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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Do Douro para o Tejo ♥

Ouvir isto foi O momento do festival.


Valeu-me para a vida.


"True love will find you in the end
You'll find out just who was your friend
Don't be sad, I know you will,
But dont give up until
True love will find you in the end
This is a promise with a catch
Only if you're looking can it find you
‘Cause true love is searching too
But how can it recognize you
Unless you step out into the light?
Don't be sad i know you will
But don’t give up until
True love finds you in the end."

sábado, 1 de junho de 2013

terça-feira, 30 de abril de 2013

"Interessa-me. É a única pessoa neste mundo que me interessa. Se parece pouco, tenho pena de quem não tenha a sorte de saber que nada há de mais sublime, ou de eterno, do que ficar interessado, e assim permanecer, com a cabeça e o coração à beira de rebentar, zangados com os seus imites, mas felizes por tê-los levado tão longe, e conhecê-los por ter conseguido lá chegar, e assim sossegar, numa inquietação bem fundada, de que tudo fizemos para esticar as nossas capacidades. A felicidade maior é a frustração mais doce - de permanecermos para sempre incapazes, sem culpa nossa, para podermos passar a vida num esforço enorme, e termos por prémio a consciência de estarmos vivos, e de morrermos como começamos, morrendo sem sensação de fim, por ficarmos presos à maravilha, depois de uma vida inteira, de ficarmos interessados."
- Cemitério de Raparigas, Miguel Esteves Cardoso

terça-feira, 16 de outubro de 2012

IX MADRIGAL


Tu já tinhas um nome, e eu não sei
se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.
Nos meus versos chamar-te-ei amor.



Eugénio de Andrade, As Mãos e Os Frutos


_________________________________________________________________________
Li hoje o meu primeiro livro de Eugénio de Andrade e entrou directamente para o panteão dos meus poetas preferidos, taco a taco com Neruda e David Mourão Ferreira (e Sophia, vá).

segunda-feira, 17 de setembro de 2012


FRENTE A FRENTE


Nada podeis contra o amor.
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
— e é tão pouco.

- Eugénio de Andrade,
 in «Palavras Interditas · Até Amanhã»

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Digamos que estou a cantar isto cheia de fé em loop



"trancaste-me em casa com a tv vens tarde e em brasa sussurrar-me um cliché nem quero saber porquê arrastas a asa quando ninguém vê pões discos da lhasa e recitas carlos t nem quero saber porquê. carregas no vinho fico à tua mercê arruinas-me num instantinho quem te viu e quem te vê queimaste o calvino já ninguém o lê cais nos braços de um novo menino e eu desatino com não querer saber porquê. assentar até talvez casar aquecer na cama o teu lugar à espera de ver-te assentar até talvez casar aquecer na cama o teu lugar à espera de te ver chegar. (pois é amor trancaste-me em casa sozinho com a tv a encher-me de merda sabes nem sei se estás para vir mas vou começando a cozinhar já passa da meia-noite amor já é hora do jantar. não dá só para já)"

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O tempo não me chega. Eu quero passear contigo, comer gelados abrigados à sombra, porque ao sol está um calor do caraças, não se aguenta; mas o tempo não nos chega. E isso chateia-me. Chateia-me porque o que eu mais quero é estar contigo assim, sem nada com que me preocupar além da ondulação do Tejo e do que vou vestir. O que eu mais quero é ter um tempo só dos dois, sem obrigações e ansiedades académicas que só nos fazem mal aos nervos e à sanidade mental. O que eu mais quero é partilhar as contas, a loiça na máquina em concordância, o sofá e os maus programas de televisão que eu adoro ver e gozar. O que eu mais quero é reclamar do estado a que o país chegou à hora do jantar, tudo por culpa do governo ou do seu antecessor ou claro, do Cavaco.
O que eu mais quero é reclamar o meu lugar na nossa cama com a perna fora do lençol, mania de Verão desde criança; quero voltar para a casa e encontrar-te lá. Partilhar os livros, a arrumação das estantes e formar uma primorosa biblioteca. 
O tempo agora não me chega, as despedidas são terríveis, e eu quero que o tempo onde elas não sejam necessárias chegue rápido. Quero, porra. 

domingo, 13 de maio de 2012

E recordando isto.
Caraças, parece que foi ontem e já vai fazer um ano.
Foi também a véspera de algo grandioso.

quinta-feira, 22 de março de 2012

E é claro: possivelmente o meu poema preferido do O'Neill


  
Nos teus olhos altamente perigosos 
vigora ainda o mais rigoroso amor 
a luz dos ombros pura e a sombra 
duma angústia já purificada
  
Não, tu não podias ficar presa comigo 
à roda em que apodreço 
apodrecemos
a esta pata ensanguentada que vacila 
quase medita
e avança mugindo pelo túnel 
de uma velha dor
  
Não podias ficar nesta cadeira 
onde passo o dia burocrático 
o dia-a-dia da miséria 
que sobe aos olhos vem às mãos 
aos sorrisos
ao amor mal soletrado 
à estupidez ao desespero sem boca 
ao medo perfilado 
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca 
do modo funcionário de viver
  
Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido 
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa 
puríssima da madrugada 
mas da miséria de uma noite gerada 
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós 
traz docemente pela mão 
a esta pequena dor à portuguesa 
tão mansa quase vegetal

Mas tu não mereces esta cidade não mereces 
esta roda de náusea em que giramos 
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual 
esta nossa razão absurda de ser
  
Não, tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas 
e o cemitério ardente 
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio 
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia 
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal
  
Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento 
digo-te adeus 
e como um adolescente 
tropeço de ternura 
por ti

- Alexandre O'Neill

sábado, 17 de março de 2012

O amor é sobretudo isto

É este percorrer as sucessivas idades da vida de mão dada.


"Querida. Se tu viesses. Gostava tanto de te ver. Em qualquer idade da vida, que em todas estarias certa com a minha necessidade de te amar. Na idade jovem do teu cabelo à garçonne, na tua idade azougada em que eras mais energética do que a vida, mulher eléctrica, quando eu ficava estoirado só te ver. Ou mais tarde, à hora desta deusa da Primavera que tenho aqui. Ou mesmo já no fim, quando te levava pela mão, já trôpega, atrapalhada com todas as peças de seres, e íamos almoçar ao restaurante em frente de casa. Se viesses. E todavia. Se viesses, talvez te não pudesse dizer já o que te digo, porque para as palavras difíceis uma presença é inoportuna."
Em Nome da Terra, Vergílio Ferreira 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Há Palavras que Nos Beijam

Há palavras que nos beijam 
Como se tivessem boca. 
Palavras de amor, de esperança, 
De imenso amor, de esperança louca. 

Palavras nuas que beijas 
Quando a noite perde o rosto; 
Palavras que se recusam 
Aos muros do teu desgosto. 

De repente coloridas 
Entre palavras sem cor, 
Esperadas inesperadas 
Como a poesia ou o amor. 

(O nome de quem se ama 
Letra a letra revelado 
No mármore distraído 
No papel abandonado) 

Palavras que nos transportam 
Aonde a noite é mais forte, 
Ao silêncio dos amantes 
Abraçados contra a morte. 

Alexandre O'Neill