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domingo, 6 de outubro de 2013

Diana Catarina poliglota

Eu devo ser uma pessoa muito patriótica, toda eu cinco quinas e padarias de Aljubarrota, porque por mais que tente o meu espanhol é medonho. Por outro lado, arranjo maneira de construir frases luso-anglo-francesas com sotaque italiano, conseguindo assim enfiar vocabulário dos cinco cantos da Europa, tudo menos castelhano, na tentativa de falar precisamente a tal língua dos infernos. 
O meu inconsciente recusa-se. 
Agora, vou ali acender uma velinha a D. Nuno Álvares Pereira e dar vivas pelo o tratado de Alcanizes. 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Priorização não é o meu forte

Afinal o problema do livro das 600 páginas não foi o de andar para a frente e adiante sem uso: aconteceu precisamente o contrário. O livro acontece ser uma espécie de CSI: o rei não morreu, foi morto. Pelo meio, está uma infanta a contar a história malograda da família real e do infante D. Pedro, filho do D. João I. Isto é tudo bastante interessante e um tanto viciante. 
Portanto, vou na página 174 e a dedicar-lhe tempo que devia estar a dedicar ao estudo. Nada produtivo.

Mas amanhã, c'est finit. Yey!

quinta-feira, 22 de março de 2012

E é claro: possivelmente o meu poema preferido do O'Neill


  
Nos teus olhos altamente perigosos 
vigora ainda o mais rigoroso amor 
a luz dos ombros pura e a sombra 
duma angústia já purificada
  
Não, tu não podias ficar presa comigo 
à roda em que apodreço 
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila 
quase medita
e avança mugindo pelo túnel 
de uma velha dor
  
Não podias ficar nesta cadeira 
onde passo o dia burocrático 
o dia-a-dia da miséria 
que sobe aos olhos vem às mãos 
aos sorrisos
ao amor mal soletrado 
à estupidez ao desespero sem boca 
ao medo perfilado 
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca 
do modo funcionário de viver
  
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido 
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa 
puríssima da madrugada 
mas da miséria de uma noite gerada 
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós 
traz docemente pela mão 
a esta pequena dor à portuguesa 
tão mansa quase vegetal

Mas tu não mereces esta cidade não mereces 
esta roda de náusea em que giramos 
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual 
esta nossa razão absurda de ser
  
Não, tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas 
e o cemitério ardente 
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio 
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia 
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
  
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento 
digo-te adeus 
e como um adolescente 
tropeço de ternura 
por ti

- Alexandre O'Neill

sábado, 11 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

"- Talvez se riam. Mas eu sustento a semelhança. Aquele todo de Gonçalo, a franqueza, a doçura, a bondade, a imensa bondade, que notou o Padre Soeiro... Os fogachos e entusiasmos, que acabam logo em fumo, e juntamente muita persistência, muito aferro quando se fila à sua ideia... A generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios, e sentimentos de muita honra, uns escrúpulos, quase pueris, não é verdade?... A imaginação que o leva sempre a exagerar até à mentira, e ao mesmo tempo um espírito prático, sempre atento à realidade útil. A viveza, a facilidade em compreender, em apanhar... A esperança constante nalgum milagre, no velho milagre de Ourique, que sanará todas as dificuldades... A vaidade, o gosto de se arrebicar, de luzir, e uma simplicidade tão grande, que dá na rua o braço a um mendigo... Um fundo de melancolia, apesar de tão palrador, tão sociável. A desconfiança terrível de si mesmo, que o acobarda, o encolhe, até que um dia se decide, e aparece um herói, que tudo arrasa... Até aquela antiguidade de raça, aqui pegada à sua velha Torre, há mil anos... Até agora aquele arranque para África... Assim todo completo, com o bem, com o mal, sabem vocês quem ele me lembra?
- Quem?
- Portugal."
~A Ilustre Casa de Ramires, Eça de Queiroz

sábado, 7 de janeiro de 2012

A sério?

Mas isto da Maçonaria é surpresa para alguém? É de facto necessário fazer rodapés a dizer que há maçons espalhados pelos vários quadrantes da sociedade?
A sério?

domingo, 30 de outubro de 2011

Volume e Ritmo de Crescimento das Populações Humanas

Ou como lixar a vida (e a média) a Diana Catarina. Ou como arruinar todo o seu equilíbrio mental e sanidade cognitiva. Ou como fazê-la lançar impropérios a torto e a direito para uma calculadora, cujos botões lhe são completamente estranhos - só reconheço os números, os botões das operações de somar, subtrair, dividir e multiplicar e é claro, o melhor de todos, o botão off. 

