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sábado, 20 de novembro de 2010

O pior é que sei perfeitamente porquê

"(não sei o que se passa comigo hoje, não há uma só veia minha que não sofra, não estale, esta no coração por exemplo, esta na minha barriga
o ventre fechado e não sangue, faleci)" 
António Lobo Antunes, Ontem não te vi em Babilónia

terça-feira, 12 de outubro de 2010

LIVREM-SE!

"O administrador da Metro Transportes do Sul (MTS), empresa concessionária do MST, José Luís Brandão, afirmou que «se esta situação de atraso no pagamento se arrastar, a concessão não tem meios financeiros para continuar a operar».


Pelas contas da MTS, o Estado deve à empresa sete milhões e 200 mil euros, referentes ao terceiro e quarto trimestres de 2009 e ao primeiro e segundo trimestres de 2010."

Esta gente que se livre de fazer uma coisa destas! O nosso metro, lindo que só ele, é a melhor coisa que a nossa presidente a sôdona Maria Emilia fez por esta terra. Eu preciso do metro! É questão de vida ou morte! Eu odeio andar de autocarro. E não sou a única, que isto agora o metro anda sempre cheio de gente.
Portanto o Estado que pague rápido o que deve ou eu revolto-me!

Livrem-se!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Programa das Festividades

Então isto é assim: depois destes dias amorosos que só eles num recanto perdido por esse lindo Alentejo nosso (quente, muito quente), Alive(igualmente quente). E Alive é: Local Natives, The Drums, Devendra Banhart, Florence + the Machine, The XX, Kasabian, Faith no More, ou seja, é aterrar  no palco secundário e só de lá sair aquando Kasabian.
Mas primeiro é esperar por um telefonema com os malogrados resultados dos exames. Saem amanhã e ainda não estou preparada para o pior. Se morrer é da maneira que morro feliz, mas só lá para as duas da manhã. Nous verrons
Durante os próximos dias conto estar um tanto ou quanto partida e rouca - é da maneira que a minha voz se torna mais aprazível aos ouvidos de terceiros -, além de que é tempo de tratar das candidaturas para a faculdade e obcecar um bocadinho, convencidíssima que não vou entrar.
E depois logo se vê.
Posteriormente, é rezar a todos os santinhos que alguma alma caridosa se compadeça de mim e me leve aos The National.
Mas entretanto: Alive, que é bonito e eu gosto muito e pois que vamos ser muito felizes os dois, eu e ele, ele e eu. E os The XX, e a Florence, e os Local Natives, e os The Drums. E os Kasabian, com isto. E pronto, sou feliz.

Oh baby I was boooorn
With a faaast fuseee...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sobre A. Lobo Antunes

«“Hatred is vital to good health,” a character declares in “Act of the Damned.” As a medical diagnosis, this seems questionable, but in Lobo Antunes’s case it is a prescription for fine, furious, often spectacularly excessive writing. Hatred, in his attitude toward Portugal, may be a synonym for a rankling, incurable love. The tottering country is Lobo Antunes’s subject, and as a physician he considers it to be his personal responsibility. How can a doctor give up on a patient who has been ill—tantalizingly near death, though never quite ready to die—for the past four hundred years?»
Peter Conrad, New Yorker

O resto aqui

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago (1922-2010)

Sempre tive uma relação conflituosa com Saramago. Nunca concordei com muitas das suas afirmações, mas não há como negar o génio das suas palavras.
O único livro de teatro de que realmente gostei é dele: Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido. Mas foi O Ensaio Sobre a Cegueira que me fez gostar da sua escrita e continua ser um dos meus livros preferidos dele.

Agora, é tempo de invocar a memória do seu legado literário e recorda-lo, para sempre, como uns dos maiores escritores da Língua Portuguesa. A figura pode ter desaparecido, mas a obra nunca morre: é eterna.
Aqui fica a minha homenagem.

"Agora não há outra música senão a das palavras, e essas, sobretudo as que estão nos livros, são discretas, ainda que a curiosidade trouxesse a escutar à porta alguém do prédio, não ouviria mais do que um murmúrio solitário, este longo fio de som que poderá infinitamente prolongar-se, porque os livros do mundo, todos juntos, são como dizem que é o universo, infinitos."

in Ensaio sobre a Cegueira
-José Saramago

quinta-feira, 3 de junho de 2010

João Aguiar (1943-2010)



Autor da minha série de livros de aventuras preferida, O Bando dos Quatro. Passei tardes inteiras com os livros dele e a aprender com a Catarina, o Álvaro, o Frederico, o Carlos e, claro, o tio João. Por influência dos livros dele, tentei também criar uma série de aventuras no 6º ano. Originalidade das originalidades chamava-se Os Quatro: ora era Os Quatro em Paris ou Os Quatro e a Caixa Roubada ou ainda Os Quatro e o Correio Atrasado. Escusado será dizer que as histórias eram muito más, mas chegavam a ocupar seis folhas.

