sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"Para atravessar contigo..."


Se ainda não tivesse partido, Sophia de Mello Breyner faria hoje 90 anos de idade.
Sophia escreveu vários dos meus poemas preferidos. Este foi o primeiro que li seu e o que me fez apaixonar pela sua obra.

"Para atravessar contigo o deserto do mundo,
Para enfrentarmos juntos o terror da morte.
Para ver a verdade,
Para perder o medo.
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixo o meu reino.
Meu segredo,
Minha pérola redonda e meu oriente,
Meu espelho, minha vida,
Minha imagem.
E abandonar os jardins do paraíso.

Cá fora à luz sem víeis do dia duro
Sem os espelhos
Vi que estava nua.
E ao descampado se chama tempo.

Por isso,
Com teus gestos me vestistes
E aprendi a viver em pleno vento."

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

"Outubro quente traz o diabo no ventre."*

E não podia ser mais verdade. Outubro foi um mês parvo. Começou assim de mansinho como quem não quer a coisa e veio a descalabrar por aí fora. Uma tonteria de mês: ia-me morrendo para aí, várias vezes atropelada à vinda para casa e quase que me ia matando nas sacanas das escadas; tudo aquilo que tinha como verdade e certo em Setembro, caiu por terra em Outubro; trabalho, muito trabalho e vontade ou motivação nenhuma para o fazer - perdeu-se completamente e ainda não foi encontrada...
Resumindo, Outubro foi um fastio de mês. E Novembro também não começa muito bem...

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"mal cessou de existir cessei de existir, falecemos com a morte dos outros, sobra o nosso espantalho que nem os pássaros assusta derrubando coisas de que desconhece o manejo."
-A. Lobo Antunes
in Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?   

É muito provável que num momento de delicada sanidade mental, ler A. Lobo Antunes não é a forma mais fácil de ultrapassar uma deprimência. Por isso e hoje mesmo, começo o Amor de Perdição do C. Castelo Branco; para ver se me alegro um bocadinho, com eles a morrerem todos por amor no final... É bonito.

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*provérbio popular, que isto é um blog muito culto

domingo, 1 de novembro de 2009

António Sérgio (1950-2009)



Neste momento, todas as palavras me parecem insuficientes para descrever esta perda.

Como diz Miguel F. Cadete, nesta homenagem da Blitz:
"Sérgio, aqueles que amam a música e a sua partilha te saúdam mais uma vez, que não a última." 

Aqui, o saluto.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pois, que hoje que Diana se resolveu ir ao médico por causa da queda

Volvida uma semana e um dia da queda que ia privando Diana da sua existência, ainda há dores e nodoas negras no braço, que neste momento está tricolor - até nas nódoas negras, Diana se faz arco-íris, é bonito de se ver.
Vendo que a dor ao fazer esforço físico não desvanece, nem pouco mais ou menos, Diana resolveu por-se a caminho do consultório do médico - é bom que se saiba que Diana é um tanto ou quanto hipocondríaca - e depois de raios-x e batas que não se sabe muito bem como se vestem (era lílas e tudo *.* ), verificou-se que Diana tinha as costas tortas. Explica muita coisa...

Diana tem a chamada escoliose, o que nestas alturas - em que há quem se arrasta e enegre miseravelmente pelos degraus abaixo, como foi o caso - demora mais tempo a curar o trauma. Diana está de receita aviada - um comprimidinho duas vezes por dia - e para a semana não há esforço físico para ninguém, nem E.F. nem yoga...

Diana é agora uma criatura que vive tristemente, visto que as suas doenças acabam sempre no campo da parvoeira. Ou são tontarias causadas pela sua própria parvoíce ou são as costas que estão tortas.  Nem um braço Diana sabe partir. Não parte, mas fica negro. E doi. Diana tem que parar com esta história de beber leite...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

E uma vontade enorme de ouvir...

... David Fonseca.

Enternece-me, meu amor, como só tu consegues...



...
And there’s no one I would rather be with,
Nothing I would rather do,
'Cause I’ve got this dream, this heart that beats,
Outside this silent world, and I’ve got you.
...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pois, que hoje caí...

