quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri.

Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ali, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.

Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar;
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar
Ah, nesta terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.

Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.

- F. Pessoa

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Rebel Without a Cause

Faria hoje 79 anos e estaria lindo como sempre

"Dream as if you'll live forever, live as if you'll die today."

Assim farei...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Just Say Yes, Love. Oui! Si! Sim! Da! Ja! Yow! Igen! Kylla!

(...)
Just say yes! Do it now!
Let yourself go!
Just leap! Don't look!
Or you'll never know...
If you love it
You might really love it!

So don't tell me
It could all go wrong
No don't tell me
It could all be a mess
Oh don't tell me
It could all be a waste of time
Just say oui! Si! Sim! Da! Ja! Yow! Igen! Kylla!
Just say yes!

Tão a ver...

...aquilo de de dia para dia não saber como me vai a correr a vida?
É que isto hoje foi muito giro, não foi André?

A Lídia devia ter dito não

"Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o o bolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço."

-Ricardo Reis (F. Pessoa)

Mas a vida é tudo isso... as feridas abertas, o sangue que jorra nas veias com o bater do coração. É o amor que sentimos, é a felicidade que nos embala quando um sorriso terno surge na linha da tua boca... o embalo da felicidade...
Sim, que vivamos a vida como se o futuro nada fosse além de uma palavra sem qualquer significado no dicionário; sim, que a vida venha e que siga seu rumo como suposto, como um rio em direcção ao mar...
Mas que assim seja com todo este misto de emoção, a dor do sofrimento e o embalo suave e feliz do amor: tudo isso é viver.

domingo, 31 de janeiro de 2010

I Went To Where The Wilds Things Are...



... and I cried. Na minha mais completa solidão, desertando da companhia parental - como é que o Avatar ainda esgota? -, na minha mais bonita forma de ser, completa com brilhozinhos e pós, chorei quando o Max regressou a casa... Lágrimas de felicidade, de consentimento: porque teremos sempre uma casa para retornar e isso, só por si, é toda a felicidade que precisamos.

Douglas: Will you keep out all the sadness?
Max: I have a sadness-shield that keeps out all the sadness, and it's big enough for all of us.
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Hideaway, well they’ll seat us in the sun,
By the way, know you’ve always been the one,
You’ll ask your reasons why,
What once was yours is mine,
My baby’s gone.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Confidências

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pos-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
- Pablo Neruda

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A propósito,
esta noite no yoga decidi que quando e se me casar a nossa primeira dança vai ser ao som desta Slide Away dos Oasis, de preferência com o Noel a canta-la no seu mais primoroso estado acústico. Sim, porque quando estiver a exercer cargo diplomático em Londres, eu e ele vamos ser melhores amigos...
Qual valsa qual quê! "And we can slide awaaaaay..."  Lindo.

domingo, 24 de janeiro de 2010

E o 1º Grande Album de 2010 Afigura Ser...


Beach House - Norway, de Teen Dream

... o destes dois pequenos. Teen Dream faz-me querer rodopiar em vestidos de tule.
O que me chateia é que tenham concerto marcado no Lux a uma quarta, exactamente na véspera da viagem para o Porto...

We were sleeping till
You came along
With your tiny heart
You let us in the wooden house
To share in all the wealth


Don't you know it's true?
Norway-ay-ay, ay-ay-ay-ay-ay-ay
Norway-ay-ay, ay-ay-ay-ay-ay-ay

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Porque muita coisa muda num ano

Não sou a mesma que era há dois anos atrás: muitas histórias foram escritas neste entretanto. Fui feliz. Estou feliz. Mesmo que do lado de fora não pareça que tenha razões para isso, ando tonta de felicidade, de sorriso nos lábios, pelas ruas a dançar.
Não, não sou a mesma pessoa que era há tempos distantes.
Porque as pessoas não mudam: aprendem, apreendem, conhecem, encontram-se, reencontram-se, crescem.
Porque eu não mudei, mas aprendi, apreendi, conheci, encontrei, reencontrei,
cresci...

