado a sua resolução, mas a verdade é que preferia não morrer. Renunciava de boa vontade, desistiria de acabar como um herói ou um mártir. Não aspirava às Termópilas, nem desejava ser o Horácio de alguma ponte ou o rapazinho holandês, com o dedo no buraco do dique. Gostaria de continuar ainda muito tempo, uma eternidade, com ela."


- Por Quem os Sinos Dobram, Ernest Hemingway

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Dúvidas existenciais

Apenas há pouco mais de um ano e meio é que percebi que afinal a garagem da vizinha não era de facto usada num sentido mecânico literal. O meu mundo desabou lá por uns 3 minutos, mas uma questão premente levantou-se de seguida, vindo a atormentar a neurose e a precisar de ser resolvida antes de toda a panóplia de experiências das festas da minha aldeia este ano: quando o Quim Barreiros diz que é um mestre da culinária e sabe enfeitar a travessa e cenas e tais, ele está a falar de facto num sentido estritamente gastrónomico, não está?
A minha inocência está perdida...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Vou culpar o vazio intelectual pelo estado corrente das coisas. É isso e o facto de não ter grande coisa para fazer além de pensar na vida e no que quero eu dela e acabar às 4 e meia da manhã, com o brilho da lua a entrar por entre os cortinados a reflectir na parede a madrugada, num contínuo sentimento solitário.
Mas depois amanhece e com a promessa de um novo dia tudo se relativiza e estas coisas ficam comigo.
É uma linha ténue a que separa o fundo do poço do correcto funcionamento da felicidade e eu zigazegueio entre as duas realidades, sem saber em que pé estou. A verdade é perspectiva e esta coisa do relativizar não ajuda assim tanto, porque ainda que por aqueles 30 segundos de desespero encobertos pelos lençois estou sozinha.
I'm just fucked up...
Sinto-me sempre uma rapariga bastante crescida cada vez que vou ao Pingo Doce fazer compras igualmente crescidas como iogurtes, sumo, gelado, tostas, etc. É coisa de gente adulta isto de fazer compras no supermercado. E eu gosto de me sentir assim crescida, especialmente porque é a única forma de o sentir.
Eu pensava que seria diferente (são sempre as expectativas que lixam tudo). Ou não. Aliás, acho que nunca pensei muito nisto.
Vivi a vida, sobrevivi, agarrada sempre à ideia de fazer 18 anos e entrar para a faculdade, sem pensar muito no que faria depois disso e desde então tenho vivido à base do improviso. Cheguei aos 19 sem uma ideia clara do que faria daqui adiante. Viver sem objectivos ou planos a médio e longo prazo é assustador.
Quando me perguntam onde me imagino daqui a dez anos não sei o que responder. Não sei sequer se estou cá daqui a dez anos. Nunca pensei estar aqui agora (oh o dramatismo). Mas a falta de visão de futuro é terrível e eu não convivo bem com a falta de planos e objectivos.
Assusta-me o não saber. Assusta-me ter 19 anos e ainda não ter feito nada de produtivo com a minha vida, algo de vísivel, que permaneça. É esse o meu maior medo: morrer sem ter deixado nada para trás. O não saber se para além de mim vai sobreviver algo e a perfeita consciência da efemeridade da vida.
Isto escrito parece a maior parvoíce: tenho 19, estou na fase do indeciso, tentar perceber o que vem a seguir, experimentar, errar, tentar outra vez, continuar. Mas é complicado viver sem rede de segurança e gerir o medo de me espatifar no chão, sem salvação.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

"this is the first day of my life"

Ouvir Bright Eyes às 3.27 da manhã é coisa que não se deve fazer, é coisa para deprimir a qualquer hora, mas especialmente agora dado que a noite é propícia à reflexão e acaba-se sempre por chegar à mesma conclusão: eu devia estar na cama que o meu mal é sono. 
Mas depois o Conor diz algo como:
 "This is the first day of my life 
I'm glad I didn't die before I met you 
Now I don't care, I could go anywhere with you 
And I'd probably be happy"

E aí tudo se relativiza. 

