terça-feira, 29 de março de 2011

Prioridades

 



OU  








"Os dias de cão já não são!
Os dias de cão já não são!
Os cavalos avançam!
Os cavalos avançam!"

E foi brutalissimo. Beber café enquanto o soundcheck. O partilhar da cadeira com o Pedro da Rosa d'Os Golpes. Ouvir um "boa tarde" do Luís Afonso d'Os Golpes. Ouvir a exclusivíssima "Dias de Cão" (a cover da música da Florence onde eles mexeram tanto que já não é cover). E deliciar-me com O Amor Separar-nos-á e a Paixão. Ah! e o dançar mesmo sentada no Vá Lá Senhora. 
Os Golpes são Amor ♥

Constatação do Dia

Professor de Direito Constitucional em versão animada. E por sinal faz um frango frito do caraças. 

Agora até eu começo a desenvolver uma valente crush pelo Santo Agostinho

Era realmente um  homem muito sensual. E escorpião, ainda por cima. 
E escreveu coisas do caraças, geniais e maravilhosas: "Compreendei que não viestes  a este mundo se não para sair dele. Passais pelo mundo em constante luta para chegar a quem fez o mundo. Que não vos perturbe os amantes do mundo, que desejariam não se ir - jamais - do mundo, ainda que tenham de ir-se, por vontade ou pela força; não vos enganem, não vos seduzam. Estas adversidades não são escândalos, sede bons, e aquelas vos servirão como provações. A tribulação que nos caiu em cima será para ti o que tu queiras. Provação ou condenação. Será o que fores tu mesmo. A tribulação é o fogo que te purifica se tu fores oiro, se fores palha far-te-á em cinzas." - Sermão 81

sexta-feira, 25 de março de 2011

Caminho


I

Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...

Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.
- Camilo Pessanha
E as seis de quinta até vieram rápido, mas com um bruta de uma constipação que quase me deixou de cama. Mas já estou melhorzinha, obrigada. Da constipação pelo menos...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Porque é Dia Mundial da Poesia e porque andei a pensar o dia todo em Pessoa e porque é assim um bocadinho como me sinto

E é bom saber que não sou a única a quem lhe apetece dar uns bons tabefes ao Ricardo Reis, e à Lídia por ter ido na conversa dele...

"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
~  Álvaro de Campos"

domingo, 20 de março de 2011

Que as seis horas da próxima quinta-feira venham rápido. Tipo já.
Esta semana vai ser para esquecer.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Tilly, Tilly... tu não me lixes.
Estou fodida com esta cena.

Correcção: eu estou é fodida com a vida.

Há um ano atrás

Houve Porto. Este ano, há Dia da Defesa Nacional. Ninguém merece.
Vou passar o dia inteiro a desejar por tudo estar aqui com as minhas ternuras de sempre.




quarta-feira, 16 de março de 2011

Diálogo existencial entre o coração e a razão

Razão: É do meu entendimento que já te andas a meter em trabalhos.
Coração: Eu? Não, não. (com ar embaraçado) Eu... pronto... não tenho culpa, não é? Eu cá só bombeio o sangue, lá em cima é que decidem se mais depressa ou devagar. Lá devem ter os seus porquês.
Razão: Pois, nisso tens razão, tenho de ter uma conversa com as sinapses, mas repara: tu não podes ir assim desenfreado. Eu sei que já estás bem recompostinho, mas isto não pode ser assim, coração... 
Coração: Mas porquê? Tu acaso já andas com as tuas manias, a fazer racionalizações desmesuradas e a tentar perceber para onde isto vai dar? Tu é que devias parar quieta e deixar-te sossegadinha!
Razão: É preciso alguém que tenha cautela: tu sabes que ele é o único que ainda te pode esfrangalhar e isso não seria agradável para ninguém.
Coração: (ar presunçoso) Deixa-me ir que eu sei o que estou a fazer... depois logo se vê.
Razão: Depois não digas que eu não avisei! 