Pois é, a saga dos números parece ter sido retomada por essa cadeira, oh tão interessante e estimulante, que dá pelo nome de Demografia Social e Políticas Demográficas. Não lhe questiono a utilidade, mas esta cena não é para mim. Especialmente, porque parece envolver a coisa que mais desprezo neste universo: os números. Ah e tal, mas todo o universo é regido por leis matemáticas e até a própria Internet que estás a usar para te lamuriares envolve matemática e sequências binárias e p*** que as pariu. Sim, as coisas chegaram a estes termos. 
Temos muito pena, patati patata, mas isto não é para mim. Pronto, acabou. 
Isto agrava-se devido ao extraordinário facto de esta cadeira ser leccionada através do maravilhoso e inovador método do b-learning (ou raio que a parta), assim numa lógica da tele-escola, em que em vez da televisão aprendemos por power-points bastante coloridos e esquizofrénicos. Isto requer que só vejamos as professoras uma ou duas vezes por mês e para tirar dúvidas e rever a matéria. Ora, para alunos da sôdona Carmen até que nem é um mau sistema, visto as aulas dela serem secantes que doem, mas para quem quer que eu aprenda a fazer contas isto só tem um caminho: o do chumbo vergonhoso. 

Eu não tenho o mínimo talento para isto, não tenho qualquer tipo de raciocínio matemático, o meu cérebro chega a doer do esforço. Não sou nenhum génio, nem moça sobre-dotada ou particularmente inteligente, mas até me safo, por exemplo, a analisar as rupturas e continuidades da administração central e periférica na passagem do Antigo Regime para o Estado Moderno em Portugal. Isto sim, são coisas giras. Isto e analisar as causas estruturais para a II Guerra Mundial utilizando os níveis de análise do Kenneth Waltz ou modelo originário do Panebianco. Coisas giras e que, espantem-se, fazem sentido. Eu gosto é disto. 
Ah! E falar de Marx nas aulas também é bastante divertido. 

Agora, contas e números não. É um auto-flagelo interminável. 
Bah, odeio-te matemática. Porque é que tens de te meter sempre na minha vida? Porquê?

domingo, 12 de junho de 2011

"Ó Portugal, se fosses só três silabas"*

Há nove meses atrás escrevi este texto por alturas da comemoração do 5 do Outubro. Entretanto caiu o governo, pediu-se ajuda externa, veio ajuda externa, convocaram-se novas eleições e uma nova composição partidária foi eleita para a Assembleia da República. Inicia-se agora um novo ciclo. Eu não retiro uma palavra ao que disse. Portugal permanece.

No dia de Portugal, como albicastrense orgulhosa lá fui esvoaçar as banderinhas e cantar o hino com o PR. Cantar o hino às 10 da manhã é coisa que revitaliza. Senti o meu nacionalismo deveras exacerbado.
Acho que numa alturas destas é essencial celebrar Portugal. Celebrar os seus 900 anos de História, que nos recordemos de quem fomos, reflictamos como queremos prosseguir. É disto que se faz uma nação, é com isto que um Estado se perpetua no tempo: invocando a sua memória colectiva e exaltando os seus símbolos de unidade, porque no final do dia estamos todos juntos nisto.

Portugal permanecerá, para sempre. Além de que eu tenho fé no Quinto Império, pah. Ainda vamos mandar nisto tudo outra vez. E porque foi também dia de Camões. Os Lusíadas, Canto I:

"As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte."

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domingo, 5 de junho de 2011

Qualquer que seja o resultado de hoje à noite

Não há motivos para orgulho. Tanto pelas circunstâncias que conduziram a este acto eleitoral, tanto pelo teor da campanha, pela qualidade do discurso e qualidade dos candidatos. A taxa de abstenção há pouco revelada assim o atesta, assim como a forma como os eleitores se desligam cada vez mais e mais, mesmo depois das várias mensagens do Presidente contra a inércia dos eleitores.
Mas não houve nada de novo, nada de refrescante. A mesma mensagem foi dita, desdita, mastigada e ruminada.  Foi escolher entre o mau, o muito mau e o péssimo.
De um lado, alguém que está completamente alienado da realidade, primeiro-ministro de um país quimérico e que existe apenas na sua cabeça, completamente desfasado da realidade do Portugal de todos os dias; de outro, temos um candidato a primeiro-ministro ou um futuro-ex-presidente do PSD periclitante que se diz e contradiz várias vezes durante a mesma semana. 
Não é assim que a tão precisa renovação do espectro partidário irá acontecer. O que é preocupante. É preciso sangue novo, alguém com uma mensagem clara. Alguém que apela à mobilização em torno de um objectivo comum tanto nas camadas mais jovens como as mais velhas, que inspire confiança e competência. Por agora, nada disso parece acontecer. 
O que quer que aconteça daqui a 7 minutos, não há motivos para celebração. Enquanto uns se congratulam, o país definha... 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Abril