1.30 da tarde. Vinda para casa. Chuva. Raciocinio lógico da Diana: "pois que era boa ideia abrigar-me debaixo do toldo do prédio para não me molhar". Pois que a Diana até tinha guarda-chuva, pois que até nem estava a chover muito, só mesmo daquelas pingas que nem chegam para lavar o espírito, mas na sua infinita inteligencia, daquela mesmo capaz de maravilhar por ser tanta, a Diana resolve ir na mesma por ali. O dito caminho, ladeado de pequenos cafés e afins, tem escadas, escadas essas que têm degraus, degraus esses que no ultimo vão de escada está exposto à precipitação. Muito concentrada na sua viagem, de phones nos ouvidos, caderno na mão, pois que essa inteligencia rara se lança nas escadas. Outra vez o raciocinio lógico da Diana apresenta-se ao trabalho: "Eu ainda vou cair, e não vai ser bonito...". Pois que acontece a seguir???

Diana caiu e não foi bonito. Diana escorregou no degrau e fez derrapagem até lá abaixo. Diana acabou com o braço esquerdo todo arranhado, negro e inchado e o traseiro numa lástima. Pois que doi. E muito. Diana parecia que estava na Serra da Estrela a fazer sku pelos montes e vales brancos da neve; Diana voltou à infância, só que em vez de um escorrega, havia uma escada com degraus.

Para compor ainda mais o acontecimento, uma alma caridosa de senhor, insistiu para que ela fosse lá ao cafézinho desinfectar a ferida, que vai desde o pulso até ao cotovelo, tão pouco foi a quantidade de degraus pelos quais foi arrastada. "Oh, coiso, traz aí uma pinga de bagaço para desinfectar isto, que a rapariga deu um trambolhão valente ali nas escadas..." (citação livre; foi mais ou menos isto...)Bagaço...  O senhor queria desinfectar isto com bagaço. Ela contrapos: "Não é nada preciso, isto não foi nada... é só uma ferida sem importancia..." e foi-se. Diana agradeceu a gentileza e pos-se a caminho de casa. Pelo caminho, teve que desbravar os mesmos degraus que minutos antes a tinham levado ao chão. Diana desceu-os sem cair novamente. Forte, hein?
O resto do percurso foi feito sem mais precalços. Contudo, foi feito com uma forte dor do derrière. Que persiste... Diana agora vive a cada gesto e cada movimento súbito, tipo sei lá, levantar, sentar ou mexer-se, com uma palavra menos própria pronta a soltar-se da língua...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

"Todas as casas são tristes às três horas da tarde (...)"*

"- Gosto de ti
numa hesitação de círio comigo a pensar
- Vai apagar-se, vai apagar-se
no interior do
- Gosto de ti
a borboleta trémula de um pedido
- Não contes a ninguém"

- A. Lobo Antunes
in Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?*


--Depois não admira que fique deprimida cada vez que poiso o livro--

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Estou com os azeites... E indignadamente indignada.

Hoje estou com os azeites. E estou indignada.

…porque meu irmão por uma dorzinha de garganta (huhuhuhuhu) não vai à escola, enquanto eu mesmo que esteja para ai a morrer, é preciso praticamente cuspir sangue para a minha mãe acreditar;
…porque tenho uma data de coisas para fazer e vontade nenhuma para fazer alguma;
…porque as coisas que tenho para fazer são maioritariamente para A.P.;
…porque A.P. está a ocupar demasiado do meu tempo;
…porque me sinto exausta ao fim de uma manhã de aulas;
…porque ainda só passaram dois meses desde o inicio das aulas e eu já estou completamente arrasada;
… porque o tempo limite das apresentações orais em Português é ridículo;
… porque eu estou lixada com o raio do limite de tempo;
…porque eu odeio limites, tanto de tempo como de palavras;
…porque se me apareceu a parva de uma borbulha mesmo no limite do lábio superior e esta parva dói;
…porque deve ser divertido ver-me suar as estopinhas a cortar um naco de carne;
…porque odeio quando me chamam filha;
…porque odeio conversa fiada à hora do jantar;
…porque odeio conversa fiada, ponto final;
…porque estou com a p*** de uma dor de cabeça, que não se vai nem por nada, mesmo eu estando em risco de uma overdose;
… porque mesmo por escrito, não consigo exprimir palavras menos próprias a uma menina de bem;
…porque eu não devia ser uma menina de bem, mas soltar a bitch que há em mim, mortinha para se manifestar;
…porque já há testes para a semana e eu não me lembro daquilo que andei a dar, excepto a Revolução Russa;
… porque já não tenho espaço no mp3 para o álbum destes moços;
…porque o que eu quero mais é ir enfiar-me debaixo de uma pedra e só ressurgir quando isto tudo acabar;
…porque não passamos de processos químicos e eléctricos do cérebro e isso deprime-me profundamente;
…porque uma bebedeira de sexta à noite só dura mesmo a noite de sexta;
…porque quem eu quero está longe e quem me quer não dá de si.

