domingo, 10 de abril de 2011

Assim também eu quero ir passar um fim-de-semana a Matosinhos

Mas os congressistas socialistas andaram nos psicotrópicos? Foi assim uma trip colectiva no quarto de hotel do secretário-geral?
E realmente, tomara a muitos terem a clarividência do nosso primeiro-ministro. 


Mas ninguém avisou a Ana Gomes (o e-mail do Silva Pereira deve ter ido parar ao spam) qual o objectivo deste Congresso: a exaltação... perdão... unidade em torno do líder.

O Paulo Portas abriu a caixa de Pandora: agora todos eles se comovem e deixam transparecer uma lagrimita no canto do olho perante a demonstração de carinho e afecto dos seus camaradas. Mas é enternecedor ver Sócrates comovido. Também  assim quero ver o Louçã e o Passos perante as suas plateias. O Jerónimo não, esse é de outro tempo.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Diana Catarina está a sofrer de esquizofrenia eleitoral

Uma pessoa sabe que algo de muito errado se passa quando o Paulo Portas e o CDS parecem ser a voz da razão.
Vou só ali atirar-me da ponte ou atirar-me aos textos de APC: a perda pessoal e sofrimento são equivalentes. 

Constatação da Noite

Eu: acho que vou emigrar para a Irlanda.
Pessoa: mas também já lá está o FMI
Eu: pois, mas eles têm melhor cerveja.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Estás a ver tu e eu? É isto

Mas tu voltas, sempre.
"I step too close to your boundaries
You wanted nobody around to see
You feel vulnerable around me
Hey baby
What is love?
It was just a game
We both played and we can't get enough of"

sábado, 2 de abril de 2011

"E tivesse eu a eloquência nas palavras para dizer o quanto doi. Expressar em quatro ou cinco linhas o quão assustadora a perspectiva do futuro se assemelha ou em três ou quatro palavras o receio do que se adivinha. 
Falta o dom para as palavras, desenhar com o alfabeto o retrato do que agora sinto e fervilha por dentro. A partir do pulsar mecânico do coração alinhado com as sinapses e actividade química do cérebro, o rei sem trono deste reino que aprisiona a alma, a consciência do fim. Um lugar comum. 
A vida é um lugar comum. Nós é que gostamos de inventar, criar problemas e num pensamento paranóico e egoísta termos a certeza que somos diferentes, especiais, nada se compara aos nossos pequenos grandes problemas irreflectidamente hiperbolizados pela condição humana. Convencemos-nos que somos especiais, mas apenas fazemos parte de um lugar-comum em que vivemos aprisionados. 
Assim, a vida é mais fácil de aguentar, se pensarmos que de facto existe um sentido para isto tudo, um propósito quando não, na verdade não há um plano pré-definido e temos todos a mesma vida, vivemos todos neste rudeza de lugares comuns a que chamamos existência. 
Se fizesse sentido, o fim não era este. Se o universo fosse justo não estava à sua cabeceira neste quarto de hospital. 
A vida não passa de um lugar comum, que corre invariavelmente para o mesmo fim e aí descemos ao que realmente sempre fomos, descemos à elementar condição humana da qual teimosamente ansiamos escapar. No fim, é tudo o mesmo, voltamos à terra e elevamo-nos ao universo e regressamos ao cosmos, à ordem do alinhamento das estrelas. O pó.
Tomara eu ser dotada da eloquência necessária de dizer isto e fazer perceber o quanto doi. Mata. Destroi. Porque mesmo conscientes de que nada eterno, a iminência do fim continua a ser o abismo que nos olha persistente e desafia o passo em frente. E não há como voltar atrás. 
Não há nada de digno na morte, apenas coragem."
- 10 de Março, 2011
"ordena-se aos servidores de Cristo, sejam eles reis ou governantes, juízes ou militares, soldados das províncias, ricos ou pobres, livres ou servos de ambos os sexos, que tolerem o Estado se for necessário, mesmo sendo o pior e mais depravado e que adquiram para si, pelo preço de uma tolerância, uma morada esplendorosa na santíssima e augustíssima cúria dos anjos, na república celeste onde a vontade de Deus é a lei." 
- A Cidade de Deus, Livro II, Santo Agostinho

terça-feira, 29 de março de 2011

Prioridades

 



OU  








"Os dias de cão já não são!
Os dias de cão já não são!
Os cavalos avançam!
Os cavalos avançam!"