Nunca pensei viver para ver isto:
a liberdade – (e as promessas de liberdade)
restauradas. Não, na verdade, eu não pensava
- no negro desespero sem esperança viva -
que isto acontecesse realmente. Aconteceu.
E agora, meu general?
Tantos morreram de opressão ou de amargura,
tantos se exilaram ou foram exilados,
tantos viveram um dia-a-dia cínico e magoado,
tantos se calaram, tantos deixaram de escrever,
tantos desaprenderam que a liberdade existe-
E agora, povo português?
Essas promessas – há que fazer depressa
que o povo as entenda, creia mais em si mesmo
do que nelas, porque elas só nele se realizam
e por ele. Há que, por todos os meios,
abrir as portas e as janelas cerradas quase cinquenta anos -
E agora, meu general?
E tu povo, em nome de quem sempre se falou,
ouvir-se-á a tua voz firme por sobre os clamores
com que saúdas as promessas de liberdade ?
Tomarás nas tuas mãos, com serenidade e coragem,
aquilo que, numa hora única, te prometem ?
E agora, povo português?
- Jorge de Sena
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e um cravo para vós

domingo, 10 de abril de 2011

Eu também sei citar a Constituição, Senhor Presidente

Cavaco Silva tem um terrível problema: quando finalmente rompe o silêncio profundo a que gosta de se submeter 99% do tempo, mais valia estar calado. Assim, não ouvia palavras que em nada dignificam o seu cargo e a República Portuguesa como estas do Olli Rehn.
Cavaco Silva tem outro problema: é dotado de uma sensibilidade diplomática igual à de um elefante ou assim de um animal de grande porte, tipo hipopótamo. Senhor Presidente, uma coisa é fazer as suas brilhantes intervenções cá dentro, já estamos todos habituados e sabemos o que a casa gasta, outra coisa é dirigir-se à UE e pedir "imaginação" para o programa de ajuda. Imaginação... Imaginação? O que andou o senhor a fazer lá nas reuniões do Grupo de Arraiolos? O seu avião fez escala em Amesterdão?
As palavras e as atitudes públicas têm peso, senhor Presidente. Afinal de contas, o senhor representa a República e todos os portugueses: eu não quero que a Europa pense que o meu país é dirigido por imbecis, já basta pensarem que são irresponsáveis.
Outra coisa: eu não sei que edição da Constituição tem o senhor, mas na minha da Almedina, edição revista em 2009, a alínea e) do artigo 134º, a propósito da competência para prática de actos próprios do PR, reza assim: "Pronunciar-se sobre todas as emergências graves para a vida da República". Vê? Eu também sei citar a Constituição. Ora, a entrada do FEEF/FMI parece-me, mas quem sou eu para debitar opiniões sobre finanças e economia e o estado a que chegamos, ser uma bocadinho emergência. Não sei, isto se calhar sou só eu. Ainda para mais tendo um governo demissionário com competências para a "prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos." (ponto 5, artigo 186º [vê? vê?]) evidentemente habilitado a negociar as condições e o programa de ajuda tendo agora por base, espante-se, o PEC IV. É evidente que a oposição não negoceia nada lá fora. Isso trata-se cá dentro. E é aqui que o senhor entra: como orgão mediador. Chamar os partidos à razão. E com um discurso firme e determinado chama-los às suas responsabilidades.
Vejo que descobriu agora o facebook. Isso é bom. Mas umas mensagens no mural não chegam, senhor presidente. É preciso senta-los à mesa e discutir o que se quer, o que se pode e o que se deve fazer. E por favor não se remeta a silêncios incómodos, mas quando quiser falar faço-o com bom senso e não numa atitude de superioridade moral que, da minha parte pelo menos, está a perder e não lhe fica nada bem.
A bem da saúde da República e dos cidadãos que o elegeram. 

Assim também eu quero ir passar um fim-de-semana a Matosinhos

Mas os congressistas socialistas andaram nos psicotrópicos? Foi assim uma trip colectiva no quarto de hotel do secretário-geral?
E realmente, tomara a muitos terem a clarividência do nosso primeiro-ministro. 