(...)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

E já estamos naquela altura do ano outra vez. Não, não é o Halloween, o Dia das Bruxas ou lá o que o valha, nem o Dia de Todos-os-Santos, que o desgraçado este ano calha a um sábado (patife!!!), nem tão pouco esse dia tão particularmente especial (que perdura e reluz nos vossos corações, que eu sei)  que é o dia que faz anos que a minha pessoa decidiu nascer - para esse ainda faltam 257 dias.
Não é nada disso, nem tão pouco o início do ano parlamentar e de mais uma legislatura consequente das ultimas eleições... Não, meus amigos!

Chegou aquela altura do ano em que daqui a nada haverá luzinhas coloridas espalhadas por esse Portugal fora, anuncios a perfumes e chocolates a torto e a direito em todo o precioso espaço publicitário televisivo, a Leopoldina e todos os seus amigos, todos contentinhos da vida, a receber-nos de braços abertos "ao mundo encantado dos brinquedos, onde há reis, princesas, ladrões!"  (LADRÕES!!! O quê? Vá se lá perceber o pássaro... )
Sim! Por todo o lado, o Pai Natal começa a espreitar a cada esquina, o azevinho propício à osculação agrega-se por cada canto, os pobres pinheiros começam a cair e os perus de um e qualquer aviário começam a fazer tremer as suas penas. Sim. Chegou aquela altura do ano outra vez. Diz que vem todos os anos. Começa por esta altura e arrasta-se por uns meses. Uma criança nasceu por este tempo. (Não, não és tu Alice. É outra. Diz que fez uns milagres há uns tempos e agora celebra-se o seu nascimento. O único milagre que tu consegues fazer é subtrair comida. O outro multiplica os pães, tu faze-los desaparecer. Enfim, pormenores...).

Meus amigos, alegria ao mundo! Todos para a rua cantar canções de amor e esperança!!! Chegou o Natal!!! O Natal!!! Haverá altura mais bonita que o Natal? Não creio. Não creio nem tão pouco acredito. É hora de nos redimirmos da parvoice que andamos a fazer o ano inteiro; se não, não há cá prendinhas no sapatinho para ninguém. E a mim, até que me fazem muita falta. Ora agora, o meu lado bondoso e caridoso tem dois meses e troca o passo para vir ao de cima. Não há-de ser difícil *cof*cof* Eu que sou uma criatura tãããão, mas tãããããoooo amável os 12 meses do ano.
Com o Natal, vem igualmente algo de extrema importancia: as férias; as abençoadas duas semanas sem fazer nada a não ser enfardar filhoses, farófias e chocolates em frente à lareira, enquanto se maldiz a gordura localizada e a escala da balança. Essas duas semanas, tão ou mais importantes que o nascimento do Messias, - depois vêm os sacanas dos Reis Magos acabar com a festa. Bem que esses três se podiam ter demorado mais umas duas ou três semanas.

Portanto, meus queridos, começam a pensar na vossa listinha de prendas que eu já estou a pensar na minha, comecem a preparação mental que necessitam para a estupidez de niveis de açúcar e gordura que irão ingerir e saquem das bolas e dos anjinhos e das velinhas temáticas, das luzinhas e do Jingle Bells, das fitinhas e do papel de embrulho.
Que o espirito natalício se abata sobre vós! Para já, um santo e feliz Natal e bom Ano Novo, que isto eu sou moça despachada, fica já tudo desejado.

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Entretanto e enquanto a chuva não cai e as temperaturas continuam na ordem dos 30º graus (já disse que já estamos a meio de Outubro?) fica esta música, esta estupidez de tão genial que é, dos meus Friendly Fires. Aviso já que o moçoilo da voz faz parte da minha lista de prendas do Natal, portanto já detenho direitos exclusivos.
Mas, para nos despedirmos do Verão: Kiss of Life. Faz-me dançar desalmadamente, faz-me feliz de tão estupidamente perfeita e genial que é... Alegrem-se vós também, façam dançar as vossas almas igualmente... Eles são brilhantes, catano...

Don't let go, this could be so perfect.
Don't let go, if we hold onto it




...
A thousand butterflies, from your lips to mine

sábado, 10 de outubro de 2009

Tentei fugir da mancha mais escura

Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...


Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração.

David Mourão-Ferreira

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

E aquando o pé na calçada do cais, tristeza... e não tristeza, mas saudade, a saudade da partida à novidade da chegada e o susto do não saber aquilo a que se regressa... 



