Sou filha de marinheiro, mas não acho piada a temáticas náuticas na Literatura.
Romances no mar, em barcos e afins: not my cup of tea.
"A nossa vida é toda ela feita de acasos. Mas é o que em nós há de necessário que lhes há-de dar um sentido." - Vergílio Ferreira
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sábado, 18 de agosto de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Dilemas, dilemas
Estou a viver um dilema muito grande: não sei o que hei-de ler a seguir. Já li os livros da biblioteca que trouxe comigo aqui para a serra e tenho o Vergílio Ferreira com o Para Sempre e o Kerouac com o Desolation Angels (♥) em fila de espera na mala. O problema é que estou a achar um desperdício lê-los aqui. Amaldiçoo a hora em que decidi deixar ficar o Henry Miller em casa, porque me pesava a mala. Grrrrr...
E depois eu não consigo ficar sem nada para ler. Estou a desesperar!
Acho que vou começar a ler o Vergílio Ferreira, mas devagarinho para durar até ao meu regresso.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
"Às vezes conseguia adormecer repetindo o mesmo vezes sem
conta até que depois de a madressilva se misturar com o outro cheiro o conjunto de odores passava a simbolizar a noite e o desassossego e eu parecia estar ali deitado nem acordado nem a dormir estendendo o olhar ao longo de um corredor de penumbra acinzentada onde todas as coisas estáticas se tinham tornado sombras todas elas paradoxais tudo o que eu tinha feito sombras tudo o que eu tinha sentido e sofrido tomava formas visíveis medonhas e perversas sem referências elas próprias inerentes à negação do significado que deviam reafirmar pensando que era e não era ao mesmo tempo quem não era não era quem."
- O Som e a Fúria, William Faulkner
sábado, 21 de julho de 2012
A falta de inspiração é lixada
Ou a falta de inspiração é só uma desculpa.
Dei-me conta que não escrevo nada de cunho "criativo" há imenso tempo; acho que escrevinhei um último poema, ou algo aparentado à composição poética, há dois anos e não tenho escrito nada minimamente decente desde então. A falta de tempo também é uma desculpa.
A questão é que eu não tenho nada para escrever: nenhum fantástico plot, nenhum verso me corre à cabeça, nenhuma ideia literária para explorar; se eu fosse uma moça nos seus pueris 14 anos, escreveria de amores perdidos e corações partidos, sobre a profunda incompreensão que me é dirigida pelos meus pais no particular e pelo mundo (!) no geral - foi uma altura bastante criativa. Se eu fosse uma miúda de 14 anos do tumblr então era uma alegria (ou profunda angústia e infelicidade), por aquelas bandas as coisas são bastante dramáticas, mas de uma criatividade pujante.
Também eu sou bastante melodramática, pelo que era de esperar uma sequência de textos sobre as dores do crescimento, mas na verdade a única coisa que me aflige neste momento é o desaparecimento do Sol e da Humanidade (e talvez as perspectivas pós-licenciatura, mas isso não é propício a frases poéticas, mas palavras onomatopaicas correspondentes a um medo paralisante).
Em contrapartida, tenho lido imenso. Vou a meio do meu Goodreads Challenge! Yuppi! E tenho desfalcado a biblioteca cá do burgo big time. A ver se me ponho a fazer um exercício de escrita criativa a partir de algo verso ou trecho, qualquer coisa para sair deste marasmo.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
segunda-feira, 21 de maio de 2012
sábado, 12 de maio de 2012
Balanço final dos passeios ao Parque Eduardo VII
Os peditórios para o meu enriquecimento intelectual foram ouvidos satisfatoriamente, resultando numa subida acentuada de produtividade em relação ao período homólogo do ano passado.
Vieram comigo para casa:
O Livro do Desassossego do Pessoa (viva a edição da Assírio & Alvim!),
Comissão das Lágrimas do Lobo Antunes (com autografo, todo supimpa),
Os Vagabundos do Dharma do Kerouac (TUMBAS!)
Para Sempre do Vergílio Ferreira (veremos se a Quetzal afinal não é assim má com o Ferreira)
O Adeus às Armas do Hemingway (TUMBAS 2x, estou ansiosa por começar este)
Ora, este parece-me um bom resultado e dou-me por muito satisfeita.
Então, até para o ano!
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segunda-feira, 7 de maio de 2012
Saldo produtivo do fim-de-semana
Tal como o previsto, o estudo de Direito foi apenas moderado.
E está de bom de ver que o relatório de Ecologia ficou por fazer, obrigando-me a acordar esta manhã cedinho para passar a manhã (e depois a tarde) à volta daquela porcaria.