sábado, 16 de julho de 2011

De qualquer das formas


Durante a próxima semana conto estar aqui... outra vez. Isto é, se o negócio não sair furado e aquilo for afinal um palheiro ou pior... Adiante. Toda a gente já com certeza ouviu falar sobre a onda crescente de violência que varre a nossa costa algarvia e não é apenas a violência de preços que usamos para sacar dinheiro aos turistas, diz que é violência a sério com miúdos a barricarem-se dentro de prédios e  reforços de segurança da GNR, mesmo que estes não andem a usar pistolas.  E eu não gosto de violência e armas e eu sou uma moça pequena e vulnerável, portanto eu só queria dizer que, caso for apanhada numa espiral de delinquência e criminalidade (Santo Agostinho me salve e guarde) ou então que me caia uma falésia em cima (pode ser que topografia se mantenha intacta, fingers crossed) tive uma vida do caraças até agora. Tive amigos porreiros e fofinhos e morro apaixonada (gosto muito de ti, ouviste?) e isso é muito bom. 
Em todo o caso, se acabar por correr tudo bem e eu regressar intacta tanto melhor. É de longe o preferível, acho que para todos nós, não? Exacto.
Vá, a ver se o Verão anima um bocadinho. 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ouve a voz da razão, Diana Catarina. Ouve o Noel, ele sabe o que diz.


Hold on!
Hold on!
Don't be scared
You'll never change what's been and gone
May your smile (May your smile)
Shine on (Shine on)
Don't be scared (Don't be scared)
Your destiny may keep you warm
'Cause all of the stars
Are fading away
Just try not to worry
You'll see them some day
Take what you need
And be on your way
And stop crying your heart out
Get up (Get up)
Come on (Come on)
Why you scared? (I'm not scared)
You'll never change what's been and gone
'Cause all of the stars
Are fading away
Just try not to worry
You'll see them some day
Take what you need
And be on your way
And stop crying your heart out
(...)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

A felicidade trabalha por turnos. Marca o ponto, tira férias. Desconfio que também faz ponte quando há feriados às quintas e terças-feiras. Quando parece que é desta, sim, agora sim, todo o universo se vai alinhar e vamos ter um pouco de descanso (é Verão, caraças) acontece sempre qualquer coisa capaz de deitar por terra qualquer esperança de uma vida descansada. Uma palavra brusca é quanto basta. E depois as inesperadas. É estúpido. E depois admiram-se que uma pessoa se revolte, seja igualmente brusca e não ande aos saltos e rodopios de sorriso na cara. Acaba por ser um ciclo vicioso.
Há sempre algo desalinhado e a vida acaba por ser um jogo de malabarismos, onde tentamos ter vários pratos a girar ao mesmo tempo. O problema é quando não dá mais e um acaba sempre por cair. Ou então nós próprios caímos de exaustão e parte-se a loiça toda, os cacos espalhados pelo chão e um irremediável sentimento de desilusão. 
E podia ser diferente, não devia ser assim. 

E depois a semana também foi parva

Um bocado idiota e quando digo um bocado quero dizer muito, muito estúpida.
Salvo momentos capazes de iluminar o meu coração e de o salvar do fundo do poço.

Até que nem foi assim um tão grande desperdício de dia

Os dois vestidos depois de arranjados ficam finos e ainda açambarquei uma mala e um crepe...

sábado, 9 de julho de 2011

"stay young, go dancing"


"As the music plays
Feel our bodies' sway
When we move as one
We stay young
(Go dancing)"

Posso só dizer uma coisa?

O Google+ é muita porreiro. 
Já mandei o facebook às urtigas, muuuuahahahah, e desconfio que eu e o meu novo amigo + vamos ser muito felizes juntos. 
Ah, o maravilhoso mundo das redes sociais. 

sexta-feira, 8 de julho de 2011

"Era melhor teres vindo à mesma hora"

"- Por exemplo, se vieres às quatro horas, às três, já eu começo a estar feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sinto. Às quatro em ponto hei de estar toda agitada e toda inquieta: fico a conhecer o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca vou saber a que horas hei de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito..."
- O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry

Alive, tu matas-me

Da minha casa consigo ouvir ruídos do Alive. Entre nós apenas um rio e uma Almada e o som aparentemente consegue chegar até mim mesmo que não seja perceptível. Eu ia dizer que estou profundamente deprimida por não estar lá neste momento, mas depois encontrei chocolate no frigorífico o que colmata de forma relativamente eficaz a perda. Tudo bem que não é nenhum Dave Grohl, mas os processos e reacções químicas no cérebro são semelhantes. 

É esperar que o chocolate (ou gelado, também é aceitável) dure para toda a época festivaleira, dado que este ano não há sol, Meco ou Rock 'n Roll nem coisa que o valha. 
O Verão vai ser duplamente deprimente. 
Bah. 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

«"I will come," said Peter, but he sat on for a moment. What is this terror?  what is this ecstasy? he thought himself. What is it that fills me with extraordinary excitement?
It is Clarissa, he said.
For there she was.»
- Mrs Dalloway, Virginia Woolf