"vamos voltar ao princípio, passar a vida a limpo, recomeçar, jogar crapaud ao serão, beber licor de ginja, deixar o caixote do lixo lá fora, num estrépito de palhaço pobre, entre o espanto dos vizinhos e dos gatos, abrir uma lata de caviar e comer lentamente os grãozinhos de chumbo, até que tornados cartuchos de caçadores furtivos, dispararemos um para o outro no fogo-de-artifício de uma explosão final"
- António Lobo Antunes, in Memória de Elefante

Em tempos idos...

"Inocências
É extraordinária a panóplia de diferentes tipos de pessoas que nos rodeiam no nosso dia-a-dia. É igualmente extraordinário observa-las. Aquelas a quem tenho prestado mais atenção são as que entraram este ano para o meu campo de visão nos curtos espaços de tempo que temos de intervalo entre aulas.
Principalmente as raparigas [...].
Passam por mim, numa alegria de quem não tem uma única preocupação no mundo, a não ser este ou aquele rapaz ou esta ou aquela amiga que fez uma qualquer coisa indevida. Saltam (e ainda bem – quem me dera a mim ter razões para me saltar também), gritam, riem, numa inocência há muito perdida nos corações da Humanidade, como se o realmente importante fosse que o amor por aquele João ou Ricardo, André ou Filipe seja recíproco. A mesma inocência que lhes assegura que o futuro vai ser brilhante, exactamente com tudo que foi projectado ou sonhado. Ou talvez ainda nem sequer pensaram nisso: o futuro parece lá tão longe… A mesma inocência que lhes diz – promete - a felicidade.
[...] Estas moças conquistam agora os seus doze, treze anos e eu naquela idade não saltava, não gritava, nem ria com a inocência perfilada agora por elas. Nunca fui muito de inocências, nunca acreditei na veracidade da felicidade eterna, em que todos seremos felizes durante o período da nossa existência. Sempre senti a Humanidade – principalmente a Humanidade – fria e distante. Vivemos nossas vidas, sem realmente as viver: existimos, nada mais. Não vivemos, só cá estamos a passar o tempo, até o tempo nos passar.
Até hoje, a minha crença na Humanidade ainda não foi restaurada, ou melhor, ainda não foi cultivada - não se pode repor algo que nunca existiu -, porém o que sinto agora que a idade avança são raros, escassos momentos de esperança em que, talvez, quem sabe um dia - aparentemente tão distante – acordemos para a vida, aproveitemos o tempo que passa, talvez até viveremos para sempre…
Encontramos o outro ocasionalmente num gesto, num sorriso (mais ou menos bondoso), num olhar. Pode ou não ser para sempre: esse olhar, esse sorriso. Varia. Da nossa disposição e vontade. E isso sabem estes seres que me divirto a observar – às vezes a disposição para gostar do Joaquim não é muita, e mudam para o Manel. Acontece.
Mas a inocência que vejo nestes rostos chateia-me, irrita-me, maça-me. Não pela sua pureza, mas pelo que vem a seguir a ela: o desgosto, a desilusão, a descoberta que o mundo não é às cores, mas nuns tons de cinzento e por mais que queiramos colori-la, não conseguimos: o peso do mundo, o peso da vida parte-nos os lápis (lá se vai o amarelo, o verde, o azul).
Talvez seja por isso que nunca consegui entender a inocência aparente nestes rostos: nunca a senti, nunca a quis sentir. Porquê sentir? Porquê sucumbir a esta inocência que nos martiriza na descoberta da realidade, da verdade?
Pensando bem, talvez seja preferível sucumbir a ela. Pelo menos, durante algum tempo somos como que felizes, inocentes, inócuos, sem pensar em mais nada a não ser: "será que o Rui vai reparar em mim com esta camisola?" (nunca reparam, ou fingem não reparar, como eu já disse os rapazes são criaturas algo básicas). Durante algum tempo somos felizes, pensamos que o mundo está nas nossas mãos, que tudo se resolverá no fim, viveremos como realeza brocada a ouro. O que vier depois virá. Todas as lágrimas de sal que se seguirão, cairão, mas com a satisfação e o contentamento de um dia há muito distante, se viveu na inocência de um mundo colorido, que não este.

