segunda-feira, 21 de março de 2011

Porque é Dia Mundial da Poesia e porque andei a pensar o dia todo em Pessoa e porque é assim um bocadinho como me sinto

E é bom saber que não sou a única a quem lhe apetece dar uns bons tabefes ao Ricardo Reis, e à Lídia por ter ido na conversa dele...

"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
~  Álvaro de Campos"

domingo, 20 de março de 2011

Que as seis horas da próxima quinta-feira venham rápido. Tipo já.
Esta semana vai ser para esquecer.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Tilly, Tilly... tu não me lixes.
Estou fodida com esta cena.

Correcção: eu estou é fodida com a vida.

Há um ano atrás

Houve Porto. Este ano, há Dia da Defesa Nacional. Ninguém merece.
Vou passar o dia inteiro a desejar por tudo estar aqui com as minhas ternuras de sempre.




quarta-feira, 16 de março de 2011

Diálogo existencial entre o coração e a razão

Razão: É do meu entendimento que já te andas a meter em trabalhos.
Coração: Eu? Não, não. (com ar embaraçado) Eu... pronto... não tenho culpa, não é? Eu cá só bombeio o sangue, lá em cima é que decidem se mais depressa ou devagar. Lá devem ter os seus porquês.
Razão: Pois, nisso tens razão, tenho de ter uma conversa com as sinapses, mas repara: tu não podes ir assim desenfreado. Eu sei que já estás bem recompostinho, mas isto não pode ser assim, coração... 
Coração: Mas porquê? Tu acaso já andas com as tuas manias, a fazer racionalizações desmesuradas e a tentar perceber para onde isto vai dar? Tu é que devias parar quieta e deixar-te sossegadinha!
Razão: É preciso alguém que tenha cautela: tu sabes que ele é o único que ainda te pode esfrangalhar e isso não seria agradável para ninguém.
Coração: (ar presunçoso) Deixa-me ir que eu sei o que estou a fazer... depois logo se vê.
Razão: Depois não digas que eu não avisei! 

Minha querida Maria Helena Martins

Vá, vamos lá acabar com a brincadeira, sim? É que já me está a começar a assustar. Vamos lá parar com isto...

sábado, 12 de março de 2011

"e um insecto esmagado sobre a última letra"

"não acredito que não haja comboios que partem nem que os cachos apodreçam nas vides, não acredito que eu morra, admito as fraldas, a algália, as dores, o ouriço mas não faz sentido eu morrer e por não fazer sentido fico, mesmo que
- Faleceu
fico, mesmo que não respire, o soro parado e a linha do ecrã uniforme fico, a minha mãe a descobrir-me
- Antoninho
e por conseguinte fiquei, depois da casa vendida eu aqui, depois de outro doente no meu lugar eu aqui, a um canto mas aqui, sem darem por mim e aqui"
~ Sôbolos Rios que Vão, António Lobo Antunes

quinta-feira, 10 de março de 2011

A propósito do Festival da Canção

Antes de mais: gostei de ver os Homens da Luta a ganhar. A música não é má, como a maioria que lá aparece todos os anos, e os moços até têm piada, sendo preferível vê-los lá a eles que o "boom boom yeah" do Axel ou a chinfrineira da Wanda Stuart e semelhantes. 
Não gostaram da decisão final? Boa, bem vindos ao meu mundo. Agora sabem como eu me sinto 95% das vezes. Se eu me lembrasse de fazer uma petição sempre que não concordo com a decisão do público no Festival, não fazia mais nada na vida e andava para aí todos os anos revoltada e extraordinariamente indignada, como foi daquela vez que ganhou uma música do Emanuel cantada por uma moçoila assim mesmo dada à pimbalheira. 
Se acho que vamos ganhar? Não. Como de qualquer das maneiras não ganharíamos. Lá as plumas e os brilhantinas e o disco-tecno-dance-house dos senhores de leste são tramados, além de que o sistema de votação leva à solidariedade transfronteiriça. Nós, degraçados, só temos a Espanha que nos dá uns pontinhos mais elevados e os pontos dos emigrantes portugueses. Portanto,  ou a música é mesmo muito boa (e as opções nunca são) ou estamos todos os anos destinados a resultados miseráveis. Agora, pelo menos alegramo-nos um bocadinho. Eu ri-me quando eles ganharam, bati palmas e tudo. E sim, vai ser giro vê-los cantar na Alemanha uma letra que é universal, que promove a mobilização e luta contra a resignação. É a ironia do destino e tem piada. 
Desde que me lembro de ser gente, lembro-me de ver a Eurovisão, comentada pela voz do Eládio Clímaco. Ele às vezes também se revoltava, mas era com o sistema de votação e lá a questão dos países votarem em grande escala nos países com quem fazem fronteira (a Eurovisão é uma experiência sociológica interessante). Lembro-me de uma vez, já o Eládio se tinha reformado das lides eurovisionistas, ser o Jorge Gabriel a comentar e também estar muito indignado com isto. 
A Eurovisão é muito gira e ajuda à coesão da União: nos EUA eles tem as misses, nós temos as canções. É bonita esta competição amigável. 
Portanto, deixem lá ir os moços, que já o ano passado queriam concorrer mas por incumprimento do regulamento (a música tem de ser um original) foram desqualificados, deixem-se de cenas e celeumas que a música até é gira (ou então é a minha tara por megafones que me tolda o bom-senso, pois é capaz de ser isso). 