Trabalho e estudo para Marginais = zero. (Vou ver se trato disso agora... ou então vou passar o resto da noite no tumblr.)
O único ponto que obteve um resultado verdadeiramente satisfatório foi o da ida à Feira do Livro: não trouxe o Miguel Esteves Cardoso para casa, mas! mas!!! saí do Parque com o Adeus Às Armas do Hemingway, PUMBA! Correu bem.
E também dormi (moderadamente).
Além de que estiveram três dias maravilhosos e depois chega-se a segunda e é isto: chuva a porra do dia todo.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Programa de actividades para o fim-de-semana
Teoricamente, sexta, sábado e domingo serão dedicados aos seguintes pontos:
- Estudo intensivo de Direito Internacional;
- Escrita da minha parte do relatório de Ecologia;
- Trabalho de Lit. Marginais e estudo para a frequência;
- Tentativa de açambarcar mais uns tantos livros da Feira;
- Dormir.
Na prática o que deverá acontecer:
- Estudo (moderado) de Direito Internacional
- Posts de raiva e inquietude sobre a utilidade de uma cadeira chamada Ecologia Humana, leccionada por e-learning com aquela senhora;
- Umas linhas desconexas e um bocado parvas para o trabalho e estudo para a frequência;
- Tentativa consagrada de açambarcar o Miguel Esteves Cardoso e aqueles livros a saldo da Relógio d'Água;
- Longos períodos de sono.
Há que ter fé!
quarta-feira, 25 de abril de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
O leitor que escreve; o escritor que lê - conselhos de Carlos Drummond de Andrade
10 conselhos de Carlos Drummond de Andrade a um escritor iniciante
by Michel Laub
"Trechos (editados) da crônica A um jovem, publicada em A bolsa e a vida(1962):
1. Não acredite em originalidade, é claro. Mas não vá acreditar tampouco na banalidade, que é a originalidade de todo mundo.
2. Não fique baboso se lhe disserem que seu novo livro é melhor que o anterior. Quer dizer que o anterior não era bom. Mas se disserem que seu livro é pior que o anterior, pode ser que falem verdade.
3. Procure fazer com que seu talento não melindre o de seus companheiros. Todos têm direito à presunção de genialidade exclusiva.
4. Aplique-se a não sofrer com o êxito de seu companheiro, admitindo embora que ele sofra com o de você. Por egoísmo, poupe-se qualquer espécie de sofrimento.
5. Sua vaidade assume formas tão sutis que chega a confundir-se com modéstia. Faça um teste: proceda conscientemente como vaidoso, e verá como se sente à vontade.
6. Opinião duradoura é a que se mantém válida por três meses. Não exija maior coerência dos outros nem se sinta obrigado intelectualmente a tanto.
7. Procure não mentir, a não ser nos casos indicados pela polidez ou pela misericórdia. É arte que exige grande refinamento, e você será apanhado daqui a dez anos, se ficar famoso; se não ficar, não terá valido a pena.
8. Se sentir propensão para o gang literário, instale-se no seio de uma geração e ataque. Não há polícia para esse gênero de atividade. O castigo são os companheiros e depois o tédio.
9. Evite disputar prêmios literários. O pior que pode acontecer é você ganha-los, conferidos por juízes que o seu senso crítico jamais premiaria.
10. Leia muito e esqueça o mais que puder. Só escreva quando de todo não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar."
Daqui. Sublinhados meus.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Hoje já me vou
Está bom de ver que não fiz nada de produtivo esta semana sem ser enfardar bolo da Páscoa e rolinhos de chouriço. Lá li um texto e tal, estou quase quase a acabar o Damásio (gostei muito) e andei a aparvalhar com a tonta de quatro patas - uma tonta que só ela - e foi basicamente isto.
Mas estou pronta para ir para casa. Os ares da serra são bons, mas só consigo pensar no dia em que cá te irei trazer para passearmos pelas ruas esguias e medievais da vila e pelo castelo e jardins da cidade.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Férias, ora que bom
Eu nem dava pela Páscoa, nem sequer tinha pensado na existência desta semana e festividades. Acho até que por uma razão muito simples: a Páscoa não tem presentes. Estou a brincar (mas só um bocadinho).
Nunca mais me lembrei que estava na altura disto, assim como me aconteceu com o Carnaval - passou por mim e eu nem dei por isso.
