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quinta-feira, 3 de junho de 2010

João Aguiar (1943-2010)



Autor da minha série de livros de aventuras preferida, O Bando dos Quatro. Passei tardes inteiras com os livros dele e a aprender com a Catarina, o Álvaro, o Frederico, o Carlos e, claro, o tio João. Por influência dos livros dele, tentei também criar uma série de aventuras no 6º ano. Originalidade das originalidades chamava-se Os Quatro: ora era Os Quatro em Paris ou Os Quatro e a Caixa Roubada ou ainda Os Quatro e o Correio Atrasado. Escusado será dizer que as histórias eram muito más, mas chegavam a ocupar seis folhas.

Com a morte de João Aguiar, o mundo da nossa Literatura ficou mais pobre.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

São lindas...

... e são minhas!  

Prova de afecto e amizade fraterna diz aquele que se diz meu irmão, o mesmo que tem 10 anos e diz que tem muito charme logo é óbvio que as raparigas não lhe resistam. E eu gosto.
A 34 dias da importantíssima celebração da vinda desta ternurinha ternurenta ao mundo, começamos bem.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Falta-me o ar. Falta-me o sentido. O meu corpo tenta acompanhar o movimento do mundo, mas cai. Cai de todas as vezes que me tento erguer.
Doi cada pedaço de mim. A cada pulsar do coração. A cada passo para a frente é um passo para trás na corrida para tentar sorrir novamente. Tristes, todos eles.

É um adeus... E um adeus que se pronuncia no silêncio.
Falta-me o ar.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Estou a deixar a minha marca pelo mundo

Ando a largar partes de mim por tudo o quanto é sítio. Estou oficialmente em todo o lado. Mais um bocadinho e lá se vai a Diana.
Sou uma cobra. Agora tenho é de ter cuidado para não morder a língua e morrer com meu próprio veneno.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Há músicas sem as quais...

... as nossas vidas não vão estar completas sem as conhecer.
Esta é uma delas.

(...)
Fate
Up against your will
Through the thick and thin
He will wait until
You give yourself to him

In starlit nights I saw you
So cruelly you kissed me
Your lips a magic world
Your sky all hung with jewels
The killing moon
Will come too soon
(...)

__________________________________________________
E agora vou ali a Paris, num tirinho, e já volto...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri.

Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ali, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.

Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar;
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar
Ah, nesta terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.

Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.

- F. Pessoa

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Em tempos idos...

"Inocências
É extraordinária a panóplia de diferentes tipos de pessoas que nos rodeiam no nosso dia-a-dia. É igualmente extraordinário observa-las. Aquelas a quem tenho prestado mais atenção são as que entraram este ano para o meu campo de visão nos curtos espaços de tempo que temos de intervalo entre aulas.
Principalmente as raparigas [...].
Passam por mim, numa alegria de quem não tem uma única preocupação no mundo, a não ser este ou aquele rapaz ou esta ou aquela amiga que fez uma qualquer coisa indevida. Saltam (e ainda bem – quem me dera a mim ter razões para me saltar também), gritam, riem, numa inocência há muito perdida nos corações da Humanidade, como se o realmente importante fosse que o amor por aquele João ou Ricardo, André ou Filipe seja recíproco. A mesma inocência que lhes assegura que o futuro vai ser brilhante, exactamente com tudo que foi projectado ou sonhado. Ou talvez ainda nem sequer pensaram nisso: o futuro parece lá tão longe… A mesma inocência que lhes diz – promete - a felicidade.
[...] Estas moças conquistam agora os seus doze, treze anos e eu naquela idade não saltava, não gritava, nem ria com a inocência perfilada agora por elas. Nunca fui muito de inocências, nunca acreditei na veracidade da felicidade eterna, em que todos seremos felizes durante o período da nossa existência. Sempre senti a Humanidade – principalmente a Humanidade – fria e distante. Vivemos nossas vidas, sem realmente as viver: existimos, nada mais. Não vivemos, só cá estamos a passar o tempo, até o tempo nos passar.
Até hoje, a minha crença na Humanidade ainda não foi restaurada, ou melhor, ainda não foi cultivada - não se pode repor algo que nunca existiu -, porém o que sinto agora que a idade avança são raros, escassos momentos de esperança em que, talvez, quem sabe um dia - aparentemente tão distante – acordemos para a vida, aproveitemos o tempo que passa, talvez até viveremos para sempre…
Encontramos o outro ocasionalmente num gesto, num sorriso (mais ou menos bondoso), num olhar. Pode ou não ser para sempre: esse olhar, esse sorriso. Varia. Da nossa disposição e vontade. E isso sabem estes seres que me divirto a observar – às vezes a disposição para gostar do Joaquim não é muita, e mudam para o Manel. Acontece.
Mas a inocência que vejo nestes rostos chateia-me, irrita-me, maça-me. Não pela sua pureza, mas pelo que vem a seguir a ela: o desgosto, a desilusão, a descoberta que o mundo não é às cores, mas nuns tons de cinzento e por mais que queiramos colori-la, não conseguimos: o peso do mundo, o peso da vida parte-nos os lápis (lá se vai o amarelo, o verde, o azul).
Talvez seja por isso que nunca consegui entender a inocência aparente nestes rostos: nunca a senti, nunca a quis sentir. Porquê sentir? Porquê sucumbir a esta inocência que nos martiriza na descoberta da realidade, da verdade?
Pensando bem, talvez seja preferível sucumbir a ela. Pelo menos, durante algum tempo somos como que felizes, inocentes, inócuos, sem pensar em mais nada a não ser: "será que o Rui vai reparar em mim com esta camisola?" (nunca reparam, ou fingem não reparar, como eu já disse os rapazes são criaturas algo básicas). Durante algum tempo somos felizes, pensamos que o mundo está nas nossas mãos, que tudo se resolverá no fim, viveremos como realeza brocada a ouro. O que vier depois virá. Todas as lágrimas de sal que se seguirão, cairão, mas com a satisfação e o contentamento de um dia há muito distante, se viveu na inocência de um mundo colorido, que não este.