"Quando o comboio partir não digas adeus porque ficaste no cais. Foi apenas o teu passado que se foi embora, na terceira ou na quarta carruagem de segunda classe, precisamente a que acaba de desaparecer no tunel. Foi apenas o teu passado que se foi embora: o teu presente ficou."
- António Lobo Antunes

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Se um Dia te Aprouver Dizer Adeus, Diz… Adeus.

É estranho como o mundo continua a girar, mesmo que o nosso coração se parta: os dias sucedem as noites, os baloiços sempre para a frente e para trás, as pessoas continuam as suas vidas sem um olhar de padecimento. O mundo continua a sua órbita. Nós não. Eu não.

Os estilhaços do meu coração, de mim, permanecemos assim, estilhaçados. E parece que nada os voltará a unir. Os resíduos do que nos unia, os resíduos de ti teimam em demorar-se por cá, não se deixam lavar nem por nada. E enquanto isto, o mundo à nossa volta continua a girar, sempre no mesmo movimento de rotação, sempre no mesmo movimento de translação, com a Primavera seguida do Verão, a queda das folhas do Outono e a neve, fria, do Inverno. É cruel a forma como o Sol surge no horizonte na esperança de um novo dia, claro e límpido, como as marés sobem e retraem. Porque não pára o mundo quando o nosso coração se parte? Nem que seja por um breve segundo. Devia poder permanecer no mesmo sítio, do mesmo modo por solidariedade a nós; ali ficava, imóvel, estático até que cada um dos pedaços de mim se agrupasse aos demais, outra vez, prontos a girar com o mundo, novamente.

Mas parece que a dor não é tão forte, mesmo que o seja. Não tem força suficiente para poder parar o Mundo, apenas o meu mundo. E mesmo que se sinta a fragmentação de mim, tão grande e profunda neste instante, amanhã todo o Eu se vai reagrupar, unir novamente em tons de rosa e amarelo, verde e pérola, porque o Mundo ainda se encontra em órbita, o meu mundo avança e a vida continua.

CB 18 de Agosto de 2009; 4.42 am

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

...In This Brand New Colony


Se o facto de alguém querer ser os sapatos de plataforma e desfazer o que a herediriedade nos fez, para não nos termos de esticar para o olhar nos olhos ou  
ser  o nosso casaco de Inverno, abotoado até cima, para não nos constiparmos, não chega para dizer o quanto nos adora... Se isto não diz Amor, não sei o que mais dirá...




...
I want to take you far from the cynics in this town
And kiss you on the mouth
We'll cut our bodies free from the tethers of this scene,
Start a brand new colony
...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Faz dois meses...

... que fui imensamente feliz no Restelo.




Por isto e muito mais...



...
You've got a nerve to be asking a favor 
You've got a nerve to be calling my number
I'm sure we've been through this before

Can't you hear me
I'm beating on your wall
Can't you see me
I'm pounding on your door
... 

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Apaixonei-me...



...
Tired and wired we ruin too easy
sleep in our clothes and wait for winter to leave
but I’ll be with you behind the couch when they come
on a different day just like this one
...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

1º Dia de Quê? Aulas? O Que é Isso?

Pois, diz que hoje foi o primeiro dia de aulas do novo ano lectivo, esse decisivo ano lectivo de 2009/2010 - reparem que daqui a sensivelmente quatro meses entramos na primeira década de dois algarismos do séc. XXI, ano em que se atinge a maturidade por estes lados e até já a carta de condução se tira e votar se pode!
A escola está na mesma, está tudo igual aquilo que deixamos nos já saudosos três meses que passaram.
E é engraçado como uma pessoa se esquece como é estar de férias, mas não se esquece como é estar numa sala de aulas: aqueles primeiros dias irritantes quando estamos de férias que nos dá para acordar assim de repente e pensar se não deviamos estar na escola ou pensar se não temos trabalhos de casa para fazer ou trabalhos para a acabar. E isto acaba quase sempre com um audível "Tonta, estás de férias! Não há para fazer!!!" e um suspiro de alívio...
Se calhar isto só acontece comigo, mas acontece, e é sempre que uma pessoa entra de férias.
Por outro lado, quando estamos nas aulas não nos vem a cabeça algo do tipo "Ouve lá? A esta hora não devia estar a dormir???" E se vem, é sempre num tom de lamento e desespero...

E pronto, a modos que daqui para a frente há coisa chamada trabalho que deve ser cumprido a tempo e horas, senão para o ano, não há universitários nem a boa vida da faculdade para ninguém, e eu que até a quero, que a minha vida não é isto.