Mas lá vai ter de ser: passar uma semana sem ter de por despertador a tocar - e isto é o que realmente importa ressaltar aqui. Se eu fosse moça aplicada, passava-a a estudar, porque há uma frequência próxima; contudo, eu já sei o que a casa gasta e o mais provável é eu ainda ler umas coisas, mas fartar-me ao fim de meia-hora e ir jogar Angry Birds.
Vou mas é aproveitar para pôr o meu Book Challenge em ordem e despachar uns quantos livros - estou agora a ler o Ao Encontro de Espinosa do António Damásio e está a ser giro. Sabiam que as moscas também se embebedam e têm comportamentos bêbados semelhantes aos nossos? (É este o tipo de informação que eu retenho, tenham paciência comigo...)
terça-feira, 27 de março de 2012
O que há em mim é sobretudo cansaço O que há em mim é sobretudo cansaço Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço. A subtileza das sensações inúteis, As paixões violentas por coisa nenhuma, Os amores intensos por o suposto alguém. Essas coisas todas - Essas e o que faz falta nelas eternamente -; Tudo isso faz um cansaço, Este cansaço, Cansaço. Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada - Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser... E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, Para eles o sonho sonhado ou vivido, Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, Um supremíssimo cansaço. Íssimo, íssimo. íssimo, Cansaço...Álvaro de Campos
sábado, 17 de março de 2012
O amor é sobretudo isto
É este percorrer as sucessivas idades da vida de mão dada.
"Querida. Se tu viesses. Gostava tanto de te ver. Em qualquer idade da vida, que em todas estarias certa com a minha necessidade de te amar. Na idade jovem do teu cabelo à garçonne, na tua idade azougada em que eras mais energética do que a vida, mulher eléctrica, quando eu ficava estoirado só te ver. Ou mais tarde, à hora desta deusa da Primavera que tenho aqui. Ou mesmo já no fim, quando te levava pela mão, já trôpega, atrapalhada com todas as peças de seres, e íamos almoçar ao restaurante em frente de casa. Se viesses. E todavia. Se viesses, talvez te não pudesse dizer já o que te digo, porque para as palavras difíceis uma presença é inoportuna."
Em Nome da Terra, Vergílio Ferreira
quarta-feira, 14 de março de 2012
"Se acreditarem em mim, crendo que a alma é imortal e capaz de suportar todos os males e todos os bens, seguiremos sempre o caminho para o alto, e praticaremos por todas as formas a justiça com sabedoria, a fim de sermos caros a nós mesmos e aos deuses, enquanto permanecermos aqui; e depois de termos ganho os prémios da justiça, como os vencedores dos jogos que andam em volta a recolher as prendas da multidão, tanto aqui como na viagem de mil anos que descrevemos, havemos de ser felizes."
A República, Livro X
Platão
domingo, 11 de março de 2012
A produtividade do fim-de-semana
Coisas que devia e estava a pensar fazer este fim-de-semana:
- Encetar actividades capilares (cortar as pontas e semelhantes);
- Acabar o Platão;
- Relatório de Ecologia.
Coisas que de facto fiz:
- Ir à Bertrand e açambarcar um livro;
- Começar a planear a minha roupa de anos na Zara e Pull & Bear (a sério, não há quem queira trazer-me a Zara toda aqui para casa? Ficaria eternamente grata.);
- Ir à Caparica comer um gelado no sítio de costume;
- Dormir.
Tenho esperanças ainda de ler alguma coisa do Platão para acabar aquilo rápido (já tenho dois livros de atraso no meu Goodreads Challenge, uma vergonha) e ir escrever a minha parte do relatório (sim, porque aquela excelsa professora acha muito giro mandar fazer grupos de cinco pessoas para fazer relatórios de cinco páginas. Bah.)
segunda-feira, 5 de março de 2012
Há Palavras que Nos Beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Book Challenge 2012
Que coisa bonita: Janeiro tem sido um mês literáriamente produtivo. Já vou no terceiro livro deste mês, oh yeah batam palmas! Acho que esta produtividade se deve toda ao facto de eu não ter grande coisa para fazer e estar de... wait for it...waaaaait for it... FÉRIAS! aaaah sabe bem dizê-lo, mesmo que já a partir de amanhã me encontrarão encerrada nas catacumbas bibliotecárias a "estudar".
Enfim!
Desconfio que esta produtividade vai cessar assim que começarem as aulas, mas é sempre bom sonhar; portanto, e pensando bem isto constitui uma espécie de resolução de ano novo, comecei no goodreads um "Book Challenge": ler em 2012, 50 livros. Está ali ao lado uma aplicação para acompanhar os meus honrosos progressos e aquilo diz-me que estou a fazer um belíssimo trabalho.
Oh yeah...
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