E foi brutalissimo. Beber café enquanto o soundcheck. O partilhar da cadeira com o Pedro da Rosa d'Os Golpes. Ouvir um "boa tarde" do Luís Afonso d'Os Golpes. Ouvir a exclusivíssima "Dias de Cão" (a cover da música da Florence onde eles mexeram tanto que já não é cover). E deliciar-me com O Amor Separar-nos-á e a Paixão. Ah! e o dançar mesmo sentada no Vá Lá Senhora. 
Os Golpes são Amor ♥

Constatação do Dia

Professor de Direito Constitucional em versão animada. E por sinal faz um frango frito do caraças. 

Agora até eu começo a desenvolver uma valente crush pelo Santo Agostinho

Era realmente um  homem muito sensual. E escorpião, ainda por cima. 
E escreveu coisas do caraças, geniais e maravilhosas: "Compreendei que não viestes  a este mundo se não para sair dele. Passais pelo mundo em constante luta para chegar a quem fez o mundo. Que não vos perturbe os amantes do mundo, que desejariam não se ir - jamais - do mundo, ainda que tenham de ir-se, por vontade ou pela força; não vos enganem, não vos seduzam. Estas adversidades não são escândalos, sede bons, e aquelas vos servirão como provações. A tribulação que nos caiu em cima será para ti o que tu queiras. Provação ou condenação. Será o que fores tu mesmo. A tribulação é o fogo que te purifica se tu fores oiro, se fores palha far-te-á em cinzas." - Sermão 81

sexta-feira, 25 de março de 2011

Caminho


I

Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...

Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.
- Camilo Pessanha
E as seis de quinta até vieram rápido, mas com um bruta de uma constipação que quase me deixou de cama. Mas já estou melhorzinha, obrigada. Da constipação pelo menos...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Porque é Dia Mundial da Poesia e porque andei a pensar o dia todo em Pessoa e porque é assim um bocadinho como me sinto

E é bom saber que não sou a única a quem lhe apetece dar uns bons tabefes ao Ricardo Reis, e à Lídia por ter ido na conversa dele...

"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
~  Álvaro de Campos"

domingo, 20 de março de 2011

Que as seis horas da próxima quinta-feira venham rápido. Tipo já.
Esta semana vai ser para esquecer.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Tilly, Tilly... tu não me lixes.
Estou fodida com esta cena.

Correcção: eu estou é fodida com a vida.

Há um ano atrás

Houve Porto. Este ano, há Dia da Defesa Nacional. Ninguém merece.
Vou passar o dia inteiro a desejar por tudo estar aqui com as minhas ternuras de sempre.




quarta-feira, 16 de março de 2011

Diálogo existencial entre o coração e a razão

Razão: É do meu entendimento que já te andas a meter em trabalhos.
Coração: Eu? Não, não. (com ar embaraçado) Eu... pronto... não tenho culpa, não é? Eu cá só bombeio o sangue, lá em cima é que decidem se mais depressa ou devagar. Lá devem ter os seus porquês.
Razão: Pois, nisso tens razão, tenho de ter uma conversa com as sinapses, mas repara: tu não podes ir assim desenfreado. Eu sei que já estás bem recompostinho, mas isto não pode ser assim, coração... 
Coração: Mas porquê? Tu acaso já andas com as tuas manias, a fazer racionalizações desmesuradas e a tentar perceber para onde isto vai dar? Tu é que devias parar quieta e deixar-te sossegadinha!
Razão: É preciso alguém que tenha cautela: tu sabes que ele é o único que ainda te pode esfrangalhar e isso não seria agradável para ninguém.
Coração: (ar presunçoso) Deixa-me ir que eu sei o que estou a fazer... depois logo se vê.
Razão: Depois não digas que eu não avisei! 

Minha querida Maria Helena Martins

Vá, vamos lá acabar com a brincadeira, sim? É que já me está a começar a assustar. Vamos lá parar com isto...

sábado, 12 de março de 2011

"e um insecto esmagado sobre a última letra"

"não acredito que não haja comboios que partem nem que os cachos apodreçam nas vides, não acredito que eu morra, admito as fraldas, a algália, as dores, o ouriço mas não faz sentido eu morrer e por não fazer sentido fico, mesmo que
- Faleceu
fico, mesmo que não respire, o soro parado e a linha do ecrã uniforme fico, a minha mãe a descobrir-me
- Antoninho
e por conseguinte fiquei, depois da casa vendida eu aqui, depois de outro doente no meu lugar eu aqui, a um canto mas aqui, sem darem por mim e aqui"
~ Sôbolos Rios que Vão, António Lobo Antunes