14 de Outubro de 2008"

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ora bem...

Dela, quero-lhe o vestido e o namorado...


 Emily Blunt in lovely Dolce & Gabbana

...e da Diane Kruger, contento-me com este Christian Lacroix Haute Couture, se bem que o Joshua Jackson não é nada de se deitar fora não senhor...


Sobre a Minha Não Carreira Política

Ora aí está.
Mas tenho sempre a carreira diplomática em Nova Iorque à minha espera.

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P.S.: Lista B 4ever...

domingo, 17 de janeiro de 2010

Sobre a Minha Carreira Política

Descobri que não nasci para ser Paulo Portas em feiras.
Mas nasci, isso sim, para ter um megafone na mão, mesmo que tal cenário seja extremamente perigoso para a saúde dos demais (obrigada, Telma, pela brilhante ideia de me pores um megafone nos braços).
Descobri igualmente que pensar muito não dá resultado e os meus melhores discursos acontecem exactamente nos momentos em que o meu cérebro se deixa levar. Basicamente, é o mesmo processo da bebedeira: quando já não penso no que digo, é quando tenho as minhas mais interessantes conversas...

Amanhã decide-se o meu futuro na política. Sim, porque ganhar ou não as eleições a nível escolar do Parlamento dos Jovens é o primeiro passo para uma carreira brilhante na Assembleia portuguesa, e isso é, claramente, senso comum.
Veremos...

E foi de mim ou a campanha eleitoral rullou? Pois, também me dá a crer que sim... Se nem os Queen nem os rebuçados produziram efeitos no eleitorado, tenho sempre a carreira diplomática à minha espera...

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P.S.: Lista B 4 ever...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A propósito

"A vida é a hesitação entre uma exclamação e uma interrogação. Na dúvida, há um ponto final."
 - Fernando Pessoa

domingo, 10 de janeiro de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Eu devia amar Janeiro

É a ressaca do Natal, o que significa dinheirinho de prendas para gastar; há saldos,  o que é sinónimo de malas, vestidos e sapatos lindos, lindos, lindos de morte à minha espera na Zara, H&M e Pull and Bear.
O problema é que faz frio, o que significa que só vou poder estrear  todas estas coisinhas bonitas lá para a Primavera, quando começar a aquecer e o Sol a brilhar... Não é justo, pois não é não senhor.

Ontem fui feliz a desbaratar na Fnac. Resultado: D'este Viver Aqui Neste Papel Descripto do A. Lobo Antunes, o cd/dvd do David F. e o cd/dvd do J. Buckley, Grace Around the World, além de umas sabrinas cinzentas lindas, lindas, lindas, mas lindas de morte da Pull and Bear, compradas supostamente com o dinheiro que queria guardar para ver se ia a algum concerto bonito antes do Verão (tipo The XX se ainda não tivesse esgotado... vou ali entrar em depressão e já volto). Não, eu não tenho auto-controle absolutament rien quando tenho em minha posse material monetário. E sim, sou eu que digo que o dinheiro era coisa bonita para se abolir...
Hoje fui desbaratar para os saldos. Resultado: coisa pouca... uma saia e uma camisola, igualmente lindas lindas lindas de morte... É impressão minha, ou este ano não há nada de extraordinariamenre interessante em saldos? E aquilo que há, nunca é do meu tamanho... C'est très triste...

Acordei igualmente com uma bruta de uma constipação, cuja única coisa positiva é a minha voz estar mais agradavelmente passível de ser ouvida, não estando nos seus tons estridentes habituais - qualquer dia só os cães me vão conseguir ouvir. Só espero que isto me passe até segunda, que eu não tenho vida para ficar aqui feita tonta doente em casa...
Estou oficialmente a morrer...
Ou isso, ou estou simplesmente ressacada...
Uma das duas...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

In The New Year

Ainda sobre o novo ano...
Vai tudo correr bem: mesmo com uns tantos (muitooooos) obstáculos, a coisa vai-se endireitar e vou fazer de 2010 um ano do caraças.

...
I know that it's true
It's gonna be a good year.
Out of the darkness
And into the fire...
I'll tell you I love you
...