P.S.: Ainda mais este ano, o Reino Unido leva os (saudosos) Blue da minha pré-adolescencia à Alemanha, sendo que este ano a Eurovisão vai ser baril de se ver. 
A ver a minha vida a andar para trás, a tentar agarrar qualquer réstia de alegria e sentir-me assim bem e contentinha da vida. Mas cada vez é mais difícil. O universo não perdoa e não desiste de seguir num movimento de rotação e translação. O tempo não pára. Só eu me sinto suspensa no espaço, com vontade da imobilidade. Deixar-me estar, sossegada no meu canto, só por um bocadinho. E depois ir à minha vida. Recomeçar, com vontade de um sorriso. 
Por agora tento, sentindo a necessidade de fazer qualquer coisa com a minha vida que me liberte desta letargia. Mas por agora só posso tentar... E de vez em quando, conseguindo. 

quarta-feira, 9 de março de 2011

A ociosidade é tramada

Eu tenho um problema, aliás tenho vários, mas este é especialmente preocupante e uma pesada cruz que eu carrego há já uns 13 anos: a ociosidade. 
Eu, confesso, sou preguiçosa. Ou nem é bem preguiça, mas um dom para a inactividade que se prolonga até ao último momento possível. Isto é particularmente perigoso quando há trabalhos a fazer e textos para ler e cenas a estudar. Tenho conseguido aguentar este difícil equilíbrio entre o não fazer nada durante grande parte do ano lectivo e o andar em papos de aranha nos últimos dias dos prazos de entrega e vésperas de testes com resultados mais ou menos decentes e satisfatórios. Normalmente envolve noitadas, crises existenciais, olhos vermelhos de choro, olheiras e uma atitude "que se foda: vai assim e acabou." quando o word ou o power point ou a (raios a partam) impressora não querem cooperar com o meu bom esforço. No fim disto tudo, vem sempre a mesma promessa: para a próxima faço as coisas atempadamente. Até já pensei em enganar-me a mim própria e convencer-me que a data está mais próxima do que realmente está e arranjar a minha vida para que naquela altura o trabalho esteja feito. Não funcionou. O meu cérebro deve ser sobredotado e percebeu logo que estava a ser enganado. 
O pior é quando os trabalhos são de grupo. No secundário, havia um esquema: sendo os grupos feitos pelo professor ou escolhidos por nós, não havia problema: no primeiro caso já sabia que o ritmo de trabalho ia ser o meu, portanto muito lento, ou no segundo, eram sempre as mesmas moças (bons tempos) e já tínhamos um método bem definido e convicções partilhadas de que ainda havia tempo, depois fazemos, e ficava tudo para a última. A coisa funcionava de qualquer das formas. Era bonito, era agradável, tínhamos notas fixes acabamos com médias decentes. Agora não. É diferente. E tem de ser diferente, senão tenho um esgotamento nervoso a cada semestre e isso não seria nada agradável. 
O problema é a estrutura do meu ser permanecer inalterável. Continua a adiar e a deixar tudo para última. 
O meu cérebro já se convenceu de que não há outra maneira; eu só faço trabalhos geniais sobre pressão. Fico à espera da chamada inspiração e é claro, a besta só vem quando a festa acabou e as luzes se apagaram, a más e tardias horas. 
Falta-me o método. Tenho aprendido que é muito importante delinear os objectivos, os tópicos, o como e o porquê. Eles estruturaram uma (saudosa) cadeira inteira à volta disto o semestre passado, e a partir dela descobri que eu não tenho qualquer sentido de método, e não me safava como escritora, assim a tempo inteiro. Acordar e escrever. Almoçar e escrever. Jantar e escrever e depois acordar e fazer tudo de novo. Trabalhar as personagens, esculpir uma história. Leva tempo, emprega paciência. Eu avanço à base do improviso e diálogos que me surgem às 4 da manhã já estando de lençois puxados até cima e num estado intermédio de vegetação. Invento à medida que avanço, não há plano, moldes, nada pré-definido. E é precisa disciplina para escrever. Enfim, já me resignei a uma carreira literária falhada.
A ociosidade é tramada. Ter uma data de textos e nenhuma paciência para os ler também. Demorar umas boas 2 horas e meia para escrever este post e uns valentes 45 minutos para responder a um e-mail, rápido, é coisa que me irrita. Tenho problemas de concentração e um défice de atenção ilimitado. Mas o bom é que no fim acaba sempre tudo (e miseravelmente decente e bem) feito. 
Resulta. É o que vale... 