Com a morte de João Aguiar, o mundo da nossa Literatura ficou mais pobre.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Basicamente, é isto tudo...



Noite dentro o dia começou
fogo nos pés no corpo secou
com ideia de sentir mais do que devia
perco a disposição, quer sejas Diana ou Sofia

Mais para frente dou de caras contigo
as minhas mãos tremem, não é nada comigo
eu só não sei se te cumprimente
Gosto da tua cara mas não te encaro de frente

Morte ao meu sorriso (2X)

Noite dentro direitinha ao festim
mais uma rua e o que resta de mim são olhos pintados
que disparam ultravioletas,
Rei Bã em fera contra os teus ultravioletas

Morte ao meu sorriso (2X)
Morte ao teu sorriso (2X)


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E o mais giro é que eles cantam o meu nome. Já posso morrer feliz.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Como esta semana foi produtiva, ou...

... como me desgracei e matei a trabalhar e provavelmente vou morrer mais um bocadinho este fim-de-semana... e para a próxima semana também.

Que semana deveras produtiva: trabalhos até as cinco da manhã, encontros com deputadas, escritores e visitas a tocas de lobos.
E recebi uma flor - linda linda linda que só ela, daquele piqueno di meine corazón (sim, tu deste-me o raio da flor, não venhas com mariquices que mandaste o outro tadito dar, porque a intenção era tua e acabou!) E foi bonito.

Mas eu começo a achar que eu sou uma criatura estranha, assim que acha ternurentos certos gestos que não têm piada aparente nenhuma.
Eu gosto de receber flores, mas não gosto de ramos... Prefiro mil vezes receber uma flor, só e linda, do que um ramo de meia dúzia de rosas. E eu que que nem gosto de rosas e amo tulipas. Até um malmequer é mais ternurento que uma rosa. E o André acha-me estranha.
Uma declaração num supermercado é muito mais ternurenta que uma de joelho no chão, no topo de uma montanha, com promessas de eternidade: no meio das alfaces e das maçãs, no corredor dos chocolates é que é bom ouvir um gosto de ti.
Porque o amor é feito no quotidiano - não vive de grandes gestos, mas é sentido nos gestos de cada dia. E é isso que eu acho ternurento. Não precisa de uma mensagem escrita no céu, mas de uma flor e três palavras: gosto de ti.
Simples. E acham-me, a mim, estranha.


P.S.: És um querido, meine piqueno di meine corazón, André.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Há músicas sem as quais...

... as nossas vidas não vão estar completas sem as conhecer.
Esta é uma delas.

(...)
Fate
Up against your will
Through the thick and thin
He will wait until
You give yourself to him

In starlit nights I saw you
So cruelly you kissed me
Your lips a magic world
Your sky all hung with jewels
The killing moon
Will come too soon
(...)

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E agora vou ali a Paris, num tirinho, e já volto...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Mas reparem...

NEVE

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5 dias sem fazer absolutamente nada perdida para o meio da serra: calhou bem. Almada podia ter, finalmente, sucumbido à força da Natureza, tal qual Atlântida, que eu não ia saber de nada... Era capaz de tal acontecimento ser alvo de inumeras reportagens a dar conta da tragédiaaa, do horrooooor, da desgraçaaaa...
Mas é Almada, portanto talvez não.
5 dias em que o único estímulo intelectual foi ler o Felizmente, Há Luar! (oi?! mal por mal ainda prefiro O Render dos Heróis, ao menos o Cardoso Pires era um querido) e derreter-me com as cartas da guerra do Lobo Antunes (é oficial: estou irremediavelmente em estado de adoração/veneração/obsessão, não há nada a fazer).
Descobri igualmente que o Clive Owen é uma ternurinha ternurenta: eu já desconfiava, mas agora tive mesmo a certeza. É igualmente oficial: eu adoro de morte o Clive Owen, mesmo em filmes tontos, em que ele basicamente mata gente... mas caramba! que bem que ele sabe matar... e comer cenouras: fiquei impressionadissíma com a aptidão do Clive Owen para plantar e comer cenouras, e... fazer das cenouras armas de arremeso e matar os malfeitores. Pumba, mesmo na órbita! Dizem que as cenouras fazem bem aos olhos, excepto quando levamos com elas mesmo na cavidade ocular, arremesadas pelo Clive Owen.
É bonito...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A Lídia devia ter dito não

"Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o o bolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço."