Mas ninguém avisou a Ana Gomes (o e-mail do Silva Pereira deve ter ido parar ao spam) qual o objectivo deste Congresso: a exaltação... perdão... unidade em torno do líder.

O Paulo Portas abriu a caixa de Pandora: agora todos eles se comovem e deixam transparecer uma lagrimita no canto do olho perante a demonstração de carinho e afecto dos seus camaradas. Mas é enternecedor ver Sócrates comovido. Também  assim quero ver o Louçã e o Passos perante as suas plateias. O Jerónimo não, esse é de outro tempo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Haja lítio!

Alguns analsitas do setor extractivo garantem ao Expresso que Portugal tem aqui uma oportunidade única para "marcar pontos" neste importante mercado, pois atualmente já é o 5º maior exportador mundial de lítio, e tem potencial de exploração para mais 70 anos. Estes dados são confirmados, aliás, pelo Departamento de Energia norte-americano. (...)
O problema é que Portugal apenas vai até à produção de concentrado de lítio, ou seja, não acrescenta mais valor ao seu  produto, tendo que o vender em bruto para os smelters (proprietários de fundições) de outros países. Esses, sim, é que entregam à indústria automóvel o lítio pronto para ser utilizado em baterias de carros elétrios. São também estes intermediários que faturam uma parte considerável do processo de transformação do lítio."

Ora, temos o lítio, mas ficamo-nos por aqui. Vendemos a matéria-prima a outros e não há investimentos na indústria transformadora de forma a lucrarmos realmente com aquilo e ganhar receita. Isto é um (dos) problema deste país. Um problema histórico alias... 
De qualquer das formas: haja lítio! E lithium.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pela Virgem Santissima

Exausta. Preciso de férias e de sentir que é Natal.
Preciso de saber que vai tudo correr bem e não andei a matar-me a trabalhar em vão para um resultado miserável.

E que a tarde de sexta chegue rápido. E que a noite de sexta tenha bebidas divertidas para me fazer esquecer o corporativismo do Estado Novo, o Estado Providência no período marcelista, as Administrações Centrais e Periféricas, a crise de 1890, as forças profundas da política externa portuguesa, os conceitos de neutralidade durante a II Guerra Mundial, a guerra Anglo-boer (tãaaoo linda), as economias de escala e mercados concorrencias e monopolistas, PIB's pela optica da despesa e da produção, PIB's per capita em paridade de poder de compra, V de Cramers e Rós de Spearmen, testes de qui quadrado, metodologias e  outras coisas que tais. Mas só por um bocadinho, porque depois preciso disto para as melhorias em Janeiro.
Mas férias: preciso de férias. Agora.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O mais dificil é começar

A parte mais dificíl de escrever um texto, qualquer texto, é começar. Saber o que dizer nas primeiras linhas, quais vão ser as primeiras palavras, como começar...
Eu neste momento devia estar a escrever a primeira das recensões de HRIP que, aliás, já devia estar feita há que tempos. Mas adiei. E agora que tenho mesmo de a fazer, porque o prazo de entrega está próximo e ainda tenho de fazer a segunda recensão e tenho de estudar e fazer outros trabalhos. Portanto, era mesmo muito fixe que eu a conseguisse fazer hoje ou pelo menos começa-la. Mas não sei como. Por isso desmotivei e agora não me apetece nada fazer coisa alguma.
Mas o início é o mais complicado, depois as palavras começam a fluir. Até ao momento em que param outra vez e depois são mais duas horas até que consigo recomeçar o texto. E isto é veridico, já cronometrei e tudo. Desde que comecei a ter de escrever para a escola, fazer trabalhos, textos, que demoro imenso tempo a concluir o texto mais simples. É algo crónico, parece-me, há doze anos que é assim.
E tenho agora a recensão para fazer e não me apetece nada: desmotivei porque não sei como começar e o começo é o mais importante, é o que vai determinar como o resto do texto vai correr. São aquelas palavras iniciais que decidem tudo. É a primeira impressão. E as primeiras impressões são tudo.
Também acontece lembrar-me de frases incriveis e ter ideias extraordinárias para os textos sempre nas alturas mais inoportunas: no banho, por exemplo, acontece muito, à hora do jantar, na cama a tentar adormecer. É terrivel.
Eu devia, portanto, estar a escrever uma recensão critica sobre um capitulo de um livro sobre a entrada de Portugal na I Guerra Mundial, e o excerto é bom, fui eu que o escolhi, mas não consigo, porque não sei como começar. Pelo autor? Pelo contexto histórico? Da guerra ou de Portugal? Se calhar começo como o Cobain naquela música: I'll start this off without any words... Faço um momento de silêncio pelas vitimas da grande guerra. Ou então deixo isto de lado e vou ler, vou ler a Emma que agora começou a fazer o retrato da Harriet. Ou então vou ver o CSI. Ou então fico aqui no escuro a ouvir o Johnny Cash, que me apetece. Ou então continuo com a página do Word à frente, a sentir-me culpada por ter de estar a preencher a página em branco com caracteres e ela permanecer inalterada.
De qualquer das formas, vou continuar com frio, porque o meu quarto agora tem a mania que é dos pólos e eu uma foca que aguenta as temperaturas negativas.
É que tem estado frescote, não tem? Pois...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Viva a República!