Minha querida Maria Helena Martins

Vá, vamos lá acabar com a brincadeira, sim? É que já me está a começar a assustar. Vamos lá parar com isto...

sábado, 12 de março de 2011

"e um insecto esmagado sobre a última letra"

"não acredito que não haja comboios que partem nem que os cachos apodreçam nas vides, não acredito que eu morra, admito as fraldas, a algália, as dores, o ouriço mas não faz sentido eu morrer e por não fazer sentido fico, mesmo que
- Faleceu
fico, mesmo que não respire, o soro parado e a linha do ecrã uniforme fico, a minha mãe a descobrir-me
- Antoninho
e por conseguinte fiquei, depois da casa vendida eu aqui, depois de outro doente no meu lugar eu aqui, a um canto mas aqui, sem darem por mim e aqui"
~ Sôbolos Rios que Vão, António Lobo Antunes

quinta-feira, 10 de março de 2011

A propósito do Festival da Canção

Antes de mais: gostei de ver os Homens da Luta a ganhar. A música não é má, como a maioria que lá aparece todos os anos, e os moços até têm piada, sendo preferível vê-los lá a eles que o "boom boom yeah" do Axel ou a chinfrineira da Wanda Stuart e semelhantes. 
Não gostaram da decisão final? Boa, bem vindos ao meu mundo. Agora sabem como eu me sinto 95% das vezes. Se eu me lembrasse de fazer uma petição sempre que não concordo com a decisão do público no Festival, não fazia mais nada na vida e andava para aí todos os anos revoltada e extraordinariamente indignada, como foi daquela vez que ganhou uma música do Emanuel cantada por uma moçoila assim mesmo dada à pimbalheira. 
Se acho que vamos ganhar? Não. Como de qualquer das maneiras não ganharíamos. Lá as plumas e os brilhantinas e o disco-tecno-dance-house dos senhores de leste são tramados, além de que o sistema de votação leva à solidariedade transfronteiriça. Nós, degraçados, só temos a Espanha que nos dá uns pontinhos mais elevados e os pontos dos emigrantes portugueses. Portanto,  ou a música é mesmo muito boa (e as opções nunca são) ou estamos todos os anos destinados a resultados miseráveis. Agora, pelo menos alegramo-nos um bocadinho. Eu ri-me quando eles ganharam, bati palmas e tudo. E sim, vai ser giro vê-los cantar na Alemanha uma letra que é universal, que promove a mobilização e luta contra a resignação. É a ironia do destino e tem piada. 
Desde que me lembro de ser gente, lembro-me de ver a Eurovisão, comentada pela voz do Eládio Clímaco. Ele às vezes também se revoltava, mas era com o sistema de votação e lá a questão dos países votarem em grande escala nos países com quem fazem fronteira (a Eurovisão é uma experiência sociológica interessante). Lembro-me de uma vez, já o Eládio se tinha reformado das lides eurovisionistas, ser o Jorge Gabriel a comentar e também estar muito indignado com isto. 
A Eurovisão é muito gira e ajuda à coesão da União: nos EUA eles tem as misses, nós temos as canções. É bonita esta competição amigável. 
Portanto, deixem lá ir os moços, que já o ano passado queriam concorrer mas por incumprimento do regulamento (a música tem de ser um original) foram desqualificados, deixem-se de cenas e celeumas que a música até é gira (ou então é a minha tara por megafones que me tolda o bom-senso, pois é capaz de ser isso). 

P.S.: Ainda mais este ano, o Reino Unido leva os (saudosos) Blue da minha pré-adolescencia à Alemanha, sendo que este ano a Eurovisão vai ser baril de se ver. 
A ver a minha vida a andar para trás, a tentar agarrar qualquer réstia de alegria e sentir-me assim bem e contentinha da vida. Mas cada vez é mais difícil. O universo não perdoa e não desiste de seguir num movimento de rotação e translação. O tempo não pára. Só eu me sinto suspensa no espaço, com vontade da imobilidade. Deixar-me estar, sossegada no meu canto, só por um bocadinho. E depois ir à minha vida. Recomeçar, com vontade de um sorriso. 
Por agora tento, sentindo a necessidade de fazer qualquer coisa com a minha vida que me liberte desta letargia. Mas por agora só posso tentar... E de vez em quando, conseguindo. 