-Ricardo Reis (F. Pessoa)

Mas a vida é tudo isso... as feridas abertas, o sangue que jorra nas veias com o bater do coração. É o amor que sentimos, é a felicidade que nos embala quando um sorriso terno surge na linha da tua boca... o embalo da felicidade...
Sim, que vivamos a vida como se o futuro nada fosse além de uma palavra sem qualquer significado no dicionário; sim, que a vida venha e que siga seu rumo como suposto, como um rio em direcção ao mar...
Mas que assim seja com todo este misto de emoção, a dor do sofrimento e o embalo suave e feliz do amor: tudo isso é viver.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Eu devia amar Janeiro

É a ressaca do Natal, o que significa dinheirinho de prendas para gastar; há saldos,  o que é sinónimo de malas, vestidos e sapatos lindos, lindos, lindos de morte à minha espera na Zara, H&M e Pull and Bear.
O problema é que faz frio, o que significa que só vou poder estrear  todas estas coisinhas bonitas lá para a Primavera, quando começar a aquecer e o Sol a brilhar... Não é justo, pois não é não senhor.

Ontem fui feliz a desbaratar na Fnac. Resultado: D'este Viver Aqui Neste Papel Descripto do A. Lobo Antunes, o cd/dvd do David F. e o cd/dvd do J. Buckley, Grace Around the World, além de umas sabrinas cinzentas lindas, lindas, lindas, mas lindas de morte da Pull and Bear, compradas supostamente com o dinheiro que queria guardar para ver se ia a algum concerto bonito antes do Verão (tipo The XX se ainda não tivesse esgotado... vou ali entrar em depressão e já volto). Não, eu não tenho auto-controle absolutament rien quando tenho em minha posse material monetário. E sim, sou eu que digo que o dinheiro era coisa bonita para se abolir...
Hoje fui desbaratar para os saldos. Resultado: coisa pouca... uma saia e uma camisola, igualmente lindas lindas lindas de morte... É impressão minha, ou este ano não há nada de extraordinariamenre interessante em saldos? E aquilo que há, nunca é do meu tamanho... C'est très triste...

Acordei igualmente com uma bruta de uma constipação, cuja única coisa positiva é a minha voz estar mais agradavelmente passível de ser ouvida, não estando nos seus tons estridentes habituais - qualquer dia só os cães me vão conseguir ouvir. Só espero que isto me passe até segunda, que eu não tenho vida para ficar aqui feita tonta doente em casa...
Estou oficialmente a morrer...
Ou isso, ou estou simplesmente ressacada...
Uma das duas...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

H&M estás perdoada

E foi assim que fiz as pazes com a H&M. Andava de candeias às avessas com ela: de há uns meses para cá, andava num marasmo, mas hoje deu-me não uma, mas duas alegrias - não um, mas dois vestidos lindos, lindos, lindos de morte.
Por um deles, estou inclusive a equacionar seriamente ir ao baile de finalistas, só para o poder usar, de tão lindo e ternurento que ele é. Agora só faltam aparecer lá os sapatos de salto lindos, lindos, lindos e a sabrinas pretas que estão no site.

E pois, que se compraram as prendas de Natal que haviam para serem compradas. Agora espera-me uma longa noite a embrulhar chocolates... Outra ternura que só visto...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Engasguei-me com uma torrada. Pensei mesmo que era desta que não escapava; e por este andar, não vou chegar ao novo ano, viva e inteira. Ah, pois que não vou mesmo.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"Para atravessar contigo..."


Se ainda não tivesse partido, Sophia de Mello Breyner faria hoje 90 anos de idade.
Sophia escreveu vários dos meus poemas preferidos. Este foi o primeiro que li seu e o que me fez apaixonar pela sua obra.

"Para atravessar contigo o deserto do mundo,
Para enfrentarmos juntos o terror da morte.
Para ver a verdade,
Para perder o medo.
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixo o meu reino.
Meu segredo,
Minha pérola redonda e meu oriente,
Meu espelho, minha vida,
Minha imagem.
E abandonar os jardins do paraíso.

Cá fora à luz sem víeis do dia duro
Sem os espelhos
Vi que estava nua.
E ao descampado se chama tempo.

Por isso,
Com teus gestos me vestistes
E aprendi a viver em pleno vento."

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

"Outubro quente traz o diabo no ventre."*

E não podia ser mais verdade. Outubro foi um mês parvo. Começou assim de mansinho como quem não quer a coisa e veio a descalabrar por aí fora. Uma tonteria de mês: ia-me morrendo para aí, várias vezes atropelada à vinda para casa e quase que me ia matando nas sacanas das escadas; tudo aquilo que tinha como verdade e certo em Setembro, caiu por terra em Outubro; trabalho, muito trabalho e vontade ou motivação nenhuma para o fazer - perdeu-se completamente e ainda não foi encontrada...
Resumindo, Outubro foi um fastio de mês. E Novembro também não começa muito bem...