Nós vivemos num país extraordinário. Faz hoje exactamente 867 anos que foi assinado o Tratado de Zamora em que o primo de D. Afonso Henriques , Afonso VII de Leão e Castela lá reconhece que nós até merecemos ser nação independente. Há 867 anos que Portugal existe. E faz hoje 100 anos que a República Portuguesa foi proclamada na varanda da Câmara Municipal de Lisboa. Poético.

Mas, estava eu a dizer, vivemos num país extraordinário. Somos um dos países mais velhos da Europa, com fronteiras bem definidas há igualmente uma catrefada de séculos (séculos!) e ainda estamos aqui. Portugal, pasme-se, ainda existe. Mesmo que há 867 anos que esteja em crise. Vá, tivemos assim alguns momentos áureos e em que fomos os maiores do mundo e mandamos nesta cena toda. Mas Portugal esteve mais tempo em crise do que propriamente em desenvolvimento (de qualquer tipo). Mas mesmo assim, lá vai resistindo. Desde que somos independentes, só tivemos uns 60 anos de domínio castelhano - um soluço nos 867 séculos (!) de História nacional.  
Já passamos por muito - umas quantas guerras, um par de invasões, não sei quantas revoltas, uns tantos golpes de Estado, um regicídio (desculpe lá D. Carlos...), umas descobertas de umas terras para lá do Atlântico - e ainda estamos aqui. E o melhor de tudo é que nem somos assim um sítio tão mau para viver. Eu até gosto.
Temos imensos problemas para resolver, muitas dificuldades que teremos de ultrapassar e há muitas mudanças, profundas, que devem ser feitas e tem de haver coragem para as fazer, mas mesmo com isto tudo Portugal encontra-se indubitavelmente melhor agora do que há 30 anos e incomparavelmente noutra situação de que há 100 anos atrás, aquando a monarquia caiu às mãos dos republicanos.  

No fundo, no fundo, Portugal é o maior do mundo: venha o que vier, digam o que disserem, ameacem o que quiserem, nós por cá vamos andando e a vida vai-se vivendo, nuns dias melhor outros pior, e as nossas gentes vão resistindo.
Portugal rulla catano!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Hoje em História das Relações Internacionais Portuguesas...

... veio-me à ideia que Portugal parece um daqueles peixinhos que nadam oceanos fora à volta dos tubarões para evitar serem comidos.
Depois há as contrapartidas de tal coisa...

E acabei de perceber que esta é uma ideia parva, mas como todas as ideias parvas que me povoam a mente ainda lhe hei-de dar um sentido.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Programa de Vacances Été 2010*

Daqui a nada lá estou eu no meio da serra, muito zen e concentrada em reecontrar-me por entre oliveiras e laranjeiras, onde basicamente há que dormir, comer, ler - a ver se começo a ler o D. Amélia para despachar a pilha de livros que tenho para ali -, ouvir música, alapar em frente à TV, comer e dormir mais um pouco e quiçá, ir para a farra que são as festas de Verão naquela santa terra - este ano não há Ferro e Fogo, mas diz que há uma banda académica e um senhor que toca acordeão muito bem. O Paraíso, portanto. Mas com temperaturas do Inferno, tipo 38 e 40 graus. Vamos ver se não me derreto por lá. 
Mas como tudo o que é bom acaba rápido, depois de uma semana na paz do anjos, há disto.   

Já viram o martírio? Pois é... Preciso é de rezar a todos os santinhos para que não caia uma falésia em cima. Com a ajuda e graça divina, a topografia do terreno vai permanecer inteirinha à minha passagem.  


*Eu disse que ia aprender francês nestas férias...