terça-feira, 8 de março de 2011

E esqueci-me de te dizer

And then her heart looked at him, smiled, realized: 
"Now, it's over. I'm over you. Out of love and indivisible. And happy."

segunda-feira, 7 de março de 2011

Primavera! Verão! Onde estão?

Uma saudade descomunal do Verão. Quero o Sol e calor e noites quentes e a brisa ao fim da tarde. E gelados! e vestidos curtos! e festivais! E cenas assim giras... coloridas e floridas.
Vou só ali dançar muito descoordenadamente com os Drums a ver se a trovoada, a chuva, o vento e o frio vão embora mais depressa. 
*fingers crossed*


sábado, 5 de março de 2011

Estou noiva!

E o moço conquistou-me com isto. 

"...from my homie to my only
number one!
you lift me off the ground
i always want you around"


terça-feira, 1 de março de 2011

Para a Suze Rotolo


"Oh, but if I had the stars from the darkest night
And the diamonds from the deepest ocean
I’d forsake them all for your sweet kiss
For that’s all I’m wishin’ to be ownin’


Que inspirou duas das músicas mais bonitas do Dylan: esta e esta
Que agora seja uma das mais brilhantes estrelas no céu escuro...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Blue Valentine

Dean: “I just got a feeling about her. You know when a song comes on and you just gotta dance.”

Blue Valentine

Dean: "I feel like men are more romantic than women. When we get married we marry, like, one girl, 'cause we're resistant the whole way until we meet one girl and we think I'd be an idiot if I didn't marry this girl she's so great. But it seems like girls get to a place where they just kinda pick the best option... 'Oh he's got a good job.' I mean they spend their whole life looking for Prince Charming and then they marry the guy who's got a good job and is gonna stick around."


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Alegria ao Mundo!

Eu ia escrever sobre o pânico das apresentações orais de que padeço (ser avaliada oralmente aterroriza-me, tal como o Canaveira* percebeu hoje na nossa pequena interacção: eu sou o tipo de pessoa que numa apresentação oral de 8 minutos de um livro do Lobo Antunes estende-se durante meia-hora e sobre o Ensaio sobre a Cegueira acha por bem falar durante uns bons três quartos de hora quando devia demorar quinze minutos). 
Ia também falar da filha da puta da dor de cabeça instalada há 4 dias na minha têmpora esquerda, agravada pela francesada da Jeanne d'Arc, que não quer passar nem por nada, estando eu a sobreviver à base da bruta auto-medicação. 

Mas já não vale a pena, porque alegria ao mundo! 

Sufjan Stevens + Eu + Coliseu + Maio = PERFEIÇÃO À QUAL SÓ SE PODE ALMEJAR UMA VEZ NA VIDA. 

YES! YES! YES! YES! OMF'ingGOD, YES! 

______________________________________
*O Canaveira é Deus, já tinha dito? 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Agora com a noção do fim

Mata-me que tenha de ser assim. Desta forma profundamente injusta, diga Adeus. Mata-me este fim. É imerecido. Ela que lutou contra aquilo lá dentro a corromper, a destruir, a matar sem olhar a quem. Não devia ser assim. Ela devia viver até aos 120.
Nestas alturas gostava de conseguir acreditar em Deus. Acreditar em algo mais e ter a certeza que isto não é tudo o que há. Alguém lá em cima vela por ela, por nós. Gostava de acreditar em Deus e rezar. Encontrar nisto conforto, sentir a paz e o sossego por algo inexplicável, saber que não é vão a minha prece. Gostava de conseguir acreditar e pedir-Lhe, argumentar, mostrar-Lhe que não tem de ser assim. 
Porque a mim me mata e assusta. Porque ela é das pessoas mais fortes que eu conheço. Porque afinal de contas lhe devo a vida. Porque foram cinco anos, muito tempo e agora o fim. 
E aquele verso não me sai da cabeça: eu não quero me peguem, me abracem, me confortem, quero que rezem, isto é mesmo maior que nós e só algo maior que nós poderá fazê-lo parar. 
Rezar, e acreditar.