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"mal cessou de existir cessei de existir, falecemos com a morte dos outros, sobra o nosso espantalho que nem os pássaros assusta derrubando coisas de que desconhece o manejo."
-A. Lobo Antunes
in Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?   

É muito provável que num momento de delicada sanidade mental, ler A. Lobo Antunes não é a forma mais fácil de ultrapassar uma deprimência. Por isso e hoje mesmo, começo o Amor de Perdição do C. Castelo Branco; para ver se me alegro um bocadinho, com eles a morrerem todos por amor no final... É bonito.

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*provérbio popular, que isto é um blog muito culto

sábado, 10 de outubro de 2009

Tentei fugir da mancha mais escura

Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...


Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração.

David Mourão-Ferreira

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Um sopro de desperdício

Que a vida passa rápido, todos nós sabemos, por isso não é aconselhável passa-la a ler livros que pouco ou nada têm de interessante.
É o caso de A Vida num Sopro de José Rodrigues dos Santos.

Resolvi dar-lhes uma oportunidade: ao autor, que como me pisca o olho no final de cada Telejornal da RTP, o mínimo que posso fazer para lhe retribuir a gentileza é ler-lhe a obra, e ao livro que andava por aqui num desesperante grito de aflição “Por favor, leiam-me!!!”. E como eu não sou má nem gosto de ver livros em sofrimento, lá comecei a ler a narrativa.
Acabei-a três semanas depois. Fiquei desiludida. Acabei o livro com um gostinho amargo, um sentido de tempo perdido. (E agora porque eu não gostei do livro, já não há piscadelas de olho no final do Telejornal para ninguém. Nunca tinha tido, o José Rodrigues dos Santos como uma pessoa vingativa…). Estava à espera de outra coisa, uma outra forma de pôr as palavras no papel, uma outra forma de informar o leitor dos sentimentos, acontecimentos, pensamentos e acções que se desenvolvem e desenrolam ao longo das 611 páginas de história. Não há espaço para subtilezas: está tudo lá, tudo muito linear, tudo muito dito e descrito – o que em certos casos, não é necessariamente algo de mau, mas neste caso, é.

Não senti a necessidade de ler mais devagar e repetidamente, somente para sentir a paixão e a beleza das palavras; não fiquei fascinada pelo tom e fluir da história. Em vez disso, senti a cada página a rudeza dos lugares-comuns, dos clichés da vida e da História.
A cada virar de página adivinhava-se o que aconteceria a seguir, além de que nem as personagens me geraram simpatia alguma. A premissa é boa: uma casal de namorados do liceu, durante os inícios do Estado Novo, são brutalmente afastados um do outro, primeiramente pela mãe da rapariga e mais tarde pela mão do destino. Luís e Amélia, ele um idealista, ela uma doce rapariga de olhos avelã, vêem-se assim atraiçoados pelas contrariedades da vida. Acabam por se encontrar, anos mais tarde em Penafiel: ela encontra-se casada com um oficial do exército, superior hierárquico de Luís, e ele acaba por ficar noivo, sem saber, da irmã dela. Resta dizer, que ele se apaixona pela rapariga, Joana de seu nome, porque esta tem um semelhante ar de graça da Amélia. Eventualmente, eles acabam por se tornarem amantes, o que causa, futuramente, um assassínio e uma fuga para Espanha, em braços com uma guerra civil. Pelo meio, alguns encontros não muito agradáveis com a realidade política do regime, marcam o carácter e a maneira como Luís nos é apresentado. Aquele idealismo falha em tornar a personagem agradável. Como? Não sei. Sei apenas que ao fim de alguns capítulos, ele começou a irritar-me profundamente. Porquê? Também ainda não consegui perceber. Em teoria, Luís é o tipo de personalidade que me interessa, na prática, após alguns capítulos, o meu desejo era que ele se matasse. O que, só assim por acaso, acaba por acontecer. Se quiserem saber como e porquê, desperdicem também vós algum tempo das vossas vidas para descobrirem, que isto, eu não sou paga pelo Estado para fazer serviço público; nem tão pouco sou uma alma amável e caridosa. (Vá pronto, basta começarem a ler a partir do Xº capitulo da 3ª parte. E depois não digam que não sou amiga…)

Toda esta previsibilidade, a pobre forma como tudo isto nos é dito constituem uma bruta decepção: de todas as tais 611 páginas, somente umas 5 linhas tiveram impacto na leitora que houve em mim. As únicas que deram vontade de reler e reflectir: 

“A vida é um sonho, pensou. A morte é o despertar. Passamos um universo inteiro a flutuar no vácuo da não existência; a vida não passa de um fugaz tremeluzir da chama do petromax na vasta noite de eternidade.
A vida é a anomalia, a morte é o regresso ao estado original; a vida é um sopro, a morte é o ar.”

Só coisas esperançosas e alegres, portanto.