quarta-feira, 9 de março de 2011

A ociosidade é tramada

Eu tenho um problema, aliás tenho vários, mas este é especialmente preocupante e uma pesada cruz que eu carrego há já uns 13 anos: a ociosidade. 
Eu, confesso, sou preguiçosa. Ou nem é bem preguiça, mas um dom para a inactividade que se prolonga até ao último momento possível. Isto é particularmente perigoso quando há trabalhos a fazer e textos para ler e cenas a estudar. Tenho conseguido aguentar este difícil equilíbrio entre o não fazer nada durante grande parte do ano lectivo e o andar em papos de aranha nos últimos dias dos prazos de entrega e vésperas de testes com resultados mais ou menos decentes e satisfatórios. Normalmente envolve noitadas, crises existenciais, olhos vermelhos de choro, olheiras e uma atitude "que se foda: vai assim e acabou." quando o word ou o power point ou a (raios a partam) impressora não querem cooperar com o meu bom esforço. No fim disto tudo, vem sempre a mesma promessa: para a próxima faço as coisas atempadamente. Até já pensei em enganar-me a mim própria e convencer-me que a data está mais próxima do que realmente está e arranjar a minha vida para que naquela altura o trabalho esteja feito. Não funcionou. O meu cérebro deve ser sobredotado e percebeu logo que estava a ser enganado. 
O pior é quando os trabalhos são de grupo. No secundário, havia um esquema: sendo os grupos feitos pelo professor ou escolhidos por nós, não havia problema: no primeiro caso já sabia que o ritmo de trabalho ia ser o meu, portanto muito lento, ou no segundo, eram sempre as mesmas moças (bons tempos) e já tínhamos um método bem definido e convicções partilhadas de que ainda havia tempo, depois fazemos, e ficava tudo para a última. A coisa funcionava de qualquer das formas. Era bonito, era agradável, tínhamos notas fixes acabamos com médias decentes. Agora não. É diferente. E tem de ser diferente, senão tenho um esgotamento nervoso a cada semestre e isso não seria nada agradável. 
O problema é a estrutura do meu ser permanecer inalterável. Continua a adiar e a deixar tudo para última. 
O meu cérebro já se convenceu de que não há outra maneira; eu só faço trabalhos geniais sobre pressão. Fico à espera da chamada inspiração e é claro, a besta só vem quando a festa acabou e as luzes se apagaram, a más e tardias horas. 
Falta-me o método. Tenho aprendido que é muito importante delinear os objectivos, os tópicos, o como e o porquê. Eles estruturaram uma (saudosa) cadeira inteira à volta disto o semestre passado, e a partir dela descobri que eu não tenho qualquer sentido de método, e não me safava como escritora, assim a tempo inteiro. Acordar e escrever. Almoçar e escrever. Jantar e escrever e depois acordar e fazer tudo de novo. Trabalhar as personagens, esculpir uma história. Leva tempo, emprega paciência. Eu avanço à base do improviso e diálogos que me surgem às 4 da manhã já estando de lençois puxados até cima e num estado intermédio de vegetação. Invento à medida que avanço, não há plano, moldes, nada pré-definido. E é precisa disciplina para escrever. Enfim, já me resignei a uma carreira literária falhada.
A ociosidade é tramada. Ter uma data de textos e nenhuma paciência para os ler também. Demorar umas boas 2 horas e meia para escrever este post e uns valentes 45 minutos para responder a um e-mail, rápido, é coisa que me irrita. Tenho problemas de concentração e um défice de atenção ilimitado. Mas o bom é que no fim acaba sempre tudo (e miseravelmente decente e bem) feito. 
Resulta. É o que vale... 

terça-feira, 8 de março de 2011

E esqueci-me de te dizer

And then her heart looked at him, smiled, realized: 
"Now, it's over. I'm over you. Out of love and indivisible. And happy."

segunda-feira, 7 de março de 2011

Primavera! Verão! Onde estão?

Uma saudade descomunal do Verão. Quero o Sol e calor e noites quentes e a brisa ao fim da tarde. E gelados! e vestidos curtos! e festivais! E cenas assim giras... coloridas e floridas.
Vou só ali dançar muito descoordenadamente com os Drums a ver se a trovoada, a chuva, o vento e o frio vão embora mais depressa. 
*fingers crossed*


sábado, 5 de março de 2011

Estou noiva!

E o moço conquistou-me com isto. 

"...from my homie to my only
number one!
you lift me off the ground
i always want you around"