P.S.: Nos entretantos, vai-se meditanto, assim num estado muito zen, nas aulas de yoga... Das ultimas vezes que lá estive queimei-me no colchão e ia adormecendo no relaxamento final, para verem o quão relaxada a minha pessoa estava... Tudo muito zen, portanto...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Um sopro de desperdício

Que a vida passa rápido, todos nós sabemos, por isso não é aconselhável passa-la a ler livros que pouco ou nada têm de interessante.
É o caso de A Vida num Sopro de José Rodrigues dos Santos.

Resolvi dar-lhes uma oportunidade: ao autor, que como me pisca o olho no final de cada Telejornal da RTP, o mínimo que posso fazer para lhe retribuir a gentileza é ler-lhe a obra, e ao livro que andava por aqui num desesperante grito de aflição “Por favor, leiam-me!!!”. E como eu não sou má nem gosto de ver livros em sofrimento, lá comecei a ler a narrativa.
Acabei-a três semanas depois. Fiquei desiludida. Acabei o livro com um gostinho amargo, um sentido de tempo perdido. (E agora porque eu não gostei do livro, já não há piscadelas de olho no final do Telejornal para ninguém. Nunca tinha tido, o José Rodrigues dos Santos como uma pessoa vingativa…). Estava à espera de outra coisa, uma outra forma de pôr as palavras no papel, uma outra forma de informar o leitor dos sentimentos, acontecimentos, pensamentos e acções que se desenvolvem e desenrolam ao longo das 611 páginas de história. Não há espaço para subtilezas: está tudo lá, tudo muito linear, tudo muito dito e descrito – o que em certos casos, não é necessariamente algo de mau, mas neste caso, é.

Não senti a necessidade de ler mais devagar e repetidamente, somente para sentir a paixão e a beleza das palavras; não fiquei fascinada pelo tom e fluir da história. Em vez disso, senti a cada página a rudeza dos lugares-comuns, dos clichés da vida e da História.
A cada virar de página adivinhava-se o que aconteceria a seguir, além de que nem as personagens me geraram simpatia alguma. A premissa é boa: uma casal de namorados do liceu, durante os inícios do Estado Novo, são brutalmente afastados um do outro, primeiramente pela mãe da rapariga e mais tarde pela mão do destino. Luís e Amélia, ele um idealista, ela uma doce rapariga de olhos avelã, vêem-se assim atraiçoados pelas contrariedades da vida. Acabam por se encontrar, anos mais tarde em Penafiel: ela encontra-se casada com um oficial do exército, superior hierárquico de Luís, e ele acaba por ficar noivo, sem saber, da irmã dela. Resta dizer, que ele se apaixona pela rapariga, Joana de seu nome, porque esta tem um semelhante ar de graça da Amélia. Eventualmente, eles acabam por se tornarem amantes, o que causa, futuramente, um assassínio e uma fuga para Espanha, em braços com uma guerra civil. Pelo meio, alguns encontros não muito agradáveis com a realidade política do regime, marcam o carácter e a maneira como Luís nos é apresentado. Aquele idealismo falha em tornar a personagem agradável. Como? Não sei. Sei apenas que ao fim de alguns capítulos, ele começou a irritar-me profundamente. Porquê? Também ainda não consegui perceber. Em teoria, Luís é o tipo de personalidade que me interessa, na prática, após alguns capítulos, o meu desejo era que ele se matasse. O que, só assim por acaso, acaba por acontecer. Se quiserem saber como e porquê, desperdicem também vós algum tempo das vossas vidas para descobrirem, que isto, eu não sou paga pelo Estado para fazer serviço público; nem tão pouco sou uma alma amável e caridosa. (Vá pronto, basta começarem a ler a partir do Xº capitulo da 3ª parte. E depois não digam que não sou amiga…)

Toda esta previsibilidade, a pobre forma como tudo isto nos é dito constituem uma bruta decepção: de todas as tais 611 páginas, somente umas 5 linhas tiveram impacto na leitora que houve em mim. As únicas que deram vontade de reler e reflectir: 

“A vida é um sonho, pensou. A morte é o despertar. Passamos um universo inteiro a flutuar no vácuo da não existência; a vida não passa de um fugaz tremeluzir da chama do petromax na vasta noite de eternidade.
A vida é a anomalia, a morte é o regresso ao estado original; a vida é um sopro, a morte é o ar.”

Só coisas esperançosas e alegres, portanto.