14 de Outubro de 2008"

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Amanhã é o dia.

"Amanhã recomeçarei a vida pelo princípio, serei o adulto sério e responsável que a minha mãe deseja e a minha família aguarda, chegarei a tempo à enfermaria, pontual e grave, pentearei o cabelo para tranquilizar os pacientes, mondarei o meu vocabulário de obscenidades pontiaguadas. Talvez mesmo, meu amor, que compre uma tapeçaria de tigres como a do Senhor Ferreira: podes achar idiota mas preciso de qualquer coisa que me ajude a existir."

António Lobo Antunes, Memória de Elefante

Vou-me e só volto em 2010.  2009 foi um bom ano, um dos melhores.
Fui feliz: diverti-me com coisas parvas e diverti-me com outras extremamente intelectuais, piadas cheias de referências culturais, próprias de gentes de Humanidades.
Houve quem entrasse, houve quem nunca havia saído, houve quem voltasse para se ir outra vez e houve quem voltasse para permanecer e ficar de vez.
Aprendi sobre mim, aprendi sobre o mundo...
Houve boa música, bons filmes e belissimos livros.
Foi um bom ano, 2009.
E mesmo que o acabe com o coração no fundo do poço, volto-me para 2010 com ele limpo e de mente consciente.
2010 vai ser O ano. Se 2009 foi bom, vou fazer de 2010 o melhor. E começa já amanhã, que eu sou moça de resoluções rápidas...

Amanhã é o dia.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"Para atravessar contigo..."


Se ainda não tivesse partido, Sophia de Mello Breyner faria hoje 90 anos de idade.
Sophia escreveu vários dos meus poemas preferidos. Este foi o primeiro que li seu e o que me fez apaixonar pela sua obra.

"Para atravessar contigo o deserto do mundo,
Para enfrentarmos juntos o terror da morte.
Para ver a verdade,
Para perder o medo.
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixo o meu reino.
Meu segredo,
Minha pérola redonda e meu oriente,
Meu espelho, minha vida,
Minha imagem.
E abandonar os jardins do paraíso.

Cá fora à luz sem víeis do dia duro
Sem os espelhos
Vi que estava nua.
E ao descampado se chama tempo.

Por isso,
Com teus gestos me vestistes
E aprendi a viver em pleno vento."

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Se um Dia te Aprouver Dizer Adeus, Diz… Adeus.

É estranho como o mundo continua a girar, mesmo que o nosso coração se parta: os dias sucedem as noites, os baloiços sempre para a frente e para trás, as pessoas continuam as suas vidas sem um olhar de padecimento. O mundo continua a sua órbita. Nós não. Eu não.

Os estilhaços do meu coração, de mim, permanecemos assim, estilhaçados. E parece que nada os voltará a unir. Os resíduos do que nos unia, os resíduos de ti teimam em demorar-se por cá, não se deixam lavar nem por nada. E enquanto isto, o mundo à nossa volta continua a girar, sempre no mesmo movimento de rotação, sempre no mesmo movimento de translação, com a Primavera seguida do Verão, a queda das folhas do Outono e a neve, fria, do Inverno. É cruel a forma como o Sol surge no horizonte na esperança de um novo dia, claro e límpido, como as marés sobem e retraem. Porque não pára o mundo quando o nosso coração se parte? Nem que seja por um breve segundo. Devia poder permanecer no mesmo sítio, do mesmo modo por solidariedade a nós; ali ficava, imóvel, estático até que cada um dos pedaços de mim se agrupasse aos demais, outra vez, prontos a girar com o mundo, novamente.

Mas parece que a dor não é tão forte, mesmo que o seja. Não tem força suficiente para poder parar o Mundo, apenas o meu mundo. E mesmo que se sinta a fragmentação de mim, tão grande e profunda neste instante, amanhã todo o Eu se vai reagrupar, unir novamente em tons de rosa e amarelo, verde e pérola, porque o Mundo ainda se encontra em órbita, o meu mundo avança e a vida continua.

CB 18 de Agosto de 2009; 4.42 am